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Apensar da eficácia, vacina contra a dengue ainda tem baixa procura na rede particular

Recomendada pela OMS em regiões endêmicas, Dengvaxia já é registrada em 11 países

Por C. Campelo

12/10/2016 às 09h50 • atualizado em 11/10/2016 às 16h52

Vacinação contra a gripe (Foto: Diário do Sertão)

A primeira vacina contra a dengue começa a ganhar o mundo. A fabricante francesa Sanofi Pasteur anunciou que 11 países, inclusive o Brasil, já protocolaram registro para a Dengvaxia. Oficialmente recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a países com altos índices da doença, o imunizante foi registrado em dezembro de 2015 no Brasil.

O Paraná foi o primeiro estado no país a administrar as primeiras doses de sua campanha de vacinação pública. Já Filipinas iniciou a aplicação da segunda dose para alunos de escolas públicas, em três áreas altamente endêmicas do país. Ao todo, 500 mil doses estão em teste em 30 cidades paranaenses. Concorrente do Instituto Butantã deve chegar ao mercado em 2018.

A Dengvaxia é encontrada em clínicas particulares e chega a custar até R$ 250. “A procura ainda é baixa. Infelizmente, a maioria deixa para vacinar somente em época avançada de surto ou epidemia. Aí pode ser tarde”, adverte Arthur Fernandes, da empresa de vacinação Assen, de Volta Redonda. Ele aponta outro problema: reunir cinco pessoas para vacinar juntas, pois cada frasco tem cinco doses.

Testes indicaram que a vacina foi aplicada numa população de indivíduos a partir de 9 anos de idade, prevenindo dois terços dos casos de todos os tipos de dengue. Indicado para pessoas entre 9 e 45 anos, o imunizante deve ser aplicado em três doses, com intervalos de seis meses. O fabricante garante proteção contra os quatro tipos do vírus. Segundo os estudos, a proteção é de 93% contra casos graves da doença, redução de 80% das internações e eficácia global de pouco mais de 60% contra todos os tipos do vírus.

Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a eficácia da vacina é satisfatória e segue o padrão de vacina como a existente contra varicela e contra o rotavírus, que evitam cerca de 60% dos casos das doenças. Mas tem um impacto maior na redução de casos graves, que poderiam levar a hospitalizações e à morte.

Estudos comprovam eficácia

Pesquisadores constataram que a vacina evitou oito entre 10 internações por dengue e 93% de casos graves, como a forma hemorrágica da doença, que pode levar à morte. O acompanhamento foi feito ao longo de 25 meses, com testes clínicos em cerca de 30 mil participantes de dez países endêmicos da América Latina e da Ásia. Os resultados dessa análise mostraram que a vacina evitou internações devidas à dengue e casos de dengue grave até quatro anos após a primeira dose, em comparação com placebo, na população do estudo de 9 anos de idade ou mais.

Estudo da Uerj garante que, se tivesse existido vacina contra a dengue há cinco anos, numa campanha pelo SUS, casos e mortes teriam caído até 81%, na faixa de 9 a 40 anos. Os casos teriam sido reduzidos de 1,6 milhão em 2015 para 300 mil, e as mortes, de 863 para 169.

Embora as expectativas de novas vacinas animem a comunidade científica, o infectologista da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, um dos maiores especialistas do assunto no mundo, reafirma: “Não adianta a população cruzar os braços, esperando por vacinas, e não eliminar focos do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue, chikungunya e zika) dentro de suas casas e nos quintais. É como enxugar gelo”, compara Venâncio.

O Dia / Francisco Edson Alves

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