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Especialistas alertam que violência dá prazer e pode se tornar viciante; veja!

Assistir programas policiais é benéfico porque ensina a lidar com situações violentas

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11/05/2015 às 07h25

Assistir lutas em ambiente controlado dá prazer, diz especialista Reprodução/UFC

Mesmo com toda a tecnologia disponível, com TVs de resolução impressionante, nada do que acontece no mundo virtual tem o poder de respingar no espectador — nem o cheiro bom do programa de culinária, nem o sangue das lutas de UFC. E é justamente por saber que estamos protegidos de tudo que se passa na tela que gostamos de assistir à violência na televisão, seja nas famosas lutas ou mesmo em filmes e videogames.

A conclusão é do PhD em genética e professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Renato Zamora Flores, que garante que, sim, ver programas violentos dá prazer ao ser humano, especialmente por conta da atmosfera controlada que impede que a pancadaria sobre para quem está de fora.

— Por mais que você imagine o quanto está doendo para aqueles lutadores, a dor não vai te atingir. Não é você quem está sofrendo. Isso faz toda a diferença na modelagem mental. Qualquer barbaridade que passe ali, por mais chocante que seja, não tem o poder de fazer mal a quem assiste. Ver aquela mulher todinha picotada no filme, por exemplo, e poder pegar minha cerveja na geladeira na hora do intervalo, é algo maravilhoso.

E a premissa vale para qualquer conteúdo na TV, não apenas aqueles já sabidamente violentos. O futebol, por exemplo, por ter todos os elementos da agressão proativa — disputa, movimentos bruscos, contato físico, xingamentos —, é chamado de “guerra estilizada” pelo neurologista e professor da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) Ricardo de Oliveira Souza.

Para ele, a diferença de uma partida entre dois times e uma batalha sangrenta entre dois exércitos seria apenas a de que, no gramado, ninguém morre.

Ivana da Cruz, doutora em genética e biologia molecular, explica por que, mesmo depois de tanta evolução da espécie humana, ainda mantemos o instinto da agressão.

— Os animais desenvolveram um sistema de recompensa por toda a luta por comida, espaço, etc. Este mecanismo tem uma rota neural bastante definida, e também atua nos momentos de agressão. Se estou atacando e fui vencedor, ou se estou apanhando e consegui fugir, isso vai me dar um sentimento bom. Se este mecanismo não existisse, teríamos cada vez mais perdido este comportamento no passar da civilização. No entanto, ele é preservado por causa dos genes primitivos, que se tornam úteis no caso de uma guerra.

E existem centenas de estratégias de se preservar o tal mecanismo. No passado, por exemplo, havia o coliseu, onde homens de digladiavam, e hoje há as lutas do UFC e o futebol.

— Os berros nestas modalidades são uma representação de comportamentos utilizados na guerra. Estes esportes são maneiras de desencadear o mecanismo de recompensa, sem que isso signifique matar ou se defender de outra pessoa.

Para Ricardo de Oliveira Souza, a agressão humana deve ser vista como algo normal enquanto for do tipo reativo, quando a pessoa detecta uma ameaça e se defende dela — seja alguém que fura a fila na sua frente, um episódio de bullying na escola, ou até mesmo um gesto de violência física.

O problema começa quando a agressividade passa à forma que os psiquiatras chamam de proativa. Neste caso, ao contrário do anterior, a agressão parte de um propósito, e não de uma defesa. Seja em busca de uma recompensa específica como vingança, ganho financeiro ou sexo, por exemplo, este tipo de violência será sempre mediado por estratégias cognitivas como intimidação, chantagem e roubo.

Trata-se, de acordo com Oliveira Souza, de algo comum apenas às pessoas que não são consideradas “normais” — os psicopatas.

Renato Zamora Flores, da UFRGS, concorda e argumenta que, mesmo com a grande quantidade de fãs assíduos que têm, os programas policiais não possuem o poder de criar pessoas mais violentas.

— Tudo está vinculado à maneira como o espectador entende aquela atração. Se ele disser que aquilo é fantasia e não o mundo real, tudo bem. Mas, se ele disser que aquela é uma interpretação da realidade, podemos estar diante daquele tipo que vai matar uma meia dúzia indiscriminadamente.

O professor explica que, dependendo da quantidade de prazer que se tem com as primeiras exposições à violência, a busca por situações cada vez mais agressivas pode evoluir e se tornar crescente, ficando viciante.

— Se aquilo me gerou uma forma de prazer, se me fez me sentir uma pessoa melhor, mais confiante, isso vai progredir. É a mesma coisa na vida prática: o cara começa a agredir verbalmente a esposa, daí aquilo passa a não dar mais o mesmo prazer que no início, e então ele vai passar a dar uns tabefes nela.

A conclusão a que Flores chega é a de que pessoas que consomem violência não são naturalmente mais violentas, mas, sim, mais “aprendidamente” violentas.

No entanto, ainda assim os especialistas conseguem apontar alguns benefícios no gosto pela exposição a situações onde impera a agressividade. É o caso, por exemplo, do poder tutorial de programas como as lutas de UFC e mesmo as atrações que exibem crimes e sugerem que o ideal é não reagir a assaltos e coisas do tipo.

— Quanto mais você vê isso na tela, mais aumenta sua possibilidade de lidar com situações agressivas na realidade. A violência na TV vai me ensinar algumas coisas, entre elas como eu devo agir caso ela aconteça comigo. 

R7

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