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Um mês após ter testa tatuada à força, menor escreve carta à mãe: ‘saudades’

Vânia Rocha visitou filho em clínica na Grande SP e disse que ele perdoou agressores. Justiça negou liberdade a tatuador que escreveu 'eu sou ladrão e vacilão' e a pedreiro que filmou crime em junho.

Por Luzia de Sousa

09/07/2017 às 13h24

Vânia Aparecida Rosa da Rocha, mãe do adolescente que teve testa tatuada à força mostra carta que filho escreveu um mês após crime; inscrição 'eu sou ladrão e vacilão' começou a sumir após sessão de remoção (foto no alto à direita) (Foto: Glauco Araújo/G1)

Um mês depois de ter sido tatuado à força porque teria tentado furtar uma bicicleta no ABC, o adolescente de 17 anos escreveu uma carta para a mãe no centro de reabilitação particular para usuários de drogas na Grande São Paulo onde faz tratamento contra o vício em crack e álcool. O jovem ainda ostenta na testa a inscrição “eu sou ladrão e vacilão”.

“Mãe minha rainha te amo de verdade do começo até o fim [sic] do meu coração. queria [sic] que a senhora foce [sic] me ver aqui na clínica”, escreveu à caneta o menor em uma folha de caderno, intitulada “carta de saudades” a Vânia Aparecida Rosa da Rocha, de 34 (assista acima o vídeo que o G1 fez com ela lendo a mensagem do filho).

Na semana passada, a mulher visitou o filho e contou que ele disse que perdoa quem o tatuou e quem filmou o crime. “Eu perdoo os dois rapazes”, disse Vânia sobre o que o filho lhe contou.

“Nossa família unidade [sic] já mas [sic] será detroida [sic]. Sem data para n virar passado!!”, termina o manuscrito do garoto, que também desenhou carros com as palavras “paz” e “alegria”, seguidas de um rosto com cara de mau, como se o identificasse antes, e sorridente, como se vê atualmente.

Menor escreveu carta para a mãe: ‘Bjos Rainha’ numa folha; na outra desenho dele com cara de mau, como se identificava antes, e feliz, como se vê agora (Foto: Glauco Araújo/G1)

No final do mês passado, o adolescente começou a ser submetido à aplicação gratuita de laser para remover a tatuagem feita no dia 9 de junho pelo tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, de 27 anos, e filmada por um vizinho dele, o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, de 29, em São Bernardo do Campo.

As imagens da sessão de tatuagem divulgadas e compartilhadas pelo WhatsApp repercutiram e tornaram o caso conhecido. Foi por meio delas que a Polícia Civil prendeu o tatuador e o pedreiro. Segundo a dupla, o objetivo era punir o garoto pela suposta tentativa de levar a bicicleta. O dono do veículo, o ambulante Ademilson de Oliveira, de 31, declarou ao G1, dias após a agressão, que não concordava com a punição.

À reportagem, o adolescente negou, também no mês passado, ter tentado furtar a bicicleta. ‘Tive vontade de morrer, comecei a chorar’, disse o garoto, que antes e após a tatuagem estava desaparecido. Ele só foi encontrado no dia 10 de junho por familiares e amigos.

Alegando questões de segurança, a Clínica Grand House, em Mairiporã, onde o menor está internado gratuitamente desde 13 de junho, não permitiu que ele desse mais entrevistas.

Réus
Os dois agressores são réus no processo no qual respondem presos pelos crimes de constrangimento ilegal, lesão corporal e ameaça. A Justiça marcou para o dia 12 de setembro a audiência de instrução do caso, que antecede um eventual julgamento.

Caberá à juíza Daniela de Carvalho Duarte, da 5ª Vara Criminal de São Bernardo, decidir se os dois são culpados ou inocentes das acusações e se deverão ser condenados ou absolvidos. A Justiça negou na semana passada o pedido das defesas dos dois para que eles respondessem ao processo em liberdade.

Inicialmente, a Polícia Civil havia indiciado Maycon e Ronildo por tortura, mas o Ministério Público (MP) não concordou e entendeu que ocorreram os crimes de constrangimento, lesão e ameaça. A Justiça aceitou, o que irritou a mãe do menor. “Se fosse filho de rico seria tortura”, havia dito Vânia ao G1, no mês passado.
Por questões de segurança, Maycon e Ronildo estão detidos atualmente na Penitenciária de Tremembé, interior do estado, à espera do julgamento. Os dois presos teriam sido ameaçados por outros detentos no ABC, que não aceitaram o crime cometido contra o menor.

G1

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