header top bar

section content

Outro lado do título: cerco à arena do Palmeiras reforça cenário de guerra

Jogo de praticamente uma única torcida acaba tendo clima tenso por causa da atuação de policiais militares; sócios do Verdão relatam abuso de autoridade

Por Estagiário

28/11/2016 às 10h24


O domingo foi de festa para o torcedor palmeirense. A conquista do título brasileiro após vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, na arena, fechou de forma perfeita a temporada do clube. Porém, um cenário nada animador foi visto nos arredores do estádio. O cerco da Polícia Militar ao local voltou a causar polêmica, e torcedores relataram muitos problemas, inclusive de abuso de autoridade de alguns militares.

A confusão começou sete horas antes do início da partida. Às 10h, alguns torcedores já se concentravam em bares nas ruas Palestra Italia e Caraibas. A ordem dos policiais militares era evacuar ambas. Mesmo os torcedores que tinham ingressos para a partida eram obrigados a se deslocar até os gradis posicionados pelos oficiais.

A reportagem do GloboEsporte.com viu um torcedor no bar se revoltar e ser ameaçado de prisão por “desacato à autoridade”. Uma sócia do Verdão, que foi impedida de passar para entrar no clube, ouviu de um PM: “Se a senhora insistir, não vai para o clube, mas para a delegacia”. Outro torcedor barrado perguntou o motivo e ouviu de um policial a seguinte frase: “Não sabe o que é não? Não vai entrar. Porque eu não quero”.

– Isso aqui está parecendo um enterro – definiu um sócio ao ver o clima ruim e as ruas vazias.

De fato, por muitas horas antes do jogo, o clima nos arredores da arena era de velório. Torcedores eram impedidos de transitar para fazer festa. O procedimento adotado pelo 2º Batalhão da PM tem o aval do Ministério Público e também do presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, que é a favor de impedir pessoas sem ingresso de circular nas imediações do estádio. O problema é que, no domingo, mesmo torcedores com ingressos tiveram dificuldade para circular no local.

Palmeiras x Chapecoense PM torcida (Foto: Tossiro Neto)

Torcedores discutem com PMs na entrada do estádio (Foto: Tossiro Neto)

Alguns sócios que tentavam acessar o clube eram impedidos de atravessar a rua após a colocação dos gradis na Palestra Italia. Pessoas sentadas nos bares foram obrigadas a deixar os estabelecimentos, esvaziados por cerca de uma hora para averiguações. A rua Venâncio Aires, paralela da rua do estádio palmeirense, acabou ficando com grande aglomeração.

Em um dia histórico para o clube, a festa, que poderia ser semelhante à do título da Copa do Brasil no ano passado, foi limitada. Em vez de torcedores, dois blindados do Batalhão de Choque ocupavam a Rua Palestra Itália. O clima começou a tomar cara de jogo decisivo apenas cerca de duas horas antes do apito inicial.

Passavam dos bloqueios apenas pessoas que exibiam ingressos físicos ou provavam que estavam com o cartão do programa de sócios-torcedores carregado para a partida contra a Chapecoense. A averiguação era feita por meio de tablets, procedimento demorado, que gerou filas e atrasou a entrada de alguns torcedores.

Quando a bola já rolava, bombas eram ouvidas do lado de fora do estádio. Uma mulher foi vista passando mal e sendo retirada no colo de um homem. Um blindado da PM utilizou jatos de água para dispersar torcedores que tentavam assistir ao jogo em televisões nos arredores do estádio, aumentando a revolta.

No setor visitante, para evitar palmeirenses infiltrados, a Polícia Militar exigia que os torcedores exibissem o RG. Se não fosse de Santa Catarina, a pessoa não era liberada para comprar ingressos. Não houve qualquer explicação mais detalhada sobre a medida e nem aviso prévio.

Confusão envolvendo torcedores do Palmeiras (Foto: Reprodução)

Confusão envolvendo torcedores do Palmeiras (Foto: Reprodução)

Na opinião de Paulo Nobre, o cerco à arena é uma medida de segurança aos torcedores que vão ao estádio. A repercussão entre os torcedores, porém, era diferente. O clima era de temor e revolta, mais uma vez. O clima pacífico de um jogo quase de torcida única acabou se transformando em tensão.

A reportagem do GloboEsporte.com tentou questionar um policial sobre a operação nas imediações da Palestra Italia, mas foi ordenada a sair do local onde se encontrava. Em contato telefônico, o 2° Batalhão de Choque informou que não havia um balanço sobre o trabalho no estádio.

A convicção entre sócios do Palmeiras é que a entrada de Mauricio Galiotte na presidência do clube abrirá a possibilidade de diálogo sobre essa polêmica. Considerado de perfil mais conciliador do que Paulo Nobre, o novo mandatário é visto com bons olhos pela oposição.

GLOBO ESPORTE

CACHOEIRA DOS ÍNDIOS

VÍDEO: Ex-prefeito rompe o silêncio, fala de derrota e lamenta promessa não cumprida de atual gestor

ENTREVISTA

VÍDEO: Do vício em jogo à fama, ‘Rei das Tapiocas’ de Cajazeiras conta trajetória no programa Xeque-Mate

MARIA CALADO NA TV

Programa Maria calado na TV recebe os Quentes da Pegada da cidade de São João do Rio do Peixe

EM CONTINÊNCIA AO SENHOR JESUS

Programa Em Continência ao Senhor Jesus com a participação do Sargento Souza e Marcos Alan