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Temer é terceiro vice a assumir Presidência após a redemocratização

Com isso, Temer concluirá mandato da ex-presidente, que vai até 2018.

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

31/08/2016 às 16h22

Na foto, Dilma conversa com o vice enquanto os dois aguardam a chegada da chanceler alemã Angela Merkel para um jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Michel Temer se tornou nesta quarta-feira (31) o terceiro vice a assumir a Presidência da República desde a redemocratização, após a confirmação, pelo Senado, do impeachment de Dilma Rousseff.

Antes dele, José Sarney e Itamar Franco chegaram ao comando do governo federal depois da morte de Tancredo Neves (que não chegou a exercer o mandato) e da renúncia de Fernando Collor, respectivamente.

Caçula de oito filhos de uma família de imigrantes libaneses, Michel Miguel Elias Temer Lulia, 75 anos, atinge o ápice de uma carreira política de 35 anos pavimentada na máquina partidária peemedebista.

Substituto de Dilma durante o período de afastamento da presidente, ele é reconhecido, por aliados e adversários, como um articulador político de bastidores que domina as engrenagens do Congresso Nacional e do PMDB.

Presidente nacional do partido há 15 anos, se elegeu vice-presidente da República pela primeira vez em 2010, na chapa de Dilma. À época, além de comandar o PMDB, presidia a Câmara dos Deputados, pela terceira vez em 13 anos.

Respaldado pelo poder que acumulava no Legislativo e na cúpula partidária, Temer impôs ao PT o próprio nome para a vaga de vice como condição para o PMDB apoiar a candidatura de Dilma.

Inicialmente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Dilma, resistiu e tentou obter uma lista tríplice de peemedebistas para escolher quem entraria na corrida eleitoral ao lado da candidata. Temer negou.

Embora exibisse significativa força política como presidente do maior partido do país e da Câmara dos Deputados, Michel Temer vinha de uma eleição apertada para o parlamento.

Em 2006, ao se reeleger para o quarto mandato consecutivo de deputado federal por São Paulo, não conseguiu contar apenas com os próprios votos para se manter no Legislativo.

Na ocasião, obteve 99.046 votos, menos da metade dos 252.229 votos que somou na eleição de 2002. Mas mesmo com a significativa queda de rendimento nas urnas, o peemedebista conseguiu se reeleger “puxado” pelo conjunto dos votos dos demais integrantes da coligação do PMDB.

Apesar do receio que tinha em relação ao perfil de Temer, Lula não podia abrir mão do tempo de rádio e TV dos peemedebistas na eleição em que tentaria fazer a ex-ministra da Casa Civil sua sucessora no Palácio do Planalto. Além disso, ele sabia que Dilma precisaria do apoio do PMDB no Congresso Nacional para garantir a governabilidade.

Com a bênção de Lula, o casamento político entre Dilma e Temer foi consumado. A aliança acabou bem sucedida nas urnas, com a dupla derrotando José Serra (PSDB-SP) no segundo turno da eleição de 2010.

No primeiro mandato de Dilma, Temer teve um papel discreto. Fez questão de manter uma relação protocolar com a chefe do Executivo, sempre chamando-a de “senhora presidente”.

Nas ocasiões em que substituiu a petista na Presidência por motivos de viagens, fazia questão de despachar do próprio gabinete, no anexo do Palácio do Planalto, onde fica a estrutura da Vice-Presidência.

No anexo, Temer passou os primeiros quatro anos de mandato recebendo uma romaria de peemedebistas insatisfeitos com o dote que o partido havia recebido na Esplanada dos Ministérios – a legenda ocupou cinco pastas no primeiro mandato de Dilma – e com a suposta exclusão do PMDB das decisões do governo.

À época, ele ouvia atentamente todas as queixas dos colegas de partido, mas nunca esboçava qualquer intenção de deflagrar um motim contra a presidente.

Reeleição e rompimento
Em 2014, o casamento político de Dilma e Temer foi reeditado. Ao final de uma campanha presidencial intensamente disputada e agressiva, os dois se reelegeram no segundo turno, derrotando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma diferença de cerca de 3,4 milhões de votos.

Na segunda fase do governo Dilma, em meio aos apuros da presidente com a Câmara dos Deputados presidida por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Temer foi convidado, em abril do ano passado, a assumir a articulação política do Planalto.

Ele deixou o papel de vice figurativo e entrou oficialmente nas negociações de cargos e emendas com o “varejo” do Legislativo, apoiado pelo então ministro da Aviação, Eliseu Padilha, um especialista no mapeamento de intenções de voto na Câmara.

Entre derrotas, vitórias e “pautas-bomba” no Congresso, a dupla Temer-Padilha conseguiu aprovar a base do pacote de meta fiscal do então ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Porém, quatro meses depois de se tornar o articulador político do governo, Temer abandonou o posto, reclamando de ter sido sabotado por ministros petistas nas negociações com deputados e senadores.

Dali em diante, a relação com Dilma, que era protocolar, tornou-se ainda mais distante e fria.

Em 7 de dezembro, cinco dias após Eduardo Cunha ter acolhido o pedido de impeachment da presidente da República, Temer surpreendeu o país com uma carta enviada a Dilma na qual se ressentia do tratamento que havia recebido ao longo dos cinco anos de governo e reclamava, inclusive, de uma suposta tentativa de desvalorizá-lo, por meio da demissão de aliados próximos.

O episódio azedou de vez a relação entre Dilma e Temer. No final de março, com o aval e a articulação do vice-presidente da República, o PMDB aprovou, por unanimidade, o rompimento com o governo federal, oficializando o divórcio político.

A saída oficial do PMDB, principal sócio do PT no governo, escancarou a guerra política entre os dois partidos.

Michel Temer, então, saiu em busca de votos favoráveis ao impeachment e conseguiu atrair para o seu flanco os principais partidos da oposição e ainda as legendas do chamado “centrão”, que, até então, ainda se mantinham na frágil base aliada de Dilma.

Na tentativa de neutralizar o novo adversário político, a presidente passou a acusá-lo, no Brasil e no exterior, de “golpista” e “traidor”.

Temer evitou o confronto público, mas manteve as articulações de bastidores para assegurar a instauração do impeachment.

Transformado em bunker político do vice, o Palácio do Jaburu se tornou ponto de procissão de adversários de Dilma e de políticos cotados para integrar o ministério de Temer.

G1

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