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Francisco Cartaxo

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A morte do tenente João Cartaxo

29/01/2015 às 14h47

Existe na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Cajazeiras, um monumento dedicado ao tenente João Antonio do Couto Cartaxo, assassinado em 18 de agosto de 1872, num entrevero com adeptos do Partido Conservador. O sangrento episódio se deu no dia da eleição municipal, por isso ficou conhecido como o “morticínio eleitoral de Cajazeiras”. O fato é sempre lembrado, embora haja muita desinformação acerca das causas, motivações e de alguns personagens envolvidos. Por quê? Porque não se explica com clareza as razões do tiroteio e das mortes em frente à igreja. A distância dos fatos provoca confusão, como, por exemplo, o maior adversário do tenente morto e, sobretudo, a vincular a luta à emancipação política de Cajazeiras. Sem pretender esgotar o assunto, desejo abrir o debate histórico, devidamente contextualizado, com o intuito de tentar esclarecer pontos obscuros.  

Por que a briga se deu na praça em frente à igreja? 

Porque a lei eleitoral no tempo do Império determinava que as eleições se realizassem no recinto da igreja e eram precedidas da celebração obrigatória da missa. Isso mesmo, dentro da igreja. Lembre-se que o catolicismo era a religião oficial do Brasil desde a época da Colônia. Portanto, a Igreja Católica sujeitava-se ao poder civil em muitas de suas funções, à semelhança de uma repartição pública, ressalvadas algumas peculiares no exercício do poder espiritual. Os pleitos, processados no interior de igrejas e capelas, eram fonte de atrito entre a Igreja e o Estado, tanto que nos 40 anos do Império, houve um sem número de conflitos entre dirigentes eclesiásticos e autoridades do regime monárquico. Tais conflitos eram causados, quase sempre, pelo desrespeito aos templos católicos em dia eleição, quando reinava enorme “balbúrdia, confusão e, não raro, o crime”, como escreveu o jornalista e escritor Nilo Pereira, em livro sobre a matéria. 

O massacre eleitoral de Cajazeiras, em 1872, não ocorreu dentro da igreja porque, segundo Deusdedit Leitão, o vigário, padre Henrique Leopoldino da Cunha, impossibilitado de penetrar no templo, foi celebrar a missa na capela da Casa de Caridade. Ora, desde cedo próceres do Partido Conservador, vindos do distrito de São José de Piranhas, comandavam cerca de 300 pessoas armadas, dispostas a perturbar os trabalhos eleitorais, como era frequente naquela época em vários lugares do Brasil. Fácil, portanto, prever o embate violento, sobretudo, pela fama de valentia e truculência do chefe da facção conservadora, o alferes João Pires Ferreira de Maria, da povoação de Santa Fé, famoso por suas ligações com grupos de temidos malfeitores, atraídos para intimidar os adversários e inimigos. Em Santa Fé muita coisa se resolvia pelo trabuco, sendo famosas as brigas de família e a presença de grupos de cangaceiros vindos do Ceará, tanto que o lugar foi amaldiçoado por dois de seus párocos, os padres Manoel Lins e José Thomaz. 

Em resumo, ais aí o motivo principal do conflito entre liberais e conservadores ter se dado na Praça da Matriz, para onde se dirigiu o tenente João Cartaxo, chefe do Partido Liberal de Cajazeiras, à frente de 50 homens armados. Em próximos textos falarei do “estranho” alferes João Pires, que foi prefeito de Cajazeiras, de equívocos a respeito de Santa Fé, bem como do heroísmo pela libertação de Cajazeiras, do Partido Liberal Geopolítico e outros aspectos históricos da época. 

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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