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Francisco Cartaxo

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A vingança do cabra Damião

11/03/2013 às 23h37

 

Quando os homens de Floro Bartolomeu da Costa e padre Cícero Romão Batista invadiram a casa de José Joaquim de Brito, no município de Várzea Alegre, sua mulher reuniu os filhos, todos menores de idade, e passou uma ordem severa:

– Não quero ouvir ninguém chorar nem debaixo de peia, tá entendido?

Minha avó, Joana Sales de Brito, tentava evitar o pior: a volta desesperada de seu Zuza da Inácia, como era conhecido meu avô, do capão de mato próximo a sua casa. Zuza avisara que só sairia do esconderijo se ouvisse choro ou grito dentro de casa. Damião, leal cabra da família, a tudo escutou, embora não fosse dirigida a ele tal recomendação. Ele era habituado a tarefas muito mais difíceis naquele mundo de cangaceiros, polícia violenta, fanatismo religioso e coronéis prepotentes do começo do século 20. Naquele dia o cabra de confiança passaria por mais uma provação. Quando da “visita” à fazenda de meu avô, os homens de Floro bateram em Damião sem dó nem piedade, deixando-o quase morto, a ponto de precisar deslocar-se a Juazeiro para tratar os maus-tratos. Por isso, não seguiu com seu Zuza para São João do Rio do Peixe, fato que deixou a todos preocupados, como narrava minha mãe. Ela dizia também que seu pai foi obter em Juazeiro um salvo-conduto do padre Cícero para não ser molestado na viagem à Paraíba. Pasme o leitor, ouvi de minha mãe, inúmeras vezes, que seu Zuza teve de pagar pelo salvo-conduto em moeda corrente!

Além das sequelas físicas sofridas, Damião tinha motivo mais forte para retardar sua mudança para a Paraíba. Carregava no peito uma dor bem maior do que as pancadas, pontapés e coronhadas dos capangas de Floro Bartolomeu. Ele conhecia os agressores e, na primeira oportunidade, executou com as próprias mãos a tarefa imposta pelos costumes da época. E o fez com o inseparável punhal de estimação. Reza a tradição oral de minha família que Damião ajudou a abreviar a viagem definitiva de três devotos do padim Ciço… Por isso, demorou a emigrar para São João do Rio do Peixe. Antigo delegado de polícia em sua terra natal, Várzea Alegre, (possivelmente no curto governo do coronel Franco Rabelo), José Joaquim de Brito não se surpreendeu quando Damião lhe explicou o motivo de tanta demora:

– Major, pra viajar em paz eu carecia primeiro fazer um serviço.

Após a deposição do coronel Franco Rabelo do governo cearense, no coroamento da chamada “sedição do Juazeiro”, em 1914, Fortaleza invadida por cangaceiros e fanáticos, José Joaquim de Brito vendeu sua propriedade, localizada no município de Várzea Alegre, a Antonio Ferreira, pai do empresário Raimundo Ferreira, e foi reorganizar sua vida e seus negócios em São João do Rio do Peixe. Ali permaneceu até que a necessidade de educar quatro filhas moças e três homens o induziu a transferir-se para Cajazeiras, onde continuou como discreto negociante, igual a outros cearenses expulsos de sua terra por força de perseguições político-religiosas na região mais conturbada do Nordeste no começo do século 20. Minha avó Joana, nascida no hoje distrito de São José de Lavras, morreu em 1952, com quase 80 anos, numa casa em frente ao Estádio Higino Pires, onde mais tarde residiu o médico Antonio Vituriano. Hoje, lá existe o bonito edifício da CERVAP, construído na profícua, séria, eficiente e eficaz gestão do engenheiro Stanley Lira. Mudou a rua. Também mudaram os costumes sociais e políticos.

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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