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Francisco Cartaxo

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Corrupção na Petrobras é obra de pilantra?

18/11/2014 às 16h10

Corrupção política é tema permanente no Brasil, sem maiores consequências em termos eleitorais, salvo raras exceções. A gente se acostuma à prática de malfeitores afanarem dinheiro público para fins de enriquecimento pessoal, familiar e de amigos, de modo que um escândalo a mais ou a menos não faz diferença. Talvez estejam no inconsciente coletivo casos referenciais históricos a justificar nossa eterna complacência com os corruptos. Basta lembrar Domitila de Castro, aquela senhora cujo marido, o alferes Felício Coelho, a expulsou de casa porque se sentiu ultrajado ao descobrir suas travessuras com um coronel… Mais tarde, seduzida por Pedro I, Domitila virou a “nova primeira dama da Corte”, instalada no Palácio, onde atingiu o auge da sacanagem na cama e na cobrança de propina. Já então exibia título de nobreza. Nada passava sem a lubrificação da mão bondosa da marquesa de Santos. Tudo às claras. Bem, quase tudo…

Muito tempo depois, no pós-Estado Novo, a quadra democrática do meado do século XX trouxe, entre os casos emblemáticos, o “rouba mais faz”, slogan celebrizado por Ademar de Barros, o médico bonachão que governou São Paulo. Precursor não apenas de Paulo Maluf, mas de milhares de discípulos, festejados pelos seus eleitores neste imenso Brasil. De vereador a presidente da República…

Em nossos dias, a prática de atos de corrupção, lesivos ao interesse público, assumiu feitio sofisticado. Aliás, acompanhando o próprio refinamento do processo eleitoral, sobretudo, das caríssimas campanhas no rádio e na televisão, exigentes de somas fabulosas e de recursos técnicos. Disso resultou, como uma das consequências mais nocivas, o famoso “caixa dois”. Um fundo de campanha no qual são lançados “recursos não contabilizados”, como o antigo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, se referia à soma de dinheiro arrecadado, com a ajuda de Marcos Valério, no tempo do mensalão. O “caixa dois” se impôs como uma realidade de nossos dias, nada comparada aos processos de corrupção do passado, vistos hoje como brincadeira de menino. O “caixa dois” só terá sua expressão diminuída quando profunda reforma político-eleitoral extirpar ou reduzir, drasticamente, a roubalheira gerada no conluio entre partidos políticos, governo, empreiteiras, gestores públicos, operadores de dinheiro sujo.

Enquanto não se enfrentar esse problema com seriedade, estouram escândalos aqui e ali, cuja vítima maior é a democracia. Sempre. A corrupção mina a democracia muito mais do que essa idiotice de pedir a volta da ditadura militar. Continuaremos a passar a mão na cabeça dos ladrões, (ora, todos roubam!), minimizando os efeitos da ação corruptora, a procura de retirar a culpa dos verdadeiros responsáveis pela montagem dos esquemas de assalto aos bens públicos. Bens materiais e imateriais, também. Exemplo? A fábrica de propina instalada na Petrobras. Não se trata de “um ou mais pilantras” que lesam as finanças da Petrobras, como escreveu no jornal Contraponto um ilustre mestre em economia, hoje aposentado da UFPB. Pelo pouco já divulgado das investigações em curso, o uso criminoso da maior empresa brasileira não é obra eventual de “pilantras”. Ao contrário, é formidável esquema de arrecadação de propina em cima de obras, de compra de equipamentos e serviços superfaturados, desvirtuando investimentos, abalando a gestão da Petrobras, a credibilidade conquistada ao longo de sua história.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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