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Francisco Cartaxo

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O complicado xadrez político

13/12/2015 às 11h33

Por Francisco Frassales Cartaxo

Desabafo de Michel Temer. A carta de Temer a Dilma não era para ser divulgada, ele fez beicinho, seria um mero desabafo pessoal. E foi mesmo. Desabafo por escrito pois palavras, o vento leva, e a escrita permanece, lembrou Michel, citando frase em latim. A carta parece queixa de criança, querendo um saco de bombom. Ele destilou magoas do governo, sentiu-se figura decorativa… Temer pousa de estadista, sempre elegante, instiga o imaginário popular como a renascer a imagem de Ulisses Guimarães. Ou Itamar Franco, o vice que deu certo. No gesto e na fala representa o político maduro, experiente, pronto para assumir a condução do processo de união nacional e tirar o Brasil da crise. A carta quase lhe desmancha a pouse de estadista.  

Impeachment de Dilma. Nó é difícil de desatar. A cada passo, surge uma novidade, cada lado empenhado em iludir à população, às vezes, em total desrespeito à verdade. Uma pena. Impeachment é um estatuto democrático, previsto na Constituição, mas agora adquire feição banal e chega a ser tratado com a irresponsabilidade de conversa de boteco. Pior ainda, usam métodos dignos de disputas estudantis. Espertezas, manobras baixas, as falas a favor e contra o impedimento da presidente Dilma deturpam os fatos. O povo brasileiro não merece isso de seus representantes em Brasília.     

Cassação de Eduardo Cunha. O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados tem de tudo, menos ética. Ali, domina a malandragem, a chicana, o empurra com a barriga. Decidir agora? Que é isso… vamos deixar para amanhã! E assim, de enrolada em enrolada, a Comissão cumpre o papel determinado por Eduardo Cunha, um quase réu, que opera à distância os bonecos no circo, Manuel Júnior e Wellington Roberto no proscênio. Há, porém, uma diferença: os fantoches do teatro agem com arte. Já na Comissão de Ética não pinta nem arte nem ética.

Deprimente. O que mais me impressiona nos debates é a mediocridade dos deputados. Ver e ouvi-los ao vivo em reuniões, no plenário ou nas comissões, é um tormento para o espírito. Irrita. E o nível? Nem pergunte, leitor amigo. Lugares comuns, repetidos, mastigados, como se os deputados tivessem enorme dificuldade de digerir o prato-feito preparado para a ocasião. Poucos se salvam. Nenhum realce para os da Paraíba, embora exibam enorme disposição de lutar pelo chefe Eduardo Cunha. Aliás, disposição que não têm na defesa dos paraibanos. Um vexame para um estado que outrora brilhou na política nacional com José Américo, Alcides Carneiro, Argemiro de Figueiredo, João Agripino, Ernani Sátiro, Abelardo Jurema, José Jóffily, Ivan Bichara, Antônio Mariz. Será que hoje o deputado só sabe fazer negócio? 

Delação premiada de Delcídio. Vem a caminho a colaboração premiada do senador Delcídio Amaral. Ele já contratou advogados especialistas nesses acordos com o Ministério Público. Delcídio só não fechará o entendimento se nada tiver de relevante para dizer. E ele sabe muito, dizem. Outra coisa, a maioria dos delatores vem do outro lado do balcão: empresários, doleiros, dirigentes da Petrobras. Delcídio seria o primeiro político com mandato a recorrer à delação premiada, nos termos da Lei 12.850/2013, assinada por Dilma Rousseff e José Eduardo Cardoso.

Instituições firmes. Apesar de todas as sacanagens, resta a firmeza das instituições republicanas e democráticas. Até o falado golpe contra Dilma está lá na Constituição!
 

Francisco Cartaxo

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Contato: cartaxorolim@gmail.com

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