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Mariana Moreira

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O samba do impitiman

27/02/2015 às 21h18

O carnaval como uma manifestação cultural que se enraizou em nosso país se transformando em festa nacional traz, ao longo dos anos, característica que lhe dão peculiaridade e singularidade. Uma dessas características e que faz da festam momesca uma expressiva representação da expressão de irreverência e da ironia que, em momentos importantes de nossa história, foram ingredientes utilizados como importante ferramenta política.

A revelia do espetáculo midiático em que se converteram os desfiles das escolas de samba, motivando até mesmo a lavagem de dinheiro desumanamente surrupiado por um ditador africano que menospreza e promove a fome e a miséria de sua gente no deleite de seus delírios loucos e grotescos, o carnaval deste ano também foi palco para a manifestação da irreverência popular. Sobretudo, o carnaval ainda brincado livremente pelas ruas, praças e avenidas, sem cordões, arquibancadas, comissões julgadoras, fantasias suntuosas. 

Um carnaval que brota da alma espontânea de uma gente que, como declama o poeta, “ri quando deve chorar e não vive, apenas agüenta”. A irreverência que brotou no desejo verdadeiro do povo em ver assegurada a sua opção política. Os cartazes que pontilharam as telhas televisivas em suas transmissões ao vivo debochando de loucos desejos de alguns derrotados em abortar o mandato da presidente Dilma Rousseff, através de um processo de impeachment, foi a mais exuberante demonstração desse espírito moleque que faz da ironia uma arma para a defesa de suas convicções.

Um impeachment que já chegou as telas da folia carnavalesca com a grafia da graça e do deboche. Quando improvisados cartazes alardeavam que impitiman é meus zovos traduzindo para o sabor e cheiro da rua e do povo um sentimento que se mostrava presente na vontade de uma gente que, começando a romper a invisibilidade da miséria e da nulidade política, social, cultural e cidadã, ganha projeção porque se alimentam de um combustível que tanto asco causa aos que, tradicionalmente, enxergaram esse contingente da população apenas como massa de composição de seus interesses pessoais ou de grupos. Combustível que faz a combustão dos programas de redistribuição de renda, de acesso a escola e a universidade, de moradia e energia para abrigar e iluminar corpos e mentes.

O impitiman é meus zovos se situa na mesma constelação das outrora marchinhas que ironizavam autoridades, costume e modas aristocráticas deslocadas nos trópicos tupiniquins. Marchinhas, enredos criativos de Joãozinho Trinta, virgens escamoteadas em marmanjos, são apenas expressões de uma irreverência que se mantêm como a mais genuína marca de nosso carnaval e que alimenta as expressões mais verdadeiras de quem, aproveitando-se da frouxidão do momento carnavalesco, expõe em sua verdade a cara de uma gente que também sabe ter esperança e brigar por suas conquistas.

E sobre o impeachment da presidente da Dilma Rousseff isso é enredo para outro desfile. Aguardem.      

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br