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09/11/2016 às 10h30 • atualizado em 09/11/2016 às 09h44

postado por: Estagiário

Ironia de Temer ao atacar ocupações gera reação de entidades

Em entrevista, Temer afirmou que alunos que protestavam não sabem "o que é uma PEC"

© Reuters

A ironia usada pelo presidente Michel Temer (PMDB) nesta terça-feira (8) para criticar o movimento de ocupações de escolas e universidades públicas pelo país causou uma reação de entidades estudantis e também de especialistas no tema.

Os estudantes das ocupações criticam a proposta de reforma do ensino médio e a PEC do teto de gastos, ambas encampadas pelo governo federal.

Nesta terça, em discurso em Brasília, Temer atacou as ocupações e disse: “Eu vi uma entrevista em uma ocasião, desses que ocupam: ‘Você sabe o que é uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição]?. PEC é Proposta de Ensino Comercial’. Quer dizer, as pessoas não leem um texto. E não estou dizendo dos que ocupam ou não ocupam, estou dizendo no geral”.

Segundo Paulo Carrano, pesquisador do Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense, ao tentar deslegitimar o movimento estudantil, o governo tenta “apagar um incêndio usando querosene”. “A preocupação não deve ser deslegitimar o movimento, mas abrir diálogo.”

A presidente da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), Camila Lanes, 20, disse que os estudantes que estão em ocupações debatem constantemente os efeitos das reformas propostas pelo governo.

“Se ele [Temer] acha que o estudante de 16 a 20 anos não é capaz de debater sobre a política do Brasil, é muito preocupante, ainda mais vindo de alguém que ocupa o cargo de presidente do país”.

Segundo a presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Carina Vitral, se for verdade que o estudante não é capaz de compreender o que é uma PEC, essa defasagem deveria ser suprimida justamente pelo Estado.

“É uma declaração que demonstra como subestima o movimento estudantil que, em São Paulo, já foi capaz de barrar uma decisão do governo Alckmin”, disse, numa referência às ocupações do ano passado que forçaram o governo a retirar proposta de reorganização do ensino médio e fechamento de escolas.

No mês passado, segundo entidades estudantis, mais de mil unidades de ensino estavam ocupadas no país.

Embora esse número tenha caído, no último final de semana cerca de 400 unidades que serviriam de locais de prova do Enem permaneciam ocupadas por estudantes, o que obrigou o governo a adiar para dezembro o exame federal de 270 mil inscritos.

A pauta das ocupações critica a reforma do ensino médio proposta pelo governo. Segundo os estudantes, seria necessário um amplo debate sobre o tema, mas o governo enviou a proposta por meio de uma medida provisória.

Segundo o peemedebista, a reformulação no ensino médio é discutida há bastante tempo. Para ele, não é possível que um estudante, por exemplo, não saiba falar corretamente o português ou regras básicas da matemática. “O que a medida provisória do governo federal faz é agilizar o debate relativo ao ensino médio no país”, disse.

Outra pauta do movimento estudantil é a contestação à PEC 241, que congela por 20 anos os gastos públicos federais e, segundo os estudantes, terá forte impacto no investimento para a educação.

OCUPAÇÕES EM SÃO PAULO

As declarações do presidente Michel Temer sobre as ocupações de escolas pelo país ocorrem na semana que marca um ano do início da ocupação de colégios públicos em São Paulo. Há um ano, os estudantes da rede estadual ocuparam suas escolas em protesto contra a decisão do governo Geraldo Alckmin (PSDB) de dividir parte dos colégios estaduais por ciclos únicos de ensino (anos iniciais e finais do fundamental e o médio).

Esse plano previa para 2016 o fechamento de 93 escolas e o remanejamento de 311 mil alunos -a rede estadual tem 5.147 escolas e atende a 3,8 milhões de alunos. Ao todo, 754 escolas atenderiam só um ciclo de ensino no Estado.

No total, 196 escolas no Estado foram ocupadas. O desgaste ao governo estadual levou ao recuo da proposta. O secretário de educação, que havia encabeçado o projeto de reforma, acabou caindo. As ocupações duraram quase dois meses. Com informações da Folhapress.

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