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Falta de diálogo está por trás do polêmico jogo Baleia Azul e de outros ‘suicídios sociais’, alerta professor de Cajazeiras – Vídeo!

Damião Fernandes, graduado em Filosofia, é um dos estudiosos da Educação que mais têm levantado a necessidade de dialogar sobre esse e outros fenômenos comportamentais

Por Jocivan Pinheiro

27/04/2017 às 17h05 • atualizado em 27/04/2017 às 17h11

O polêmico jogo Baleia Azul, cujos participantes – geralmente jovens – devem cumprir uma série de desafios que vão desde automutilação até suicídio, está deixando a sociedade chocada e apreensiva. A principal pergunta que as pessoas se fazem é: o que leva um(a) jovem a participar de um jogo de rede social e tirar a própria vida para cumpri-lo?

O professor Damião Fernandes, graduado em Filosofia, é um dos estudiosos da Educação em Cajazeiras que mais têm levantado a necessidade de refletir e, principalmente, dialogar sobre esse e outros fenômenos comportamentais que se acentuaram, sobretudo, na era digital.

Colunista do portal Diário do Sertão, no último dia 19 Damião publicou um artigo em que traz à luz algumas relações entre o jogo Baleia Azul e a filosofia existencialista do alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860). Para Damião, a sociedade fragmentada, com indivíduos isolados em supostas relações sociais na internet, reflete a alegoria do “véu de Maia” de Schopenhauer, em que cai o pano que encobria a verdadeira face da condição humana.

“Não tenho dúvida de que a cada dia que passa, com as redes sociais em desenvolvimento, há também um grande processo de isolamento, e isso facilita, sobremaneira, o surgimento de outras patologias, porque o grande problema não é a rede social em si, mas o uso que nós fazemos dela como processo de desconstrução da nossa identidade enquanto seres dialógicos e não seres isolados.”

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Professor Damião Fernandes

Apesar da complexidade que envolve o comportamento humano diante de um jogo como Baleia Azul, o professor ressalta que a retomada do diálogo, da verdadeira interação social fora das redes da internet, é o passo mais importante para começar a entender e combater tais fenômenos.

“Olhando numa perspectiva histórica, o jogo Baleia Azul é um sintoma de uma sociedade profundamente fragmentada, avessa ao diálogo, intolerante com o diferente, uma sociedade com rachaduras. Ao meu ver uma das grandes deficiências que colaboram muito para esse destaque de um jogo tão trágico é, de fato, uma sociedade que não dialoga com as pessoas.”

Ao mesmo tempo em que supostamente choca, Baleia Azul também revela uma faceta hipócrita e cruel da sociedade, reflete Damião Fernandes. “Há um processo cultural de vários suicídios contínuos na sociedade, ou seja, a sociedade que se espanta com a morte trágica de um jovem que se suicida é a mesma sociedade que mata gays, lésbicas, transgêneros, que trata de forma preconceituosa o negro, o pobre, a mulher. Não há uma culpabilidade em alguém, o que há é um processo cultural de falta de diálogo, de racha nas relações, de isolamento, então é preciso que as famílias comecem a redescobrir a importância do diálogo.”

DIÁRIO DO SERTÃO

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