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José Antonio

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As cinzas do carnaval

08/03/2019 às 07h31

Coluna de José Antônio

Quarta-feira de Cinzas. O carnaval acabou. Restam as saudades e as contas para pagar.
Em Cajazeiras foi tudo muito tranqüilo e os que pregavam que o carnaval deste ano não ia prestar devem bater com a palma da mão nos peitos e pedir desculpas. O povo que não tem dinheiro para pagar camarote e o ingresso só pode gostado.

Faltaram mais atrações de prestígio nacional para encher de turistas os nossos hotéis, mais por outro lado, tem-se conhecimento que o movimento na rodoviária e mesmo em carros particulares foi intenso e que transportaram centenas de filhos da terra para passar o carnaval em Cajazeiras.

No famoso Corredor da Folia, da Avenida Juvêncio Carneiro, nunca o carnaval foi tão democrático. Foi feito para o povão: não tinha camarote para a burguesia, não houve barreiras para se beber só um tipo de cerveja ou refrigerante, não tinha que pagar para pular e dançar e este ano foi dado o direito das bandas locais se apresentarem e foi ótimo se prestigiar a prata da casa.

Mas o carnaval não só foi livre no Corredor da Folia, tivemos na Praça Dom João da Mata (Praça da Prefeitura) um espaço destinado para os que não gostam de muita agitação, uma orquestra só tocando frevo, que no próximo ano precisa começar mais cedo, porque atinge uma parcela da população com uma idade mais avançada, que vem a cada ano aumentando o público, além do Rock, em outra praça, para os que apreciam um ritmo mais agitado. Um carnaval com todos os ritmos.

E os blocos? Ah, este ano se superaram! Ficou demonstrado que o povo de Cajazeiras gosta de se divertir e ficou provado pelas multidões que se envolveram durante os três dias nos vários blocos que foram formados e organizados sem muita complexidade e arrastaram milhares de foliões pelas ruas da cidade, com destaque para o Bloco das Virgens, que a cada carnaval vai caindo no gosto do povo. O melhor deste bloco é que não tem regra nenhuma para dele participar, além de não ter “corda” e muito menos compra de abadas. Para quem quer se envolver mais, os do sexo masculino, basta vestir uma indumentária feminina, que pode ser desde a saia de sua avó ou mesmo aquele vestido transparente de sua namorada, de uma amiga ou da esposa. A liberação é geral. Tem mais um detalhe importantíssimo: os homens não precisam ser virgens e muito menos as mulheres.

Outro bloco que tomou uma dimensão gigantesca foi o dedicado às crianças, o “Dindim de Cajá”, que obrigou muitos pais a caírem também na folia, na companhia dos filhos.

O bloco “Cafuçu” foi prejudicado pelas fortes chuvas que caíram no dia de sua apresentação, mas mesmo debaixo d’água desfilou com muita garra pelas avenidas da cidade.

O Bloco do Índio, de tantas tradições, além de outros contribuíram de forma espontânea para abrilhantar o carnaval de rua de nossa cidade.

Nos carnavais passados Cajazeiras já tinha esta tradição de organizar blocos, dentre eles o que mais se destacou foi “O Mamãe Sem Nora”, que era formado pela elite e fez muito sucesso.

Alguns defendem que o poder público municipal deveria ter uma participação mais efetiva na organização destes blocos, mas penso de forma diferente, porque no momento em que a prefeitura começar a “intervir” vão começar as brigas na hora de distribuir os recursos e acaba tendo conseqüências negativas. Acho que a prefeitura ao disponibilizar um Trio Elétrico para acompanhar os blocos já estaria de bom tamanho, como já vem sendo atualmente.

Os blocos carnavalescos estão tendo este sucesso exatamente por não terem regras e muito menos exigências descabidas e mais ainda por não ter interferência do poder público.
Os blocos ajudaram de forma brilhante a embelezar o nosso carnaval.

O dinheiro que a prefeitura de Cajazeiras investiu na atingiu sequer a soma do que foi pago a cantora Anita, que se apresentou em Aracati, Ceará, pela mixaria de 500 mil reais, em menos de duas horas de show.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br