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José Antonio

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Exílio voluntário

18/06/2021 às 20h49 • atualizado em 18/06/2021 às 20h50

Coluna de José Antonio. (Foto: ilustrativa/reprodução/internet).

Por José Antonio

É possível viver e ser feliz em paragens que não são as suas origens? É possível sim, basta buscar no canto do sabiá, no berro da vaca e no relinchar do cavalo os momentos nestes e nos pequenos instantes do que lhe agrada aos olhos e aos ouvidos e transformar tudo isto em felicidade.

Duas razões me levaram ao “exílio voluntário”, numa fazenda encravada na Tromba do Elefante, no Oeste Potiguar, no município de Pilões: a primeira para “ocupar e desbravar” uma gleba de terra, que pertencia aos pais de Antonieta e depois, como se fora a “providência divina” estamos “escondidos” com medo da corona vírus, mas medo mesmo, não é brincadeira, principalmente, quando testemunhamos a morte de amigos e familiares tendo como causa o covid 19.

O melhor deste exílio é que aprendi que são nas pequenas e simples coisas aonde podemos encontrar a felicidade, a exemplo de acordar ouvindo o canto dos pássaros e esperar o sol nascer para ir ao curral passar a mão nas tetas de uma mansinha bezerra, enquanto ela aguarda a entrada da mãe no curral para apojar para a tirada do leite; é ouvir a noticia que uma ovelha pariu na madrugada e ficar ansioso para saber se foi macho ou fêmea; é ouvir o ronco da forrageira cortando o capim e o pé com milho zarolho para fazer ração para o gado de leite; é saber que os pés de banana brevemente soltarão os cachos; é ver o peso do peixe que acabou de ser pescado na barragem; é apanhar os ovos, que sobraram do apetite voraz do tejus, das galinhas de capoeira, botar milho e águas pra elas; é ouvir os gritos das bacurins anunciando que estão com fome; é ver o quanto é impressionante a quantidade de avoetes abeberem água na barragem, vindos de outro continente; é ver e ouvir o vaqueiro aboiando o gado para o curral, tendo a frente a vaca Cambraia, badalando o seu chocalho, a liderar o rebanho; é balsamo para os olhos e o coração ver o lindo entardecer no Açude de Pilões, com os raios solares a refletirem em suas mansas águas; é bom ouvir o carro de som anunciando que o novenário dedicado a Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, padroeira da cidade, vão ser iniciadas e o melhor: o relógio, de quem sempre fui escravo, vive trancado na gaveta da escrivaninha.

Não tenho hora para dormir e acordar, mas gosto muito de madrugar e levantar ainda com pouca claridade do sol e aguar o jardim que com muito carinho e dedicação Antonieta vem fazendo e já recebeu muitos elogios pelo seu bom gosto.

Foi neste recanto que celebrei os meus 50 anos de casado, no último dia 10 de junho e os setenta e cinco anos de vida. Rogo a Deus que me permita continuar recebendo meus filhos e netos por aqui por muito tempo ainda, para que a nossa felicidade seja cada vez maior.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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