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José Antonio

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Saudades de Cajazeiras

24/09/2021 às 21h59 • atualizado em 24/09/2021 às 22h01

Coluna de José Antonio. (Foto: José Cavalcante).

Por José Antonio

Saudades de Cajazeiras!
Lembranças de suas antigas ruas,
da feira aos sábados e dos
vendedores de farinha na Rua Estreita,
quando mais estreita é a saudade
que aperta o coração.
De Bigodim lendo os versos
da chegada de Lampião no inferno
para uma platéia atenta e silenciosa,
no pingo do meio-dia nas feiras dos sábados.
Falem-me da bolacha peteca
quentinha da padaria de Zeca,
trajado em sua bem engomada roupa branca.
Da brilhantina cheirosa
da farmácia de César, o integralista.
Lembranças da ladeira do cemitério
com seus buracos e tombadilhos.
Das poucas sombras dos xiquexiques
e dos mandacarus da Praça do Espinho.
Saudades do ronco dos DC-4 da Varig
que sobrevoavam os céus da cidade
transportando os passageiros do sertão,
concorrendo com a Viação Andorinha de João Rodrigues.
Saudades do restaurante de Hosana
e suas deliciosas comidas.
Falem-me do bar de João Abreu
o preferido dos habitantes do Sítio Almas
que assombravam a todos com suas valentias
depois de encher o bucho de cachaça Pajeú.
Saudades do Cine Cruzeiro, de Eutrópio,
das suas matinês no domingo à tarde.
E no Cine Éden, com Zé de Barros na portaria,
a exibir os filmes de Tom Mix e Mazaropi
e a preocupação de Carlos Paulino
para ninguém fumar durante as projeções.
Falem-me do Atlético jogando contra o Sousa no Higino
que terminava sempre no pau e na delegacia.
Lembro das procissões de Nossa Senhora de Fátima todo dia 13,
da devoção do povo a debulhar as contas do seu rosário.
Falem-me das missões de Frei Damião
e das suas caminhadas às quatro horas da manhã
para purgar os pecadores e amancebados da cidade.
Que saudades das mulheres de sombrinha,
dos homens de paletó branco e chapéu de massa.
E o clube 1º de maio ao som do conjunto de Bembem,
que separado do Tênis clube apenas pela parede do Açude Grande
tinha como resposta os famosos bailes da Orquestra Manaira.
Digam a Timbu e a Tideca que estou pronto para recebe-los
para suas célebres serenatas.
Procuro ainda no silêncio da noite
ouvir o apito do trem da RVC cheio de passageiros e mercadorias.
Falem-me das peladas no campo do grupo Mons. João Milanês
onde a molecada era aplaudida na hora do gol.
Quanta solidão na Praça João Pessoa,
sem os velhos carnavais, sem os desfiles escolares,
sem o Tiro de Guerra, sem os comícios de Otacílio Jurema,
sem a cadeira de engraxate de Zé de Sousa,
sem o bar alvorada, sem a escola de samba de João de Manezim.
A praça perdeu a sua majestade, mas continua reinando em nossos corações e nas eternas lembranças.
Se um dia eu tiver que alcançar a felicidade
que seja num final de tarde
a contemplar
da parede do açude grande,
o mais belo por do sol do mundo.
Saudades de Cajazeiras, dos meus tempos de moleque.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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