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Dr. Oscar Sobral

Médico afirma que casos de AIDS cresce em Cajazeiras

Por

04/12/2009 às 17h23

O Dr. Oscar Sobral que é o médico que acompanha os casos de AIDS em Cajazeiras e região, prestou entrevista ao portal “Diário do Sertão”, onde esclarece as principais indagações referentes a esta doença. Ele comenta sobre os tipos de práticas sexuais em que há maior risco de se contrair HIV, sobre um gel que está à venda no mercado, a importância do preservativo nas relações, os principais sintomas da AIDS, o diagnóstico, dentre outros assuntos.

Dr. Oscar também lamenta o número de casos de AIDS que vem crescendo em Cajazeiras e toda a região do Alto Sertão paraibano, afirmando que no próximo sábado estará sendo realizado na Praça das Oiticicas, um programa social do governo do estado, “Praça da gente”, onde estarão sendo oferecidos testes de HIV gratuitos.

Diário do Sertão: Dr.Oscar, as pessoas estão afirmando que existe um gel que está à venda no mercado que previne contra a AIDS. O senhor confirma esta afirmação?

Dr.Oscar: Isso é muito subjetivo e na realidade o que a ciência garante é que só se previne a AIDS com o preservativo. O gel não previne esta doença, e não está preparado para garantir qualquer tipo de prevenção. Então vamos confiar somente no preservativo, até porque toda unidade de saúde de Cajazeiras distribui preservativo de graça a toda a população, a exemplo do 9º núcleo, secretaria municipal de saúde, e todos nós da área de saúde temos distribuído camisinhas frequentemente, como para o Batalhão de Polícia, as escolas, e sempre fazemos doações às pessoas que nos pedem, então não tem desculpa para não usar preservativo, pois é oferecido gratuitamente.

Diário do Sertão: Dr. Oscar, entre o sexo anal e vaginal, qual o tipo mais perigoso que pode aumentar o risco de se contrair HIV?

Dr. Oscar: Entre essas duas relações, sem dúvida a mais perigosa é a anal, primeiro pela provocação de que o sexo anal faz, por produzir mais fissuras, que são chamadas micro-fissuras, o que consequentemente pode provocar lesões na região anal, que não deixam de ser janelas abertas para a entrada do vírus HIV, nos dois sentidos, ou seja, tanto no passivo como no ativo.

Diário do Sertão: Com certeza neste momento pode haver algumas pessoas que tiveram relações sexuais nos últimos dias sem preservativo, e podem estar suspeitando que estejam contaminadas e estão com medo de fazer o exame, ficando assim traumatizadas. Qual a orientação que o senhor aconselha para essas pessoas que acham que estão com AIDS?

Dr. Oscar: O que eu aconselho na realidade é que essas pessoas procurem um médico mais próximo de casa, seja ele quem for, pois somente assim ele vai poder orientar e nessa possibilidade, ele pode até requerer um teste de HIV, que é gratuito. As pessoas que estiverem suspeitando de que pode estar contaminadas, podem se deslocar sábado para a Praça das Oiticicas, onde estará sendo realizado um programa social do governo do estado e da secretaria de saúde, e eu estarei coordenando uma equipe, e nós estaremos fazendo testes de AIDS, que será um teste rápido, e se der positivo ninguém vai ficar sabendo. Nós vamos encaminhar a pessoa para um laboratório para que ela faça os exames definitivos, e esta terá todo um acompanhamento, porque o grande segredo de quem teve relações sexuais de risco, o melhor é procurar nossa equipe e fazer o teste. Mesmo que o teste dê positivo, a pessoa não deve se desesperar, pois nós fornecemos um tratamento que pode oferecer um maior tempo e uma melhor qualidade de vida. Aqui em Cajazeiras já ocorreu casos de que nós tomamos conhecimento de que o paciente era HIV positivo, e essa pessoa vinha escondendo há muito tempo, e com 5 dias este paciente veio a falecer, porque passou toda a vida encobrindo a sua doença, e só nos procurou quando o mal já estava num estágio avançado, e nós fizemos o que foi possível, mas não teve solução. Então, se o paciente tem um diagnóstico no início da doença, suas chances de prolongar a sua vida aumentam. Já ocorreram outros casos de pacientes que nós chegamos a cuidar dele durante 20 anos, e ele só faleceu porque começou a desobedecer ao tratamento. Um conselho que eu dou aos pacientes que estão em tratamento, que usam coquetel, e que sabem que são soropositivos, é que se evitarem bebida alcoólica, stress, como por exemplo, emoções fortes, dormir tarde, fazer exercícios intensos e demorados, certamente fará com que a imunidade do paciente fique menor do que já está. Então o ideal é que os soropositivos protejam sua imunidade, para que o tratamento tenha maior eficácia no combate ao vírus. Então o melhor que a pessoa tem a fazer é não esconder que está com AIDS, pois mais cedo ou mais tarde os sintomas podem aparecer e o pior, o quadro poderá se agravar levando a pessoa à morte.

Diário do Sertão: Dr. Oscar, quais são os sintomas da AIDS?

Dr. Oscar: Infelizmente, o que nós temos visto nos pacientes é que os sintomas são muito parecidos com dezenas de outras doenças. Por exemplo, se pegarmos um paciente com AIDS e este estiver com febre, normalmente à tarde, pode-se confundir este sintoma com outras doenças, a exemplo da pneumonia, rubéola, hepatite, amigdalite, dentre outras. Outro sintoma é a perda de peso, como no caso do diabetes, câncer, etc. Outra manifestação da AIDS é a diarréia, como no caso da ameba, verminose e problemas intestinais dentre outras. Então os sintomas diários são tantos, e tão parecidos com outras doenças, que não adianta dizer que a AIDS apresenta sintomas específicos. Entretanto, se eu tenho um paciente que me diz que está apresentando febre contínua todas as tardes, perdendo peso, queda de cabelo, diarréia constante, apática, dentre outras, eu pergunto a este indivíduo se ele é casado, se andou tendo relações com outras pessoas, com quem, como e onde aconteceu a relação, que é pra gente investigar se essa relação que ele teve foi considerada uma relação de risco. Além do teste HIV, eu também peço ao paciente uma série de exames como, por exemplo, diabetes, e hemograma, pois o paciente pode estar com algum tipo de anemia. Então, é preciso que o médico que se proponha a descobrir e acompanhar um caso de AIDS, precise de uma certa bagagem clínica para saber separar o joio do trigo. Agora o médico que trabalha no PSF precisa estar muito atento aos pacientes da nossa região, porque esses casos são muitos, tanto pelo número de casos que estamos trabalhando, como por outros tipos de doenças sexualmente transmissíveis. Se o médico tem mais casos de pacientes com HPV, gonorréia, clamídia, herpes ou cancro mole, então significa que as pessoas não estão se prevenindo com o preservativo, como deveriam. Dessa forma as pessoas estão sujeitas a pegar não somente tais DST’s, como também a AIDS.

Diário do Sertão: Dr. Oscar, beijo na boca pega AIDS?

Dr.Oscar: Não, nós não temos na história da medicina nenhum caso, entretanto, se por acaso uma pessoa aidética estiver com algum ferimento oral, e a outra que esta mantiver relações estiver com a carga imunológica baixa, esta pode correr o risco de contrair HIV. Nos casos em que eu analisei as pessoas tanto beijaram na boca, como tiveram relações sexuais, então, não há como saber se essas pessoas pegaram AIDS pelo beijo, ou pelo ato sexual.

Diário do Sertão: Há probabilidade da pessoa contrair AIDS via sexo oral?

Dr.Oscar: Sim. Desde o momento em que o indivíduo tenha contato com fluidos e secreções corporais de outra pessoa, pois em qualquer circunstância há o risco de contaminação. O sexo oral é arriscado, pois a pessoa pode estar com algum ferimento oral, como por exemplo, uma cárie dentária, aftas, irritação oral, então, no momento em que há uma troca de substâncias, pode ocorrer o contágio. Pode haver também o risco de acontecer uma transmissão horizontal, ou seja, nós que somos profissionais da saúde, é importante que tenhamos bastante cuidado no manuseio com o paciente, para que não nos contaminemos. Há também a transmissão vertical que pode acontecer da mãe gestante que estiver com AIDS, para o feto.

Diário do Sertão: Houve uma entrevista em que o senhor relatou que está preocupado com o aumento dos casos de AIDS na cidade de Cajazeiras. Como está a situação do município com relação aos casos da doença?

Dr.Oscar: A minha preocupação é que entre o dia 20 de outubro até o dia 30 de novembro nós diagnosticamos 5 casos, e para se ter uma idéia, há lugares em que eu tive oportunidade de acompanhar, e que estou com 10 casos de AIDS, e isso sem contar as outras doenças sexualmente transmissíveis. Então é bastante preocupante tal aumento do número de casos da doença, e eu tenho feito isso em consonância com a secretaria municipal de saúde de Cajazeiras, onde eu procurei a secretária de saúde Raelza Borges, que tem me apoiado bastante no acompanhamento destes casos. Temos trabalhado nisto sistematicamente, e o nosso PSF é um dos poucos que tem promovido palestras sistemáticas noturnas, e fizemos duas palestras, uma para alertar sobre o câncer de próstata, sendo que no decorrer desta eu já inseri o caso da AIDS e das DST’s. No próximo dia 11, o programa de saúde da prefeitura será feito no bairro onde eu trabalho, (Zona Norte) e eu já combinei com a Drª Raelza que nós iremos promover um grande evento em prol da saúde, que será realizado em toda a Zona Norte de Cajazeiras. Eu irei traçar um cronograma a fim de fazer deste programa de saúde, um dos melhores promovidos pela prefeitura de Cajazeiras este ano e iremos levar a maior quantidade possível de médicos, especialistas, para que agente consiga promover o maior número possível de ações, porque um dos bairros que mais me preocupa é onde eu estou atuando, e como as pessoas sabem que eu trabalho neste local, e que eu sou especialista na área, elas vêm de outros bairros que são encaminhados pelos médicos e enfermeiras, e eu nunca deixo de atender a estas pessoas que procuram minha equipe, e eu sei da preocupação das pessoas que nos procuram e depositam, sua confiança na gente. A nossa responsabilidade é de atender a estas pessoas, cuidar, orientar, porque essa é a minha missão. No próximo sábado irá ocorrer um evento do governo do estado aqui em Cajazeiras, onde nós estaremos presentes para alertar, levar conhecimento, o teste rápido em que a pessoa poderá saber se está com AIDS, ou não. Vou tentar também, a nível regional me reunir com o Padre Francivaldo, para que agente possa convocar uma reunião com os diretores das escolas da 9ª Regional, para que nós possamos transmitir nossa preocupação, afim de que estes gestores escolares se transformem em agentes multiplicadores de conhecimentos nas escolas de toda a região, a fim de alertar os alunos no combate às doenças sexualmente transmissíveis, porque não é só Cajazeiras que me preocupa, pois para se ter uma idéia da gravidade do problema referente à AIDS, um paciente da cidade de São José de Piranhas veio a falecer, e eu tenho pacientes aidéticos em toda a região do Alto Sertão paraibano.

Diário do Sertão: O senhor que tem se dedicado tanto a este tema, há possibilidade de haver uma descoberta da cura da AIDS?

Dr.Oscar: Quem já estiver com o vírus, a salvação é o coquetel, para quem já está com os sintomas. As pessoas que não apresentarem sintomas ainda, e que só são soropositivos, devem tomar os devidos cuidados, e sempre que acontecer alguma coisa, nos procurar, e para os pacientes que tomam coquetel, é necessário que façam a carga viral, para saber a quantidade de vírus que há no seu corpo, como está o sistema imunológico, como organismo do paciente está reagindo ao tratamento. È importante também que os exames periódicos sejam realizados regularmente. Para as pessoas que ainda não estão contaminadas há uma esperança, pois duas vacinas estão sendo testadas, uma no instituto Pasteur, na França, e outra que está sendo coordenada por uma equipe dos Estados Unidos e do Canadá, entretanto, essa vacina irá demorar algum tempo para chegar ao Brasil. Não há medicamento específico para combater a AIDS, pois o que existe é uma forma de controle da doença, então um paciente que é HIV positivo e apresenta sintomas, ao tomar o coquetel poderá ter uma melhor expectativa e qualidade de vida, uma maior probabilidade de sobrevida, desde que o aidético tenha consciência de que ele é portador de uma doença grave, da responsabilidade de tomar o medicamento nas horas certas, porque a partir do momento que esse tratamento falha, o vírus irá se replicar, podendo retornar de uma forma mais violenta, o que fará com que o paciente corra o risco de morte, então na há outra opção, que não seja o coquetel.

RAQUEL ALEXANDRE
Da redação do Diário do Sertão

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