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Dirigente do Bota-PB planejava “passar a mão” na renda de jogo com o Atlético-MG

Em conversa com o empresário Alex Fabiano, de Alagoas, o vice de futebol do clube paraibano revelou que ia adulterar o boletim financeiro do jogo contra o Galo, pela 2ª da fase da Copa do Brasil

Por Globo Esporte PB

24/05/2018 às 10h52

Cisco Nobre / GloboEsporte.com

O vice-presidente de futebol do Botafogo-PB, Breno Morais, está mais uma vez envolvido em um episódio que está na mira da Polícia Civil e do Ministério Público na operação policial que investiga atos de corrupção no futebol paraibano. Agora, a questão não tem mais a ver com a arbitragem ou apenas com suspeitas de ilicitudes no campeonato estadual. Em mais uma interceptação telefônica a que a redação teve acesso, o dirigente diz que pretende cometer uma fraude em um jogo de âmbito nacional. O vice de futebol do clube paraibano revela que pretende “passar a mão” na renda do confronto entre o Belo e o Atlético-MG, pela segunda fase da Copa do Brasil. A suspeita da polícia é de que o boletim financeiro da partida tenha sido adulterado para registrar valores que não foram os reais.

O diálogo em que Breno afirma seu intuito de maquiar o borderô é com o empresário de jogadores Alex Fabiano, que é alagoano e tem trânsito em diversos clubes do Nordeste. Na conversa, Breno Morais fala com o colega como deve adulterar o boletim financeiro do jogo, que aconteceu no dia 21 de fevereiro no Estádio Almeidão. Alex então diz que na partida entre CSA e São Paulo, pela mesma fase da competição, que foi realizado no dia 15 de fevereiro, a diretoria do Azulão havia supostamente adulterado o borderô do duelo.

Na Copa do Brasil, nas duas primeiras fases, que têm jogo único, a renda é obrigatoriamente dividida entre os dois clubes que disputam uma vaga na fase seguinte do torneio nacional. Segundo o regulamento do campeonato, a equipe eliminada fica com 40% da renda líquida do jogo, enquanto que o time que segue na competição arrecada 60%.

A adulteração no boletim financeiro, divulgando um número inferior ao real de venda de ingressos, portanto, faz com que os valores repassados à federação do filiado que manda o jogo e ao clube visitante acabe sendo menor do que o que deveria ser. No diálogo, o dirigente do Botafogo-PB explica que vai omitir no borderô a quantidade das entradas vendidas antecipadamente para a partida.

Breno Morais: Na chegada dele (goleiro Saulo)… na véspera do jogo contra o Atlético-MG, a gente vendeu 5 mil ingressos… dos cinco mil, deve ter uns mil sócios, então vendeu 4 mil ingressos já… eu acho que vai vender uns 10 mil ingressos… 9 pra 10 mil, vendido mesmo sabe… só que a gente tem que passar a mão na renda, né, que essa renda é 50/50 ou 60/40…

Alex Fabiano: Aqui pra nós… nosso CSA aqui… a renda deu… fora o sócio-torcedor… 600 mil… fora o sócio… divulgou 400… o São Paulo levou 60 por cento… ficou foi feliz o São Paulo… vai jogar por aí com time pequeno, pega 20 mil, 30 mil… São Paulo pegou cento e poucos mil… uma alegria da p…

Breno Morais: Aqui eu também vou… amanhã de manhã eu vou providenciar isso… eu digo, olhe meu filho… essa venda antecipada aqui… não tem para ninguém, não… não foi foi nada… vou tirar pelo menos uns dois mil a três mil ingressos… eu vou tirar.

Alex Fabiano: É, pô… não, Breno… clube grande não reclama isso, não… não quer saber disso, não… eles querem é passar…

Breno Morais: É… eu vou tirar aqui… vou tirar aqui… vou tirar.

No jogo entre Botafogo-PB e Atlético-MG, melhor para o time mineiro, que goleou a equipe paraibana por 4 a 0 e ficou com a vaga na terceira fase da Copa do Brasil. Com a vitória, o Galo também teve direito a 60% da renda líquida.

No site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), consta o borderô do jogo; e o público pagante da partida, segundo o boletim financeiro oficial, foi de 11.740 torcedores. A renda bruta foi de R$ 238.064,00. Após diversos descontos demonstrados no documento, a renda líquida ficou em R$ 160.221,39 e o Atlético-MG levou para os seus cofres R$ 96.132,83.

De acordo com o Estatuto do Torcedor, lei federal que dispõe sobre os direitos do torcedor e os crimes que são cometidos no tocante à prática esportiva, em seu artigo 41-G, quem “Fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete” pode pegar uma pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa. Caso a pessoa que tenha cometido o delito seja dirigente de clube, a pena é agravada em um terço. A obrigatoriedade da divulgação das informações financeiras de cada jogo também é tratada no Estatuto do Torcedor, e a responsabilidade disso é do organizador do evento.

Os investigados do Botafogo-PB pela Operação Cartola decidiram que não vão falar sobre o caso. A reportagem tentou entrar em contato com o empresário alagoano Alex Fabiano, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O CSA – que, segundo Alex, teria adulterado o borderô da partida contra o São Paulo, também pela Copa do Brasil – lançou uma nota oficial em seu site sobre o assunto e disse que o clube tem “um sistema eficiente de venda de ingressos que impede qualquer pessoa, ligada ao clube ou não, de fraudar qualquer tipo de relatório financeiro”.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/pb/futebol/copa-do-brasil/noticia/dirigente-do-bota-pb-falou-em-passar-a-mao-na-renda-de-jogo-com-o-atletico-mg.ghtml

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