Justiça seletiva?

Por Alexandre Costa – A bancarrota do Banco Master, anunciada pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad como a maior fraude bancária da história do País, não se trata apenas de mais uma simples quebra de uma instituição financeira, mas de um intricado e sofisticado esquema criminoso que envolve o sistema financeiro atrelado ao envolvimento direto de autoridades do mundo da política e judiciário brasileiro, que mergulhou o país numa profunda crise ética e moral enlameando os poderes da república.
Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master vinha apresentando graves problemas de liquidez desde 2022. No ano passado, Vorcaro, ao tentar a sua venda de 58% do seu capital a um banco estatal, o BRB (Banco de Brasília), por R$ 2 bilhões, teve aberta a sua caixa-preta, que revelou um festival de falcatruas. Na época, o BRB anunciou também a compra de R$ 12 bilhões em ativos financeiros fraudulentos do Master, que caracterizava manipulação contábil, emissão de Certificado de Depósito Bancário (CDB) sem lastro, gravíssimas irregularidades que redundaram na intervenção do Banco Central, que decretou a sua liquidação extrajudicial.
Estas estripulias do escroque Vorcaro atingiram mais de 1,6 milhão de clientes do Master, com uma estimativa de ter produzido um rombo de mais de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma instituição privada composta por bancos, inclusive públicos, que garante o pagamento do reembolso em caso de quebra de algum banco do sistema financeiro.
Analistas do mercado financeiro avaliam que a crise do Master produziu perdas em fundos de pensão, pressionou a taxa Selic e encareceu o custo do crédito, abalando a confiança em bancos de pequeno e médio porte.
LEIA TAMBÉM:
Evidente que o escândalo do Master impressiona pela magnitude do rombo financeiro nas suas operações, mas o que chocou o país foi o direto envolvimento de dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) neste lamaçal de falcatruas que abalou a credibilidade da nossa Corte maior.
A Caixa de Pandora foi aberta quando jornalistas do Jornal O Globo e do site de notícias Metrópoles fizeram, em matérias assinadas, graves denúncias em que um destes ministros é acusado de ter o escritório de advocacia da sua esposa um nebuloso contrato de R$129 milhões com o banco Master [fato não explicado até hoje], além de frequentar em Brasília a furtiva área privativa da mansão do presidente deste mesmo banco de onde, supostamente, teria disparado vários telefonemas para o presidente do Banco Central (BC) com pedidos de suspensão da liquidação do banco do Vorcaro.
Já o outro ministro, flagrado com familiares envolvidos em operações escabrosas na composição societária de um resort no Paraná controlado por laranjas do Master, tomou para si todas as investigações do Banco do Vorcaro, transformando o caso em total sigilo de Estado.
Este caso emblemático destes dois ministros do Supremo, onde membros do judiciário que usam a própria justiça para se protegerem de suas práticas ilícitas, deflagrou uma onda de indignação por todo o país.
Uma aberração jurídica sem tamanho que levou o cidadão brasileiro a se perguntar: estamos inaugurando a era da justiça seletiva, onde um magistrado aplica o rigor da lei para os outros e para si e os seus ele a relativiza?
Óbvio que sim. Estamos diante de um verdadeiro insulto a um país que se diz republicano.
Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.
Leia mais notícias no www.diariodosertao.com.br/colunistas, siga nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e veja nossos vídeos no Play Diário. Envie informações à Redação pelo WhatsApp (83) 99157-2802.

Deixe seu comentário