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Saulo Péricles

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A terra das excelências e as sucessões nem tanto

27/01/2026 às 18h55

Cidade de Cajazeiras.

Por Saulo Pericles Brocos Pires Ferreira – Meus pacientes heróis, que têm a ousadia de ler essas besteiras.

Nossa cidade, apesar de ser a mais distante da Capital, é na realidade, um polo regional. Com a fundação do famoso Colégio, vieram para cá todas as pessoas ávidas por saber da região. De Olho d’água dos Bredos, Pernambuco, veio Joaquim Arcoverde, que posteriormente veio a ser o famoso Cardeal Arcoverde, o primeiro das Américas. Do Crato, vieram José Marrocos, como professor e o futuramente célebre Padre Cícero Romão Batista, que fundou Juazeiro do Norte, a Meca do Nordeste, vieram muitos outros, até de João Pessoa, veio Irineu Joffily. Dos meados para o final do Século XIX, era para cá que vinham os letrados e os que queriam seus filhos preparados para a faculdade, ou o Seminário. o meu bisavô, Hygino Sobreira Rolim, (sobrinho neto do Patriarca), foi formado e recebeu a carta de boticário do Imperador, por causa de seus estudos devidamente comprovados pelo Padre Mestre.

Cursar Medicina, só na Bahia, longe e caro, mas em torno desse colégio, e depois dele, apesar de várias crises: secas, uma epidemia de cólera, em que o Pader transferiu seu colégio para a região dos Inhamuns, mas, mesmo com todas essas situações adversas, nossa cidade se desenvolveu por causa de conseguirmos formar grandes e bem preparados filhos, que as outras cidades não conseguiam rivalizar. Com a elevação da nossa cidade a sede de Diocese, conforme a nova política do Papa Pio X, nossa cidade, de centro comercial secundário, se transformou num centro de ensino em todas as áreas: continuamos a ser o lugar onde todos queriam mandar seus filhos para terem uma educação adequada: os Crispim Coelho e as Vitória Bezerra foram se multiplicando e com o advento do Colégio Salesiano, que hoje conhecemos como Colégio Padre Rolim, de ensino médio e faculdade Católica, essa formação se consolidou, Ponto.

Então veio a “Escola de Comércio”, hoje conhecida como Comercial, que vinham alunos de toda a região para aprender as artes do comércio, e muitos grandes comerciantes e contadores foram formados, tudo isso resultou em uma sociedade diferenciada, acima da média das cidades vizinhas. E os melhores iam para as melhores faculdades e de lá voltavam com seus diplomas. Também os letrados que vinham por aqui, apreciavam o ambiente e se casavam com as filhas alfabetizadas dos nativos e aqui formavam suas famílias. Então a cidade viveu desde os anos trinta até os anos 70, uma era de ouro, em que decisões tomadas aqui, tinham enorme repercussão, pois eram as mais acertadas, em que nossos políticos ou concidadãos tinham realmente representatividade, eram ouvidos.

Para contradizer uma opinião de um líder de Cajazeiras, entre outros cito Cristiano Cartaxo e Hidelbrando Assis, o oponente teria que ter bagagem  e embasamento  cultural. Se levantava uma torre de 52 metros no final da década de 30, a da Catedral está aí para provar.

Então essa geração teve seus descendentes e ficou muito grande para que nossa cidade absorvesse tantos valores. Os melhores foram desempenhar seus papéis de destaque em centros mais adiantados, o nosso limitado comércio não conseguia absorver e os João Claudino, Geraldo Matos de Sá, foram desenvolver seu potencial em outras paragens, onde não haviam esses fenômenos adversos para atrapalhar seu crescimento. Rio, São Paulo, Recife, Fortaleza, Terezina e São Luiz, se mostravam mais favorável do que nossa pequena Cajazeiras.

Ficaram os menos capacitados e os lugares dos que saíram foram ocupados por outros com menos capacidade, e medo de concorrência. O exemplo de Dr. Epitácio Leite Rolim é emblemático. Trouxe a política pessoal e de fisiologismo, com base na troca de favores por votos, da pequena Cacheira dos Índios para a Grande (comparativamente) Cajazeiras. Como não era necessários discursos que arrebatassem multidões, nem grandes manifestações de apoio, como um Bosco Barreto, Dr. Epitácio foi prefeito três vezes, sem o advento de reeleição. Coisa inacreditável para qualquer político, mas nunca foi além de Deputado Estadual, e sua rápida passagem pela Secretaria de Saúde não rendeu frutos para nossa cidade e região, mas “preparou” eleitores para futuros candidatos fisiológicos, deixando nossa cidade à mercê de um ”ultimo favor” em troca de votos, que é extremamente prejudicial para a nossa política paroquial e regional, pois os candidatos sabem disso, e os altruístas se recusam e entrar no lodaçal, e os de fora só aparecem nos tempos das eleições para praticar o fisiologismo.

Assim, nossa cidade fica cada vez sem prestigio.

Nossas demandas nem são consideradas. Quando se tem de diminuir a máquina estatal, se pensa logo em tirar alguma conquista de cajazeiras, e pouco podemos fazer, pois as novas gerações não estão sendo politizadas, nossos possíveis comandantes, ficam apenas se ocupando com diversões fúteis: quem tem o carro melhor, fez a viagem mais cara, se hospedou no hotel mais caro, foi ver o jogo mais longe e coisas do tipo… as demandas da cidade e a consciência política nem chega a ser discutida, é assim: “traga o uísque” (com “U” mesmo, coisa de ignorante. Melhor do que da outra mesa, leve o carro e traga a caminhonete. Futilidades de novo rico, ou de enganador, com prestações atrasadas, nada de sério se conversa nessas mesas.

O aeroporto Regional já foi para Patos. Pedido de Hugo Mota. Depois das eleições, a Paraíba vai acabar em Santa Gertrudes, enquanto nossos novos “filhinhos de papai” se divertem com bobagens. Se estivessem discutindo como trazer a sede da Zona Franca do Semiárido para cá, ou fazer um ramal da ferrovia Transnordestina passando por Sousa e Cajazeiras, em direção a Mossoró, seria mais proveitos a conversa…

Cedo ou tarde, cedo. Daqui a pouco, vão ver as consequências.

Isso vai da mais alta classe, até o nível mais baixo de nossa sociedade. Um dia a festa acaba!!!

Cajazeiras, 25 de janeiro de 2026.


Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.

Saulo Péricles

Saulo Péricles

Saulo Pericles Brocos Pires Ferreira (Pepe): Engenheiro Mecânico, especializado em engenharia de segurança do trabalho, Advogado, Perito em segurança do Trabalho e Assessoria Jurídica, membro fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras.

Contato: [email protected]

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Saulo Pericles Brocos Pires Ferreira (Pepe): Engenheiro Mecânico, especializado em engenharia de segurança do trabalho, Advogado, Perito em segurança do Trabalho e Assessoria Jurídica, membro fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras.

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