O Brasil ficto e o Brasil real

Por Saulo Pericles Brocos Pires Ferreira – Meus caros leitores, se é que ainda têm mau gosto de ler o que escrevo. Espero que tenham comemorado o Natal da melhor forma possível, e que o ano que se iniciou com a invasão da Venezuela para sequestrar seu Presidente, e a ameaça da invasão da Groelândia, pelo suposto novo Império Romano (em plena decadência), seja muito proveitoso para todos nós, sempre tentei me concentrar nos fatos mais localizados em nossa região, a mais esquecida, de várias formas, até por nós mesmo, e eu me incluo nessa lista. Não conseguimos dar o melhor de nossas capacidades para proveito de nossa cidade e região. Definimos os rumos de nossa política nas últimas eleições e continuamos esquecidos. Parte desse esquecimento vem do fato de que nós ainda dependemos de nossos governantes e de nossos representantes, mas tanto o governo, quanto nossos representantes depois de acionarem os canais que por meio de intermediários os elevam aos cargos em que em tese deveriam trabalhar para nós, se acham como que ungidos por alguma entidade sobrenatural e ficam a obedecer a pessoas que não tem interesses para beneficiar o povo a quem deveriam “em tese” serem beneficiados. Alguns se vendem como a mais vulgar prostituta das ruas mais obscuras de nossas cidades.
Não venham com historinhas de que existe algum altruísmo em fazer pequenas concessões ao povo: na obscuridade, eles, e estou falando de todos os poderes, fazem enormes concessões aos poderosos, que um autor chamou de “a elite do atraso”. Recentemente, a Polícia Federal, levantou o caso do “Banco Master”, que como um polvo, tinha estendido seus tentáculos sobre todas as altas esferas de nossos poderes. O governo havia, desde o caso absurdo do Banco Nacional e Econômico, ainda nos tempos do governo Fernando Henrique, o FGC – Fundo garantidor de crédito, para amparar os pequenos credores, que vai até o valor de R$ 250.000,00 por CPF/CNPJ. Houveram políticos que queriam aumentar esse fundo para níveis estratosféricos, pouco antes de o banco ter sofrido intervenção.
Agora o que tem isso a ver com nosso cotidiano? Tudo. Uma fintech chamada se “Seu Will”, que vive me oferecendo crédito por meio de meu e-mail todos os dias, pertence ao Banco Master; somente para dar um pequeno exemplo. Se todos os bancos forem investigados, muitos podem ser achados vários exemplos de irregularidades. Esses braços desse polvo se estendem muito além do que foi descoberto, e vão alcançar, se não já forem devidamente encobertos por panos quentes, todo o intrincado sistema que mantém no poder as elites e dinastias políticas que nos governam na realidade. Para esses “ungidos” o Estado existe, e para os que os ungiram, sobram migalhas e/ou enganações.
Uma sandália é assunto para um debate acalorado, mas o que isso poderia influenciar minimamente os destinos do país? Enquanto isso, faltam recursos para que se toquem obras fundamentais, pontes que deveriam ter suas inspeções realizadas, esperam até desabarem. Um estado fica isolado do resto do país por falta de uma ponte, que os 0,7% do orçamento do DNIT, não é suficiente para construí-la. Enquanto se discutem futilidades. Um filme com participação de vários atores nordestinos e paraibanos (Buda Lira estudou na minha classe no colégio Estadual de Cajazeiras), é reconhecido no exterior a ponto de ganhar o “globo de ouro”, em duas categorias; fazendo uma reconstituição do Recife dos anos 70, que impressiona inclusive e especialmente para mim que morava lá no período em que o filme retrata as cenas desses anos, mas aqui é tratado de regionalista e de comunista. Naqueles tempos, quando a polícia vinha lhe abordar, o medo era de você ser preso, não de estar protegido…
Do outro lado, as igrejas, ou pelo menos parte delas, se faz propaganda eleitoral ao invés de se pregar a Palavra de Deus. Cinicamente transformam fiéis para a Vida Eterna em eleitores para formar bancadas que “em teoria“ iriam combater o ateísmo do estado laico. Quem não compactua com suas diretrizes não são filhos de Deus a serem convertidos, mas inimigos da fé a serem “neutralizados”, um eufemismo para eliminados, tal qual como um homem de bigode esquisito fez há 80 anos, com ajuda desses mesmos fiéis.
Pedem que doem suas Economias, em troca de uma suposta prosperidade que certamente não cairá do céu. Nada mais anticristão. Para cobrar o dízimo, citam Malaquias, um profeta do Velho Testamento, e esquecem que Jesus Cristo foi crucificado para nos libertar desse dever, e ainda defendem candidatos para aumentar sua bancada, esquecendo que o Brasil é um estado laico. Se não votarem estarão votando nos candidatos do demônio,
Esse é o Brasil ficto: enquanto nos fazem acreditar em inimigos imaginários, nos fazem esquecer que o inimigo real está na frente de nós, ganhando nosso dinheiro e rindo de nossa cara, enquanto o que realmente importa: os ganhos imorais dos super ricos, as emendas para elegerem as dinastias que compram suas eleições e depois nos ignoram, vivem o paraíso na terra.
Passa da hora do povo acordar, mas aí vem mais uma dose de anestésico…
Desejo para meus leitores que permanecem no Brasil real, e não nas historinhas que são divulgadas pelos algoritmos que potencializam mentiras de uma forma quase inacreditável. Saúde, Paz, Bem, Sucesso e conquistas. Olho na hora de votar!
Cajazeiras, 15 de janeiro de 2026.
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