VÍDEO: Cajazeiras e o risco de se tornar a cidade do “já teve”, alerta advogado
“Já teve fórum forte, já teve juiz, já teve coordenação regional, já teve oportunidades federais, já teve influência. Ainda há tempo de reagir, mas não há tempo infinito”, ponderou o jurista
Na Coluna Direto ao Ponto desta semana, o advogado e colunista Renato Abrantes fez uma análise crítica e preocupada sobre o momento vivido por Cajazeiras, alertando para o risco de a cidade perder protagonismo regional e caminhar para se tornar a chamada “cidade do já teve”.
Ao comentar a construção do novo Fórum pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Renato reconheceu que o investimento na estrutura física “evidentemente sinaliza fortalecimento institucional”. No entanto, chamou atenção para o que classificou como uma contradição: ao mesmo tempo em que ergue um novo prédio, o Judiciário promove uma reestruturação que reduz competências da comarca e transfere demandas sensíveis para Campina Grande.
Vara de Sucessões – Como exemplo, o colunista citou a Vara de Sucessões, que passará a atender a população a mais de 300 quilômetros de distância. Para ele, essa mudança representa “mais gastos, mais dificuldades e mais demora”.
Renato destacou que, em uma região onde parte significativa da população ainda enfrenta obstáculos para emitir documentos básicos, a distância da Justiça agrava ainda mais o problema. “Imagine o que é ter uma vara de sucessões funcionando a 300 quilômetros daqui”, pontuou.
Falta de juízes – Outro ponto levantado foi a constante falta de juízes titulares. Renato lembrou que, a cada concurso, a cidade aguarda a chegada dos magistrados, que tomam posse, começam a se ambientar e, pouco tempo depois, acabam sendo removidos. Segundo ele, esse cenário compromete a continuidade dos serviços, desestimula o investimento humano e afeta a percepção da sociedade sobre a eficiência da máquina pública. “Justiça não funciona só com prédio. Precisa de gente, de permanência e de planejamento”, avaliou.
No âmbito federal (IF Sertão) – O colunista também relacionou esse esvaziamento institucional a entraves no desenvolvimento regional. Ao abordar a expansão dos Institutos Federais, Renato citou o fato de a reitoria do IF Sertão ter sido instalada em Patos, e não em Cajazeiras. Na sua análise, a reitoria é “o cérebro da instituição”, local onde se definem políticas, investimentos, prioridades, programas e articulações. “É ali que se captam recursos, se firmam convênios e se desenham projetos estruturantes. Quem tem a reitoria, tem o comando — e Cajazeiras não terá”, destacou.
Diante desse conjunto de situações, Renato Abrantes afirmou que surge uma pergunta inevitável: “O que é que está acontecendo com Cajazeiras?”. Para ele, uma cidade que se orgulha do título de ter “ensinado a Paraíba a ler” hoje vê suas competências sendo reduzidas e seu protagonismo regional colocado em xeque.
Na parte final da análise, o colunista foi enfático ao afirmar que cidades que não se articulam, não defendem seus interesses e não se posicionam politicamente, tendem a perder espaço. Segundo ele, “a omissão custa caro — e custa silenciosamente”. Renato defendeu que Cajazeiras precisa reencontrar sua capacidade de reivindicar, recuperar sua presença política, técnica e institucional, sair da inércia e voltar a propor.
“A cidade que ensinou a Paraíba a ler não pode aceitar resignadamente se tornar a cidade do ‘já teve’”, alertou o advogado.
“Já teve fórum forte, já teve juiz, já teve coordenação regional, já teve oportunidades federais, já teve influência. Ainda há tempo de reagir, mas não há tempo infinito”, concluiu.
DIÁRIO DO SERTÃO
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