Disputa pelo controle do poder na Paraíba já tem desenho formado

Por Josival Pereira – A disputa pelo controle do poder político na Paraíba vai se desenhando. As principais linhas, na verdade, já foram traçadas em 2025 e agora as principais forças politicas e pre-candidatos tratam de dar cores e imagens aos seus projetos.
Pode a Paraiba mudar muito com o resultado das urnas?
Essa talvez devesse ser a questão central do debate da base social do Estado, especialmente dos segmentos mais organizados e que assumem mais responsabilidades nas iniciativas pública e privada. Votar sem o conhecimento pleno das propostas e compromissos dos candidatos é quase sempre uma aposta no escuro.
Antes de discutir o futuro, não existe, na Paraíba, como não demorar um pouco na apreciação do presente e do passado recente. O debate não pode desconhecer que, provavelmente, a política e a gestão pública na Paraíba estejam encerrando um ciclo de mudanças positivas.
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O ciclo é o iniciado com a eleição do governador Ricardo Coutinho em 2010 e que poderá se fechar com a fim do mandato do governador João Azevedo.
Em que pese o rompimento entre os dois em 2019, no primeiro ano da gestão João Azevedo, o fio condutor das duas gestões tem praticamente a mesma matriz, que são a austeridade fiscal no trato das finanças e a adoção de programas com fundamentos em princípios de centro esquerda e foco no social.
Em ambos as gestões, a Paraíba ganhou grandes obras de infraestrutura e melhorou na saúde, ostentando bons indicadores de desenvolvimento.
Talvez por já ter encontrado um Estado razoavelmente saneado, o governador João Azevedo conseguiu ver a Paraíba, em sua gestão, alçando índices mais alentados de desenvolvimento econômico, com PIB (Produto Interno Bruto) acima da média nacional e superior aos demais Estados do Nordeste e ao executar projetos de grande porte como a Ponte do Futuro, duas adutores que, juntas, somam mais de 700 km e a compra de computadores quânticos, que apontam a opção da alta tecnologia.
Não há como negar uma substancial mudança positiva na Paraíba nos últimos 15 anos. Mas, pergunta-se: as mudanças servirão de base para definição do eleitor nas eleições deste ano?
Numa possível pesquisa qualitativa, provavelmente, os eleitores indicariam a opção pela manutenção do ciclo positivo, mas será difícil imaginar como o eleitor fará a leitura das propostas dos três principais candidatos.
O vice-governador Lucas Ribeiro, já no exercício de governador, defenderá inteiramente a proposta de continuidade, vinculando-se às forças que conduzem o governo nas últimas gestões. Terá o desafio de provar que reúne condições para assegurar a continuidade do modelo João Azevedo de governar e manter o Estado em equilíbrio.
O prefeito Cícero Lucena emite sinais que não contestará os resultados da gestão João Azevedo, defendendo o slogan “fazer mais”. Ou seja, parece pretender reconhecer, ainda que implicitamente, os resultados da atual gestão, mas apontando com a possibilidade de superar, ancorado em sua experiência política. O desafio será provar que pode avançar, mesmo se aliando aos esquemas políticos mais antigos da Paraíba, pre-Ricardo Coutinho e João Azevedo.
O senador Efraim Morais aponta para a perspectiva de alteração de curso, defendendo propostas mais vinculadas à direita e às forças produtivas (empresários) e talvez com menos compromissos com programas sociais.
São esses, em suma, o quadro da realidade política-administrativa nos últimos anos e os desenhos iniciais das forças e nomes que se propõem a conduzir o governo e o Estado a partir de 2027.
O bom seria que a Paraíba não perdesse o prumo.
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