Falta de visão, dispersão e letargia

Por Josival Pereira – O episódio do projeto de lei do governo federal criando o Instituto Federal do Sertão com reitoria em Patos não é apenas um tapa na cara de Cajazeiras, que tem a unidade mais estruturada da rede de todo o interior do Estado e, por isso, merecia sediar a nova instituição de ensino federal.
Revela, sobretudo, que Cajazeiras não está sabendo jogar o jogo ou não tem time para disputar o jogo.
Mas que jogo? O jogo da política, porque a decisão do presidente Lula escancara que as cartas políticas são sobejamente mais importantes do que os critérios técnicos.
Além disso, estabelece de vez que Patos é efetivamente o centro regional dos serviços públicos estaduais e federais, concentrando poder e adiantando-se em seu processo de desenvolvimento, deixando os municípios de Sousa e Cajazeiras para trás.
Basta una pequena amostra pra comprovar essa constatação. Assim, por cima, nos últimos anos, Patos ganhou o hospital do câncer, a sede do programa de
serviços cardiológicos (Hospital do Coração), o hospital de traumas e um centro de convenções, estes últimos em construção, sem falar no aeroporto regional, que pode ser inaugurado ainda em janeiro, com a possível presença do presidente Lula.
Técnicos governamentais vão alegar que a escolha de Patos como centro de órgãos e serviços públicos essenciais obedece a lógica da geolocalização, o que é verdade, mas esse não pode ser tomado como um critério absoluto de promoção de desenvolvimento por, geralmente, produzir concentração de poder e riqueza e, consequentemente, injustiça social. O governo, todos ou qualquer deles, tem a obrigação de distribuir suas ações de forma a produzir e promover a igualdade, não a desigualdade. Não é o que está acontecendo no interior do Estado da Paraíba, uma em vez que está se cristalizando o velho modelo de concentração de poder e riqueza, como se ocorreu em Campina Grande e João Pessoa ao longo da história.
Diante do novo fato consumado, o que resta a Cajazeiras? Reagir. Como? De forma organizada, através de suas lideranças politicas e da sociedade civil organizada. Lamente-se, porém, que especialmente as lideranças políticas não parecem ter o alcance do que é um verdadeiro projeto de desenvolvimento, emprestando a maior parte de seu tempo ao trato da miudeza política, configurada nas barganhas por empregos públicos e modestas obras de serviços.
Talvez Cajazeiras, unida, precise concentrar esforços para não deixar escapar a Universidade Federal do Sertão; lutar para transformar o Hospital Universitário numa grande unidade de saúde (forma de compensar o desequilíbrio da concentração dos serviços especiais de saúde em Patos) e se desdobrar para transformar a cidade em grandioso polo de tecnologia e inovação, inclusive com centro de ensino superior na área. Certamente, existem outros planos e ideias. Precisam virar bandeira de luta. O importante é que a cidade se organize urgente para vencer a falta de visão, dispersão e a letargia que a dominam.
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