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Francisco Cartaxo

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Intervenção militar na Venezuela

09/01/2026 às 20h55

Coluna de Francisco Frassales Cartaxo

Por Francisco Frassales Cartaxo – Após a América Latina sair da dependência colonial, cientistas sociais constataram que, até o meado do século XX, só havia três países com razoável estabilidade política e social: México, Chile e Uruguai. Mesmo assim, depois de passarem por fortes convulsões nacionais e guerras contra vizinhos. Nas outras nações, mais do que naquelas três, a história registra inúmeros conflitos, violência, golpes de Estado, muitas vezes, nascidos de interesses de fora.

Agora presenciamos uma intervenção explícita.

Na história de luta armada entre oligarquias, de mudanças traumáticas a instabilidade na Venezuela não é exceção. Juan Vicente Gómez (1857-1935), por exemplo, era vice-presidente do ditador Cipriano Castro (1858-1924). Aproveitou-se de uma viagem de Castro à Europa para tomar o poder em 1908. E só o deixou em 1935, quando morreu! Governou 27 anos diretamente ou por meio de prepostos. Mas por que lá atrás Gómez deu o golpe? A motivação maior foi a exploração do petróleo, que interessava a seus amigos dos Estados Unidos, onde a Ford já se firmara como inovadora na fabricação de veículos!

A Venezuela seguiu em atalhos golpistas, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, quando sopravam ventos democráticos no mundo ocidental. Até um dos paladinos da democracia na Venezuela, o jornalista, escritor Rômulo Betancourt (1908-1981), um dos fundadores do partido Ação Democrática, rendeu-se à tentação, aliando-se a militares para derrubar Medina Angarita, em 1945, e assumir o governo provisório, que organizou a primeira eleição direta e secreta na Venezuela em 1947. Rómulo Gallegos foi eleito presidente, tomou posse no início de 1948, mas em 24 de novembro foi deposto por um golpe civil-militar. Sabe quem estava por trás do golpe? Os Estados Unidos!

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Quem era Rómulo Gallegos?

Dom Rómulo Gallegos (1884-1969) foi um político respeitável. Professor, intelectual com visão histórica do mundo, ele formou uma geração de políticos, não apenas pela influência exercida em sala de aula, mas pela lucidez com que enxergava o mundo, expressa em ensaios e escritos ficcionais. Junte-se a isso sua experiência administrativa e política, como ministro da educação, deputado, conselheiro. Ao lado de muitos de seus ex-alunos, integrou a Ação Democrática, partido inovador no cenário venezuelano, sendo candidato a presidente da República, em 1941, em pleito indireto, apenas para marcar posição. Exilou-se várias vezes por questões políticas. O romance “Dona Bárbara” é o mais conhecido de muitos livros de ficção e ensaios políticos e literários que publicou.

O que sucede hoje na Venezuela, apesar da coerência histórica, escancara uma diferença essencial: não é golpe, é intervenção direta.  Para isso, militares dos Estados Unidos usaram sua tecnologia militar, bombardearam alvos estratégicos, neutralizaram a defesa, sequestraram do leito o presidente Maduro e sua esposa. Foi perfeito! O presidente Trump foi transparente desde a primeira fala. E tem confirmado tudo com discursos, gestos e ações. O petróleo venezuelano é dele, eleições, só quando ele quiser… e por aí vai, em meio a ameaças ao mundo inteiro.

Sócio da Academia Cajazeirense de Artes e Letras


Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Francisco Sales Cartaxo Rolim (Frassales). Cajazeirense. Cronista. Escritor.
Trabalhou na Sudene e no BNB. Foi secretário do Planejamento da Paraíba,
secretário-adjunto da Fazenda de Pernambuco. Primeiro presidente da
Academia Cajazeirense de Artes e Letras. Membro efetivo do Instituto
Histórico e Geográfico Paraibano. Autor dos livros: Política nos Currais; Do
bico de pena à urna eletrônica; Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras
no cerco ao padre Cícero; Morticínio eleitoral em Cajazeiras e outros
escritos.

Contato: [email protected]

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Francisco Sales Cartaxo Rolim (Frassales). Cajazeirense. Cronista. Escritor.
Trabalhou na Sudene e no BNB. Foi secretário do Planejamento da Paraíba,
secretário-adjunto da Fazenda de Pernambuco. Primeiro presidente da
Academia Cajazeirense de Artes e Letras. Membro efetivo do Instituto
Histórico e Geográfico Paraibano. Autor dos livros: Política nos Currais; Do
bico de pena à urna eletrônica; Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras
no cerco ao padre Cícero; Morticínio eleitoral em Cajazeiras e outros
escritos.

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