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Fósseis de dinossauros do Ceará são contrabandeados e vendidos nos EUA, Japão e Europa

Ministério Público Federal quer repatriar fósseis contrabandeados. Lei proíbe comercialização de fósseis, que são propriedade da União.

Por G1 CE

01/05/2018 às 16h59

O único fóssil completo do pterossauro Tapejara navigans no mundo, encontrado na Bacia do Araripe (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Um tesouro histórico ameaçado. Reconhecido como um dos mais importantes e completos depósitos de fósseis do planeta, a Bacia do Araripe, no Sul do Ceará, é alvo de traficantes que enviam para fora do país registros só encontrados na região. Tamanha é a grandeza dos sítios paleontológicos da região que, das 50 espécies de pterossauros descritas no mundo, 23 foram identificadas na chapada do Araripe.

“A Bacia do Araripe é como se a gente tivesse uma janela aberta para observar o [período] cretáceo, há mais ou menos 120 milhões de anos. Todos os grupos de seres vivos que o habitaram, que passaram aqui por essa região, deixaram seus restos preservados nas rochas que hoje são exploradas”, explica o professor Álamo Saraiva, coordenador das pesquisas paleontológicas na Bacia do Araripe.
A lei estabelece que todos os fósseis encontrados em solo brasileiro pertencem à União e sua comercialização é proibida. Mas a facilidade de compra e venda de fósseis, dentro e fora do Brasil, assusta pesquisadores e autoridades colocando em risco patrimônio e as pesquisas paleontológicas brasileiras em favor de um mercado internacional multimilionário.

Rede de tráfico
“Existe uma rede grande envolvendo o tráfico de fósseis. Existe um laboratório clandestino de preparação de fosseis aqui na região do Cariri, servindo diretamente ao tráfico. Envolve muito dinheiro, essa quadrilha é muito grande e ela age aqui na região do Cariri há mais de 20 anos”, explica Álamo Saraiva.

A riqueza paleontológica da região é tão grande que nem é preciso ser um estudioso ou dominar a técnica de retirada de fósseis. Qualquer pessoa pode encontrar peças de valor arqueológico, principalmente em áreas de extração de calcério, onde fósseis raros acabam indo parar nas mãos dos trabalhadores, que já aprenderam a identificar quando encontram um.

“Quando abre aqui, às vezes, tem nele, tem fora. Aqui é a veia da pedra aqui e a gente abre e às vezes eles estão dentro”, revela Tiago Lima do Nascimento, limpador de pedra.

“Há muitos anos sempre tinha pessoas que comercializava, mas agora não, tudo mudou, ninguém comercializa mais não. Agora, a gente sempre acha e doa pro depósito da empresa onde os universitários vêm e o patrão entrega para os estudos”, afirma José Gomes da Costa, serrador de pedra.

No entanto, nem sempre os fósseis são entregues às pessoas certas. O pesquisador Álamo Saraiva divide com os trabalhadores a mesma área de extração das pedras e diz que muitos atravessadores já sabem que é fácil encontrar raridades em locais como este e que eles buscam fósseis daqui para vender a traficantes. Ao todo, são 92 frentes de exploração de calcário laminado na Região da Chapada do Araripe.

“Via de regra, o trabalhador do calcário laminado não ganha bem. Então, qualquer coisa que apareça que possa complementar sua renda é motivo de alegria para eles, contudo, é um prejuízo pra o patrimônio brasileiro”, ressaltao pesquisador.

Dinossauro ‘cearense’ na França
O caminho certo para os fósseis encontrados deveria ser o Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, onde eles são preparados para a identificação e estudo. De lá, alguns deles podem seguir para o museu da região, que reúne mais de 11 mil fósseis.

Mas nenhum fóssil é tão completo quanto o de um pterossauro, réptil voador que viveu há cerca de 100 milhões de anos na Bacia do Araripe e que foi levado clandestinamente para a França. Um caso investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em parceria com autoridades francesas.

“A principal peça que nós temos lá na França é o pterossauro, que é um exemplar único, que no mundo inteiro só foi encontrado, catalogado aqui no Cariri cearense. O fóssil se encontra em bom estado de preservação, com crânio inteiro, parte do dorso e uma asa inteira, sendo o resto do animal completo por resina”, explica Rafael Rayol, procurador da República no Ceará.
Este é apenas um caso de fósseis raros retirados daqui e levados para fora do país por contrabandistas especializados nesse tipo de material e que movimentam um mercado milionário.

“Temos uma cabeça de pterossauro, que tem uma crista completa, com detalhes de cores que. comenta-se aqui, foi vendida por cerca de R$ 7 mil. Lá fora essa peça estava, há 10 anos, em um leilão sendo vendido por R$ 970 mil. Quer dizer, é um prejuízo não só cultural mas também financeiro, já que o brasileiro não ganha com o tráfico de fósseis ou ganha muito pouco por isso”, revela Álamo Saraiva.

Lei antiga
“A lei que trata, que regulamenta a propriedade desse material fossilífero é da década de 40 e, desde então, a venda, comercialização de todo esse material, qualquer tipo de fóssil é proibida, por isso todos os fósseis são, legalmente, propriedade da união”, afirma o procurador da República Rafael Rayol.

O Ministério Público Federal pediu que o pterossauro quase mil fósseis apreendidos na França sejam repatriados para o Brasil. A Justiça atendeu o pedido, mas o francês que se diz dono do material recorreu da decisão. O caso deve ser julgado em junho. Além desses casos, também há investigação de fósseis brasileiros levados para os Estados Unidos, Itália e Japão.

“Acho importante que toda a sociedade se envolva nesse processo de controle de tráfico de fósseis. É importante que quando se veja alguém na rua vendendo ou anunciando algum exemplar de fósseis comunique as autoridades para que sejam tomadas as providências, para que haja um desestímulo à comercialização desse material”, recomenda o procurador.
“É bom lembrar que o fóssil daqui estando aqui ele é um patrimônio paleontológico importante, ele é um bem cultural da região. A saída desse material da Região do Cariri causa um prejuízo muito grande, principalmente, para um sistema de desenvolvimento sustentável que tem o apoio da Unesco, que é o Geopark Araripe montado e pensado para deixar esse material aqui”, ressalta Álamo Saraiva.

Segundo o Ministério Público Federal no Ceará, outro fóssil de pterossauro, descoberto na Bacia do Araripe e levado para a Alemanha também vai ser repatriado.

Fonte: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/fosseis-do-ceara-sao-contrabandeados-e-vendidos-nos-eua-japao-e-europa.ghtml

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