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VÍDEO: Após vitória no STJ, Ricardo diz que perseguição atingiu sua família: “Há 3 anos não vejo meu filho”

Decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, paralisou no STJ processo contra Ricardo Coutinho no âmbito da Operação Calvário, que o ex-governador considera um "caso clássico de perseguição" política

Por Luis Fernando Mifô

21/01/2026 às 16h18 • atualizado em 21/01/2026 às 17h42

O ex-governador da Paraíba e pré-candidato a deputado federal Ricardo Coutinho (PT), em entrevista exclusiva para o programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, nesta quarta-feira (21), falou pela primeira vez sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o trancamento de um processo contra ele no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito das investigações da Operação Calvário, que ocorreu em 2019.

Segundo Gilmar Mendes, houve violação às decisões da Corte, segundo as quais não se pode receber uma denúncia com base apenas em delações premiadas. Para Ricardo, a decisão de Gilmar é estritamente técnica e busca corrigir um “caso clássico de perseguição” política.

“Eu fui caluniado, eu fui acusado de coisas que não batiam, que não tinham consistência, de coisas que eu nunca fiz na vida, não fiz como governador, e isso tomou conta da Paraíba inteira porque foi feito exatamente para influenciar a política da Paraíba”, afirma o ex-governador.

Ricardo e outras 34 pessoas foram acusadas de integrar uma suposta organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos de áreas como saúde e educação, e à captura de poder político e econômico na Paraíba. Ele sempre se declarou inocente.

A decisão de Gilmar paralisa o processo apenas no que se refere ao ex-governador, que considera a Operação Calvário um caso de lawfare, ou seja, o uso estratégico e abusivo do sistema jurídico para alcançar objetivos políticos. Segundo Ricardo Coutinho, após as prisões efetuadas durante a operação, a direita que ele havia vencido nas eleições anteriores “ressuscitou”.

“Você observa que agora o estado cai nas mãos novamemte das famosas oligarquias. Vem aí um projeto de oligarquia. Inclusive, que eu tinha vencido em 2010, venci em 2014 e essa foi a razão principal da construção de uma narrativa sem absolutamente nenhuma prova contra mim, contra Márcia Lucena [ex-secretária de Educação], contra Estela Bezerra [ex-deputada estadual], contra Gilberto Carneiro [ex-procurador geral], contra pessoas que, efetivamente, a única coisa que fizeram foi se doar por completo ao estado da Paraíba e realizaram um grande trabalho que mudou a Paraíba”.

Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba (Foto: Assessoria)

Marcas na família

Ricardo ressalta que a alegada perseguição política durante a Calvário atingiu profundamente sua família. Ele relembra a prisão do seu irmão em 2020 e revela que há três anos não tem contato com seu filho mais novo, que vive com a mãe, a ex-primeira-dama Pâmela Bório, alvo da Procuradoria-Geral da República (PGR) por ter participado dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Desde 2024, ela responde, no STF, por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado e dano ao patrimônio público. Segundo a PGR, Pâmela levou o filho aos ataques, o que motivou Ricardo a entrar com uma ação na Justiça requerendo a guarda da criança.

“Tudo isso é o lado pessoal, mas tem o lado político. Eu fiquei muito aliviado, mas eu sei qual o meu papel, eu sei que eu tenho papel importante na política da Paraíba, não só por aquilo que eu fiz, mas por aquilo que eu ainda posso fazer, pelo meu conhecimento do estado, pelo meu conhecimento sobre política, pela minha história inteira, e acho que é preciso ter coragem de colocar o dedo nessa ferida que foi o lawfare no Brasil e aqui na Paraíba também”.

Ricardo reafirma inocência

A PGR contestou o pedido da defesa do ex-governador ao STF e argumentou que a denúncia se fundamenta em outros elementos, a exemplo de gravações, e-mails e relatórios do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE). No entanto, para o ministro Gilmar Mendes, esses itens também são “substancialmente derivados das colaborações premiadas”. Ricardo Coutinho reafirma que sua prisão foi estratégia de lawfare utilizando apenas delatores.

“Um dizia, porque estava ameaçado de ser preso, e o outro dizia, porque estava preso, e assim montaram uma acusação em forma de farsa contra mim, contra minha família e contra o projeto político importante para a Paraíba que nós conseguimos construir”.

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