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Maria do Carmo

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A tradição junina em outra configuração

21/06/2021 às 14h48

Ilustrações tradicionais de Santo Antonio, São João e São Pedro

A manifestação popular das festas juninas veio para o Brasil pelos portugueses durante a colonização, sendo o Nordeste berço deste folclore. No contexto atual não existirá as fogueiras nos terreiros, os arraiais, as danças, as quadrilhas e o som do forró. Por enquanto é só o silêncio. Tempos melhores virão.

A cruel pandemia do coronavírus mudou o cenário da movimentação festeira pela quietude com os confinamentos e afastamento social. Se há pessoas sobrevivendo à COVID-19, outras estão nos leitos dos hospitais na iminência de morrerem e o luto de várias famílias das vítimas que viajaram para a espiritualidade. Por outro lado, tanta gente passando por dificuldades financeiras: perderam seus empregos, estão sem condições de pagar o aluguel da sua morada, sem comida, outras saciando a fome com alimentos encontrados no lixo. Há muita gente sofrendo.

A euforia das festividades do mês junino deu lugar à calmaria e à reflexão: solidariedade, compreensão, empatia e compaixão são a tônica do momento. A sensatez através de uma palavra de ânimo, uma conversa amistosa através das redes sociais são ações consoladoras e conforta a quem está precisando de um ombro amigo. A ajuda com gêneros alimentícios, roupas, calçados e agasalhos são gestos concretos de amor aos grandes necessitados nesta jornada. O outro importante ato de caridade é inerente a cada um, no sentido de compreender que é necessário ter os cuidados para evitar a propagação do vírus, é preciso esforços e renúncia ao lazer porque há um elemento perigoso solto no ar. Nada de aglomeração!

É um período junino com outra cara. O despertar para conhecer um pouco da vida dos santos juninos através de uma boa viagem na leitura é algo enriquecedor, todavia os rituais festivos caracterizam a tradição e há de se pensar que estes santos eram festeiros. Tudo contrário! Santo Antonio renunciou à riqueza e seguiu a missão religiosa, São João Batista enfrentou a tarefa árdua no trabalho transformador de um povo de espírito enrijecido, grosseiro, ignorante e injusto e São Pedro, juntamente com São Paulo, defendeu e propagou o cristianismo entre o povo pagão.

Conforme as narrativas históricas na linha cronológica da existência destes santos na terra. João Batista nasceu em Einkerem, na Judeia, ano 2 a. c, filho de Zacarias e de Isabel, prima de Maria, que viria a ser a mãe de Jesus. João foi educado pelas ações religiosas do templo onde seu pai era sacerdote e sua mãe pertencia a uma sociedade chamada “Filhas de Aarão”. Muito jovem, João Batista perdeu seu pai e passou a cuidar de sua mãe; após a morte da mesma, ele foi para o deserto. Nas águas do rio Jordão, João Batista batizou seu primo Jesus Cristo.

João Batista vivia uma vida de nômade fazendo pregações aos judeus com palavras de arrependimento e transformação, denunciava as injustiças, o abuso do poder, as ofensas às leis de Deus e anunciava que a vida do Messias estava próxima, fato que despertou as autoridades da época, que investigaram se ele pretendia ser o Messias. A prisão de João Batista ocorreu na Galileia a mando do rei Herodes alegando: “Ele é João Batista que ressuscitou dos mortos, é por isso que os poderes agem nesse homem”. João Batista foi morto tendo sua cabeça decapitada a pedido de Salomé, filha de Herodíades, mulher de Herodes.

Simão (Simeão) era o nome de nascimento de São Pedro. Morava na Betsaida, na Galileia. Era um pescador que conheceu Jesus quando este pediu um dos seus barcos para atravessar o rio e fazer pregações a uma multidão que o esperava. Depois de convertido, Pedro desempenhou um papel importante entre os apóstolos mais íntimos de Jesus. Após a morte e ressurreição de Jesus, a liderança de Pedro se acentuou na dedicação da conversão dos pagãos, se encontrou com São Paulo em Jerusalém e apoiou a iniciativa de Paulo de atrair não judeus para a fé cristã. Pedro e Paulo foram os principais líderes da Igreja Cristã primitiva. Segundo relatos da Igreja Católica, Pedro viveu em Roma, onde foi morto por ordem do imperador Nero. Assim como Paulo, por não ter a cidadania romana foi crucificado no ano 67 da Era Cristã.

Fernando Antonio de Bulhões – Santo Antonio – nasceu em 15 de Agosto de 1195 em Lisboa, era filho de Martinho de Bulhões e Maria Tereza Taveira. Aos 19 anos ingressou estudos no Mosteiro de São Vicente dos Cônegos, foi transferido para Coimbra, ordenado sacerdote e depois ingressou como frei pertencente à Ordem Franciscana. Santo Antonio morreu na cidade de Pádua, na Itália, em 13 de Junho de 1231, com 36 anos de idade, por isso é conhecido por Santo Antonio de Pádua. Foi Canonizado pelo papa Gregório IX e em 1946 foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XII por ter sido um grande pregador e teólogo renomado. A fama de santo casamenteiro consta em fragmentos de fatos com ares de lenda, nos quais relatam que Santo Antonio gostava de juntar pessoas que tinham algo em comum, que o santo conseguia dotes para as moças pobres se casarem; é também padroeiro de idosos, marinheiros e grávidas.

Supostamente o dia de São João é celebrado em 24 de Junho por ser a data atribuída tradicionalmente ao seu nascimento, e o dia 29 de Junho do translado das relíquias dos santos São Pedro e São Paulo. Que os santos juninos nos abençoem!

Professora Maria do Carmo de Santana
Cajazeiras, 21 de Junho de 2021

Maria do Carmo

Maria do Carmo

Professora da Rede Estadual de Ensino em Cajazeiras. Licenciatura em Letras pela UFCG CAMPUS Cajazeiras e pós-graduação em psicopedagogia pela FIP.

Contato: profmariadocarmosantana@gmail.com

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Maria do Carmo

Maria do Carmo

Professora da Rede Estadual de Ensino em Cajazeiras. Licenciatura em Letras pela UFCG CAMPUS Cajazeiras e pós-graduação em psicopedagogia pela FIP.

Contato: profmariadocarmosantana@gmail.com

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