header top bar

José Anchieta

section content

Não Gosto do Natal

22/12/2007 às 21h02

Não gosto muito do Natal! Parece uma frase estranha para um cristão e, mais ainda, para um padre. Mas, repito: não gosto muito do Natal. Repito e explico-me: não gosto muito deste tipo de Natal a que somos “obrigados” a viver, o Natal do consumismo, do ridículo (e sincrético) papai Noel; do aniversário que esqueceu do aniversariante, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Este tipo de Natal me deixa melancólico, chateado e, de certa forma, revoltado, pois, de novo, o Amor foi esquecido. O “grande” da festa é Jesus; comemoramos o Seu nascimento, que rendeu para nós, miseráveis humanos, a redenção, a salvação de todo o pecado que nos separava de Deus. Por Ele, recebemos a filiação divina e, a partir daí, com toda a propriedade, podemos dizer que somos filhos de Deus, herdeiros do céu e membros do Seu Corpo Místico, a Santa Mãe Igreja.

Em torno de tudo isto, que está evidentemente esquecido, transita um ridículo e sonolento senhor de barbas brancas, de roupas vermelhas, com um gorro pendido da cabeça, cercado de duendes, numa charrete aérea puxada por renas. Clara deturpação do heróico Nicolau, bispo de Mira (Turquia), que participou do Concílio de Nicéia (325 d.C), defendendo a homoousios (Cristo, o Filho, é da mesma substância que Deus, o Pai), que foi perseguido nos tempos de Galero (cerca de 350) e que morreu neste mesmo ano, após longos sofrimentos, por causa da sua adesão ao “menino” que nasceu três séculos antes na gruta de Belém.

Fez milagres, entre os quais, ressuscitou três crianças que teriam sido mortas por um açougueiro. Acredita-se que, por ocasião das festas, dava doces e presentes às crianças. Este é o verdadeiro Papai Noel (um homem de verdade, que confessou a fé em Cristo Jesus e que fez de tudo para que esse mesmo Cristo fosse amado e conhecido).

A deturpação começa no século IX, na Germânia (atual Alemanha), quando se moldou sua figura por influência dos mitos germânicos da natureza. Aí, no norte do país, o folclore pagão substituiu São Nicolau pelo Weihnachtsmann (o “homem do Natal”), mudando seu nome para “Santa Claus” (Sint Klaes) ou, nos nossos dias, o Papai Noel (diga-se de passagem, promotor do consumismo desenfreado, em que vale, quem tem poder de compra).

A esta figura, foram sendo associadas outras de cunho wiccanos (provenientes da “wicca”, a bruxaria moderna, bem viva atualmente), os duendes, pequeninos seres de orelhas pontudas e de sorriso esquisito, que cuidam das árvores e das plantinhas, ajudando as sementes a brotar. Adoram pregar peças, fazendo estalar as janelas e tirando as coisas do lugar. Curiosamente, se eles existem, nem todos podem enxergar os duendes; quando cuidamos das plantinhas, eles aparecem para nós, a fim de agradecer. Ah, sim, no tempo livre, também ajudam o papai Noel, na sua fábrica de brinquedos, lá no Pólo Norte; igualmente, ajudam-no a distribuí-los às crianças do mundo inteiro (quer algo mais ridículo que isso? Mas tem gente que acredita, com todo o respeito à ingenuidade alheia).

Papai Noel, duendes, Pólo Norte, trenó voador puxado a renas …

Este não é o meu Natal. Nem deveria ser o Natal de nenhum cristão que se preze. Natal é a festa da alegria, não pelos presentes que recebemos do “papai Noel”, mas pelo menino que nasceu (o Emmanuel, DEUS CONOSCO) para dar ao mundo a esperança verdadeira, aquele que aponta o nosso ser para o céu, o maior presente que o Pai pode nos dar. O céu já está garantido pra nós, basta que não o percamos, com nossos pecados.

Contudo, parece que nos é mais fácil, ou agradável, crer em figuras ridularmente produzidas pelo imaginário popular do que amar Cristo Jesus que nasceu e que quer de novo nascer em nosso coração, para nos transformar.

Fora com o Papai Noel, com os seus duendes, com o seu trenó e com os seus presentes … Sim a Cristo, o pobre menino de Belém que existe sim, para o nosso bem e para a nossa verdadeira alegria.

Bom Natal (o verdadeiro Natal) a todos!!!


Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.

José Anchieta

José Anchieta

Redator do Jornal Gazeta do Alto Piranhas, Radialista, Professor formado em Letras pela UFPB.

Contato: [email protected]

José Anchieta

José Anchieta

Redator do Jornal Gazeta do Alto Piranhas, Radialista, Professor formado em Letras pela UFPB.

Contato: [email protected]

Recomendado pelo Google: