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Detentos reclamam de superlotação e falta dágua e fazem rebelião em Cajazeiras

Presos da Cadeia Pública de Cajazeiras fizeram uma rebelião que durou mais de cinco horas. Motivos alegados: falta dágua, descaso e abuso de autoridade. Os detentos foram transferidos para Sousa.

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12/02/2008 às 08h26

Por volta das 19h desta segunda-feira, 11, detentos da Cadeia Pública Municipal de Cajazeiras iniciaram uma violenta rebelião que durou mais de cinco horas. Pelo menos cem presos protestavam contra a falta de água na cadeia. Revoltados com a situação, eles quebraram grades e incendiaram colchões e garrafas de plástico.

A Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada para conter a rebelião. Várias viaturas se deslocaram até o local e cercaram a cadeia, que fica localizada na Avenida Engenheiro Carlos Pires de Sá, uma das principais avenidas da cidade.

Uma multidão se formou em frente a cadeia, entre populares curiosos e familiares dos apenados, que, desesperados, exigiam informações por parte da polícia e da direcão da instituição.

A diretoria era o principal alvo de críticas e ameaças por parte dos amotinados. Eles acusam a administração da cadeia municipal de maus tratos e abuso de autoridade. Segundo eles, mais de 20 presos estão doentes, mas não são enviados para tratamento no Hospital Regional de Cajazeiras porque o próprio HRC se nega a atendê-los.

Um dos líderes da rebelião, em entrevista exclusiva ao Diário do Sertão, revelou também que um de seus colegas de cela foi brutalmente agredido por guardas da cadeia e que teria sido posto em uma cela, isolado dos demais detentos, sem qualquer comunicação.

“Esse diretor não merece essa função, porque ele não tem estudo, nem capacidade pra essa função. O diretor vem aqui uma vezinha, só pra brigar com o preso, pra discutir, bater no preso, não vem pra resolver nada. Sou preso aqui há dez anos, e quando falo alguma coisa, eles dizem: ‘quer ir pro isolado ou quer ir pra João Pessoa ou Campina Grande?’”, acusa o detento.

Os presos também reclamam que dormem no chão, sem qualquer condição de higiene. Por causa disso, adoecem constantemente. E que a falta de água só piora a situação precária nas instalações da cadeia.

"Falta dágua é normal"
A coordenadora de administração da cadeia, Maria Viana Filho, afirmou apenas que rebeliões desse tipo são comuns entre apenados em todo o Brasil. E explica a falta de água como algo corriqueiro, mas que nunca havia resultado em fortes protestos.

“Eles alegam que é a falta de água. Mas aqui em Cajazeiras falta água constantemente. Aqui na cadeia falta água, mas nunca houve uma rebelião desse tipo por conta dessa falta de água”.

Cadeia pode ser interditada
O promotor de execuções penais, Ismael Vidal, que atua como substituto em Cajazeiras, garantiu que vem acompanhando de perto a situação dos detentos da cadeia pública desde que chegou à cidade. Ele confirma que a cadeia está super lotada e por causa disso pode vir a sofrer interdição por parte do Governo Estadual.

Porém, Ismael desmente denúncias de que existem presos que já cumpriram suas penas, mas ainda não foram soltos. Ele afirma que isso é uma alegação comum entre os detentos.

“Eles geralmente afirmam que tinham só nove meses, e já cumpriram mais de dois anos. Mas às vezes eles tem 3, 4 ou 5 processos, e dão uma versão apenas parcial do caso. Mas os defensores públicos estão vindo na cadeia conferir isso”.

Promotor irá apurar denúncias
A rebelião foi controlada por volta das 23 horas, após um exaustivo período de negociação entre os amotinados e o promotor Ismael Vidal, que prometeu apurar todas as denúncias feitas contra a direção da instituição. A cadeia municipal de Cajazeiras tem capacidade para 58 presos, mas hoje, segundo a diretora, conta com mais de 170.

Da redação do Diário do Sertão

Veja o vídeo (cedido pelo Blog do Fuxico)

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