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Falta de combustível foi causa da tragédia da Chapecoense, diz relatório final

A Chapecoense disputaria em Medellín a decisão da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional, quando acabou sofrendo o trágico acidente

Por Istoé

28/04/2018 às 16h35 • atualizado em 27/04/2018 às 16h39

Socorristas procuram por sobreviventes da tragédia com o avião da Chapecoense, da empresa Lamia, nas montanhas de Cerro Gordo, em 29 de novembro de 2016 (Foto: AFP)

A Aeronáutica Civil da Colômbia apresentou na manhã desta sexta-feira as conclusões do relatório final sobre o desastre com o avião da LaMia que caiu no dia 28 de novembro de 2016 (dia 29, pelo horário de Brasília) levando a delegação da Chapecoense e deixando 71 mortos. A investigação confirma que o combustível do avião era insuficiente para o voo entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia, e que a empresa aérea não se preparou adequadamente para o voo internacional.

A pane, de acordo com as investigações, começou 40 minutos antes de o avião cair. Os pilotos sabiam disso. O contrato do voo previa escala entre Santa Cruz o e o aeroporto de Medellín, mas a empresa planejou viagem direto, o que não foi permitido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Então, a delegação do time catarinense pegou um voo de São Paulo até Santa Cruz de la Sierra e, da cidade boliviana, embarcou no voo da LaMia em direção a Medellín. As normas internacionais de aviação exigem que um voo deve ter combustível acima do necessário para fazer o trajeto programado, com sobra para alcançar um aeroporto mais próximo e ter ainda condições de manter o voo por ao menos 30 minutos.

A Chapecoense disputaria em Medellín a decisão da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional. Seria o jogo de ida, que não chegou a ser realizada. O avião da LaMia levava a delegação da equipe brasileira, com dirigentes, membros da comissão técnica e jornalistas. O avião bateu na parte mais alta do chamado Morro Sucio, próximo a Medellín, antes de chegar ao aeroporto, perdeu sua parte traseira e foi se desintegrando.

As investigações apontaram ainda algumas conclusões sobre a queda: a apesar de o plano de voo prever escala entre São Paulo e o aeroporto de Medellín, a empresa planejou voo direto; antes de cair, cerca de 40 minutos, o avião já voava em situação de emergência e tripulação manteve os padrões de voo normal; houve indicação, luz vermelha e avisos sonoros na cabine dos pilotos; o controle de tráfego aéreo desconhecia a situação de risco do avião e sua possibilidade de queda por falta de combustível; a tripulação era experiente e tinha toda a documentação necessária de voo e trabalho em dia; a LaMia estava em situação financeira precária, atrasava salários e tinha má organização de voo; a empresa não cumpria determinações das autoridades da aviação civil em relação ao abastecimento de combustível.

Os coordenadores da investigação concluíram que a empresa se valia com frequência dessa “péssima prática” de voo, sem se preparar adequadamente para voos mais longos e internacionais, voando com combustível na conta. O relatório, assim, conclui que o acidente poderia ter sido evitado.

Fonte: https://istoe.com.br/falta-de-combustivel-foi-causa-da-tragedia-da-chapecoense-diz-relatorio-final/

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