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Filme de Inacim merecia festa maior

Teatrólogo Francisco Hernandes relata o lançamento em CZ

Por

01/06/2009 às 20h46

Por Francisco Hernandes

Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que Eliezer Rolim chegou em Cajazeiras para articular os locais de filmagens do Filme “O sonho de Inacim” e numa breve conversa, ele me dizia que estava com dificuldades de encontrar um lugar que representasse a cidade de Cajazeiras na época da sua fundação, nos idos de 1843 e sem titubear lhe falei que conhecia um local que tinha todas as características que ele precisava para realizar o seu grande sonho. Foi quando o levei à Fazenda Acauã, na cidade de Aparecida.

Chegamos ao local no final da tarde, após atravessar um rio com água pela cintura, Eliezer pode confirmar in loco o porquê da nossa indicação. Ficou perplexo com aquele lugar histórico, que além da beleza natural, que lhe é peculiar, guarda também um verdadeiro acervo do nosso patrimônio arquitetônico e cultural. Esse foi o nosso primeiro encontro.

O segundo encontro aconteceu quando da seleção de elenco para gravação do filme. E é a partir daí que eu quero me reportar. Certo dia, o então prefeito de Cajazeiras, Dr. Carlos Antonio, não Antonio Carlos, como foi dito na “festa” de lançamento, por um dos produtores, me telefonou convidando para conversar sobre o projeto referente ao filme, que o mesmo havia recebido do próprio Eliezer. E ao ser consultado, ratifiquei a importância da obra, tanto do ponto de vista artístico-cultural, quanto do resgate histórico e do empreendimento turístico para a cidade da cultura. No mesmo momento, Carlos Antonio, telefonou para todos os seus assessores e pediu o empenho incondicional para aquele projeto, que a partir daquele momento seria um sonho não só de Eliezer, mas como também de todos nos cajazeirenses. Escancarou as portas da cidade, colocou a disposição de toda a equipe de filmagem: hotel, carros, funcionários e tudo que fosse necessário para sua realização. E foi assim que aconteceu, aquele importante projeto que estreou, não em Cajazeiras, mas sim, na capital do Estado, no dia 30 de abril de 2009. Ao ser indagado numa entrevista na Rádio Alto Piranhas a respeito da estréia do filme. Respondi ao radialista através de metáfora: “Eu e Eliezer traímos as nossas bandeiras”.

Só isso e/ou tudo isso, pra dizer da minha decepção/frustração, com a “festa” de lançamento do tão esperado momento. “No tempo do meu pai…” (inicio da poesia intitulada: “Debaixo da tamarindo”, do poeta paraibano, Augusto dos Anjos), tudo era muito diferente do que se ver hoje em dia. Havia auto-estima, havia entusiasmo, havia esperança, havia consideração, havia gratidão e acima de tudo isso, havia reconhecimento e respeito para com os artistas da terra. Digo isso porque fomos convidados para uma secção que teria inicio às 19hs., segundo está escrito no convite, e que só veio acontecer às 21 horas. E ai vem o mais grave: cadê a festa de lançamento para o povo de Cajazeiras? Cadê o coquetel tão propagado durante a semana? Cadê o nome da Banda Tocaia no folder? Cadê Nanego, Soia, Buda Lira e tantos outros grandes artistas, no tão esperado filme? Cadê a ação global que com o aval da fundação Ivan Bichara importou artistas de outros lugares recebendo cachês, em detrimento aos artistas da terra que trabalharam de forma voluntária? Cadê as arquibancadas que se quer deixaram montadas para o povão assistir e aplaudir os nossos bravos artistas do sonho de Inacim? Cadê o reconhecimento e o respeito pelo o nosso povo? Cadê?… Cadê a Cajazeiras melhor? Cadê?…

Confesso que cheguei a pensar, não a me iludir, que tudo seria diferente no novo tempo. “De uma Cajazeiras melhor”… E assim como o sonho de Inacim, o filme também foi realizado. Só que “no tempo do meu pai”… Como disse o poeta. Agora vamos imaginar, se esse projeto fosse depender do apoio dessa “nova gestão”, indubitavelmente o sonho de Inacim, viraria um grande pesadelo, assim como foi a sua “festa” de lançamento. Mas diante de tudo aquilo que pensei ver e que não vi, pude perceber um grande momento que por alguns instantes me alentou: foi o choro emocionante do produtor Heleno. Que imediatamente me reportou para aquela poesia do poeta do século passado: que finaliza dizendo assim: “Voltando à pátria da homogeneidade, abraçada com a própria eternidade. A minha sombra há de ficar aqui!”.

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