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FREI FERNANDO: Fiel companheiro de Frei Damião revela detalhes da vida do religioso. Escute o aúdio!

Giuseppe Rossi (Frei Fernando), que sempre esteve ao lado de Frei Damião de Bozano nas missões e caminhadas pelo Nordeste do Brasil, visitou a cidade de Sousa esta semana e falou sobre sua vida de missão e adimiração pelo Frei "Capuchinho". Ele disse que conheceu o religioso na Itália quando tinha dez anos de idade. […]

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09/03/2011 às 18h48

Giuseppe Rossi (Frei Fernando), que sempre esteve ao lado de Frei Damião de Bozano nas missões e caminhadas pelo Nordeste do Brasil, visitou a cidade de Sousa esta semana e falou sobre sua vida de missão e adimiração pelo Frei "Capuchinho". Ele disse que conheceu o religioso na Itália quando tinha dez anos de idade.

Com 92 anos de idade, Fernando relevou que participava diariamente das missas de Frei Damião no convento e após a celebração, muitas vezes dialogava com o religioso. "Um certo dia ele me perguntou gostaria de ser padre, respondi que não, pois gostaria de seguir a carreira de engenheiro", lembrou o frei.

Ele disse que o mundo dar muitas voltas e acabou se tornando sacerdote. A primeira missa dele foi celebrada no ano de 1942.

O frei informou que ajudava Damião nas confissões, no crisma e na evangelização. De 1947 a 1997 ele foi o companheiro fiel de Frei Damião, o auxiliando em tudo.

"O que mais admirava no Frei Damião, era o grande prazer de pregar e converter os homens, sem se cansar", finalizou.

Veja a seguir a entrevista completa do Frei Fernando ao Diário do Sertão.

DIÁRIO DO SERTÃO: Como o Senhor conheceu Frei Damião?

Frei Fernando – Eu conheci Frei Damião com dez anos de idade na Itália, em 1928 ele estava com 48 anos, eu ajudava ele na missa, porque todos os dias eu e minha mãe íamos assistir a missa no convento, ao terminar a missa nós sempre dialogávamos e um certo dia ele me preguntou: Você gostaria de ser frade? Logo respondi: Não. Não quero ser frade, e sim engenheiro, seguindo o rastro do meu avô.

Frei Fernando – Com 11 anos entrei no seminário e em 1931 viajei para o Brasil, em 1942 em plena guerra celebrei a primeira missa, e em 1946 os superiores me mandaram para o Brasil. Após uns quinze dias que eu estava no convento, apareceu Frei Damião me olhou e falou: Senhor és aquele que me ajudava na santa missa? surpreso respondi: Sou sim. Logo frei Damião me perguntou: Está satisfeito em ser frade? Respondi que estou sim. Daí então percebi que tinha uma maleta ao lado e perguntei a frei Damião: vai para onde Frei Damião? Ele me respondeu com vigor : Vou pregar a Santa Missa, queres me ajudar?

Frei Fernando – Não posso, porque não sei falar direito, está escrito tudo em português. Após seis meses os superiores me ordenaram para ajudá-lo na diocese de Mossoró auxiliando nas confissões e na crisma, porém sem fazer pregações. Posteriormente voltei para o Recife, onde o meu superior me falou que se eu quisesse eu poderia continuar com Frei Damião, daí então fiquei com o frei de 1947 até 1997, sendo o companheiro de Frei Damião,
acompanhado em todas as suas missões. A última vez em que estive na cidade de Sousa foi em meados de 1990, nunca mais voltei, em 1997 Frei Damião morreu, após isso nenhum padre me chamou para auxiliá-lo. No dia 05 de novembro dia do nascimento de frei Damião fui convidado para vim até Sousa, porém infelizmente por problemas de saúde, não pude vir. Mas agora estou aqui em Sousa no meio do povo, satisfeito e contente.

DIÁRIO DO SERTÃO – Frei Fernando o senhor se considera um seguidor, e está dando sequência nos trabalhos de Frei Damião?

Frei Fernando – Não. Nunca mais fiz nada, depois que Frei Damião morreu ninguém quis coragem de me ajudar. Frei Damião era homem de Deus, homem santo, era muito carismático, que convertia muita gente. Pregava pela manhã e depois vinha se confessar.

DIÁRIO DO SERTÃO – Qual das características de Frei Damião que o senhor considera a mais importante? Porque que o sertanejo tinha uma verdadeira veneração por frei Damião?

Frei Fernando – Porque ele era homem de Deus, parecia um santo, por ele tinha um prazer em pregar, e o pensamento dele era converter, pedindo para os homens e mulheres deixarem o pecado, que é a coisa mais grave, pois foi ele que crucificou Jesus. Então ele ficava o dia todo confessando os homens, entrando pela noite, sem se cansar. A característica dele era a santidade.

DIÁRIO DO SERTÃO – O senhor sabe que a cidade de Sousa tinha um carinho todo especial por Frei Damião, até fez uma estátua para homenageá-lo. O senhor nas suas andanças com ele escutava ele falar muito em Sousa?

Frei Fernando – Frei Damião tinha um afeto especial por Sousa, e sempre, pois o povo de Sousa era muito devoto, carinhoso, e gostava muito de Frei Damião.

DIÁRIO DO SERTÃO – Na sua chegada na cidade de Sousa o povo demonstrou um carinho por você semelhante ao de Frei Damião?

Frei Fernando – O povo ao me ver, lembrou muito de Frei Damião, afinal eu fiquei ao lado dele durante 50 anos, então o povo ao me ver fica alegre e satisfeito.

DIÁRIO DO SERTÃO – Exemplos igual ao seu e ao de Frei Damião, não estão mais sendo seguidos aqui no Nordeste e no Brasil. O senhor espera que as novas gerações guarde um tempo para fazer caridade como o senhor e o Frei Damião?

Frei Fernando – O futuro quem sabe é Deus. Porque o mundo vai mudando, evoluindo. Estou na cidade de Alagoas e vejo nos jornais, tanta morte, parece que os homens estão se afastando de Deus, è dente por dente e olho por olho.

DIÁRIO DO SERTÃO – Qual a sua orientação para que os jovens, possam se aproximar mais de Deus?

Frei Fernando – Mais reza e observar a lei de Deus, dessa forma está tudo certo. Quando o povo se afasta de Deus acontece o que está acontecendo no Brasil, muita morte e violência. Há 40 ou 50 anos atrás era mais difícil matar, hoje em dia se mata com muita facilidade, pois o povo sai e não sabe se volta para casa vivo.

DIÁRIO DO SERTÃO – Quando o senhor pretende voltar para Sousa?

Sousa é muito distante de onde moro. Não tenho mais resistência física, antes não sentia cansaço, mais hoje devido os meus 92 anos de idade me sinto cansado.

Termino dizendo muito obrigado por esta oportunidade para falar ao povo de Sousa, a cada dia a cidade fica maior e mais bonita, desejo que Sousa vá para frente e abençôo Sousa com o pai, o filho e o espírito santo.

Escute a entrevista:

DIÁRIO DO SERTÃO com reportagem de Ivandney Sena da Líder FM
 

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