VÍDEO: DEAM Cajazeiras registra aumento de inquéritos, redução de feminicídios e destaca rede de proteção
Dra. Yvna Cordeiro, delegada titular da Delegacia da Mulher, destaca a rede de proteção à mulher e a força da medida protetiva: "Medida protetiva serve! Não é só um papel, é uma ordem judicial"
Em entrevista ao programa Olho Vivo, nesta terça-feira (20), a delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Cajazeiras, Dra. Yvna Cordeiro, apresentou o balanço das ações realizadas ao longo de 2025.
O dados aponta um crescimento no número de inquéritos e reforça o impacto positivo da rede de proteção no município.
Segundo a delegada, o aumento nos índices de procedimentos instaurados na cidade não reflete necessariamente um aumento da violência, mas sim uma maior conscientização das vítimas. A maioria dos casos envolve solicitações de medidas protetivas.
“É um número alto, mas é um número que nós temos que comemorar porque são mais mulheres que conhecem a Lei Maria da Penha e vêm atrás dos seus direitos”, afirmou Dra. Yvna.
A delegada ressaltou que a unidade possui um perfil híbrido de atuação. “O trabalho da Delegacia da Mulher é um dos únicos, dentro da Polícia Civil, que tem um trabalho preventivo tão grande quanto o trabalho repressivo”, explicou. Em Cajazeiras, o índice de desistência das denúncias é considerado quase nulo pela titular.
No que diz respeito à prevenção, a delegada detalhou as ações educativas realizadas em instituições de ensino e o trabalho direcionado a setores específicos. Em 2025, um diferencial foi a aproximação com empresas privadas e canteiros de obras, como os da Transposição do Rio São Francisco, visando dialogar com o público masculino sobre a violência doméstica. A delegada também confirmou a realização de campanhas de panfletagem durante o Carnaval para coibir casos de importunação sexual.
“Esse aparato de prevenção é muito válido na Delegacia da Mulher e, em especial, este ano, a gente fez trabalhos com indústrias. A gente vê na cidade que tem Transposição do Rio São Francisco, então, a maioria desses locais é composta por homens. Então, a gente faz esse trabalho preventivo em comunidades rurais, empresas de engenharia, ou empresas que têm o público-alvo masculino muito grande”, falou Dra. Yvna, que ressaltou que pela primeira vez viu empresas privadas interessadas nos projetos de prevenção à violência doméstica para seus funcionários.
Em relação aos caos de feminicídios na cidade, a delegada esclareceu que as investigações de homicídios e tentativas (incluindo os feminicídios) ficam a cargo do Grupo Tático Especial (GTE). Contudo, os dados revelam uma estabilidade: após três registros em 2023, os anos de 2024 e 2025 apresentaram apenas um caso cada em Cajazeiras.
Um dado alarmante, porém revelador, foi compartilhado pela delegada sobre o perfil das vítimas fatais: “As mulheres que morreram em Cajazeiras, nenhuma antes tinha procurado a Delegacia da Mulher. Nenhuma antes tinha proteção de medida protetiva”.
Dra. Yvna também rebateu críticas sobre a eficácia do amparo legal. “Medida protetiva serve! Não é só um papel, é uma ordem judicial. (…) Aqui em Cajazeiras nós já temos Patrulha Maria da Penha e ela serve para fiscalização dessas medidas”, enfatizou.
A delegada atribuiu a manutenção dos baixos índices de feminicídio à articulação com órgãos como o CRAM, a Secretaria da Mulher e movimentos sociais. Para ela, o suporte institucional é o que diferencia o município no combate ao crime.
Ao encerrar, Dra. Yvna deixou um apelo direto à sociedade sobre o consentimento e a importância de quebrar o ciclo do silêncio:
“É interessante que vocês denunciem. Isso não é vergonha nenhuma, não é nada a se ter receio, porque o único culpado dessa relação é o agressor”.
Como denunciar:
Presencialmente: DEAM Cajazeiras (Av. Cmte. Vital Rolim, Centro).
- Disque 100: Direitos Humanos.
- Disque 180: Central de Atendimento à Mulher.
- 197: Polícia Civil (denúncia anônima).
DIÁRIO DO SERTÃO
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