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EXCLUSIVO: Em Cajazeiras, Ciro Gomes fala sobre Lula, PT, Bolsonaro, Ricardo, João Azevêdo e eleições

Ex-candidato a presidência em 2018 esteve na cidade proferindo palestra sobre políticas públicas e desenvolvimento social e econômico na Faculdade São Francisco

Por Jocivan Pinheiro

18/11/2019 às 21h53 • atualizado em 21/11/2019 às 09h05

Durante visita à cidade de Cajazeiras, no Sertão paraibano, onde esteve proferindo uma palestra nesta segunda-feira (18) sobre políticas públicas e desenvolvimento social, econômico e ambiental no 1º CONFIME (Congresso Internacional Interdisciplinar) da Faculdade São Francisco, o ex-candidato a presidência da República Ciro Gomes (PDT) conversou com a TV Diário do Sertão sobre política partidária e administração de governo. Na entrevista, Ciro fala sobre Lula, PT, polarização política, governo Bolsonaro, Ricardo Coutinho (ex-governador da Paraíba), João Azevêdo (atual governador), transposição do Rio São Francisco e eleições para presidente.

Ao comentar sobre a prisão e a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes reafirma que continua amigo pessoal do ex-presidente e revela que chegou a passar mal ao saber da prisão. Porém, ele ressalta que não há mais alinhamento político com o petista porque Lula estaria “cometendo a mesma fraude” das últimas eleições. A “fraude” a qual Ciro se refere é ‘fingir’ para o povo que ele (Lula) será candidato e depois, impossibilitado pela Justiça, lançar outro nome que não tem condições de enfrentar o adversário com chance de vitória.

“O Lula para mim não é uma figura que a gente conhece pela televisão, é um velho amigo de 35 anos. Já fomos adversários eleitorais, mas sempre construímos uma relação de muito respeito e de carinho”, disse. “Mas nesse momento eu não tenho muito mais apreço político pelo Lula. Meu respeito pessoal continua. Eu interpreto o sentimento de gratidão de muitos nordestinos. Mas nesse momento, Lula está repetindo o filme que fez muito mal ao Brasil”, completa.

VEJA TAMBÉM: “Não creio que Bolsonaro termine o mandato”, diz Ciro Gomes

Ciro Gomes e o ex-presidente Lula

Lulistas x Bolsonaristas – Ao avaliar os rumos que o país está tomando por causa da polarização política protagonizada por ‘radicais’ da direita que apoiam Bolsonaro e ‘radicais’ da esquerda que apoiam Lula, Ciro Gomes afirma que essa polarização está “matando a nação”. Segundo ele, os primeiros resultados dessa ‘morte’ são os atuais índices de desemprego, inadimplência, fechamento de empresas, endividamento empresarial e violência.

“A população brasileira olha para a política e não vê um debate sério sobre seus problemas e soluções, o que ela vê é a radicalização, é a paixão, o ódio. O Bolsonaro pode andar pelado na rua, bater na mãe, o bolsominion relativiza e defende; e as escolhas do Lula têm sido trágicas. Se a gente não tiver humildade para entender, a gente simplesmente vai deixar esse imenso barulho de ódios e paixões levar o Brasil para o fundo do poço”.

Nega mágoa – Ciro Gomes diz que não carrega mágoa com Lula ou com o PT por não ter sido apoiado nas eleições presidenciais de 2018, mesmo quando as pesquisas indicavam que ele tinha mais chance de vencer Bolsonaro no segundo turno do que Fernando Haddad (PT).

“O que eu tenho é responsabilidade política. Meu patrão é o povo brasileiro. Pouco importa se eu agrado ou não agrado, eu vou cumprindo minha obrigação com o povo brasileiro”.

VEJA TAMBÉM: Em reencontro com o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho, ex-presidente Lula relembra visita à cidade de Sousa

Ciro Gomes em Cajazeiras-PB

Avaliação do governo Bolsonaro – Ciro foi enfático ao afirmar que, embora ele mesmo já tenha apontado alguns acertos do atual presidente, “o governo Bolsonaro é um desastre” e “vai disputar com a Dilma o pior governo da história do Brasil”.

Ciro Gomes elogia os índices de imunização por vacinas, queda de homicídios, prisão de líderes de facções criminosas, redução da taxa de juros, mas afirma que o atual governo tem o pior volume de investimentos na educação, saúde e segurança pública da história. “Ele é um macaco numa casa de louças”, disse.

Ricardo Coutinho – Amigo do ex-governador da Paraíba há muitos anos, Ciro Gomes diz que Ricardo se prejudicou na escolha da sua sucessão, principalmente por ter ficado sem mandato em âmbito federal.

“Acho que por desconfiança desnecessária, ele acabou sacrificando. Poderia ser hoje um grande quadro no cenário federal. Mas, enfim, isso é só dó de ver um quadro com a qualificação dele ter ficado sem um mandato”.

João Azevêdo – Já com relação à possibilidade de o governador João Azevêdo deixar o PSB e se filiar ao PDT, Ciro diz que ficaria honrado com a filiação, mas não quer que seu partido cometa ‘aliciamento’ com o governador.

“Eu, pessoalmente, cultivo muito a ética e a delicadeza. Um homem da grandeza de Azevêdo não pode ser aliciado, ele tem a responsabilidade de governar esse estado-irmão, tem feito um belo trabalho e a Lígia [Feliciano, vice-governadora, PDT] e o Damião [Feliciano, deputado federal, PDT] têm capacidade de conduzir o diálogo. Mas eu não quero passar da conta porque respeito a autonomia do governador e a delicadeza da relação com um partido irmão que é o PSB”.

Ciro Gomes durante debate presidencial na Band em 2018

Transposição – Ciro Gomes chama de ‘vergonha’ o atraso na conclusão das obras da transposição do Rio São Francisco: “Nada justifica que você arraste por dez anos uma obra dessa natureza, muito menos agora que faltam menos de 3% para terminar. O nome disso é irresponsabilidade e falta de compromisso com a sorte do povo”.

Eleições 2022 – Candidato a presidente em 2018, Ciro Gomes prefere não confirmar ainda se disputará ou não o pleito novamente em 2020. Mas ele afirma que continua “entusiasmado” e “com muita vontade de ajudar o Brasil a achar um caminho”.

“Quem, como eu, teve quase 14 milhões de votos, tem uma obrigação com o povo. O povo não me deu a honra de ter os 57 milhões de votos que Bolsonaro teve no segundo turno e a ele a responsabilidade de governar o país, mas o povo me deu uma tarefa: fiscalizar, cobrar, apontar as coisas erradas, sugerir alternativas, e é isso que eu estou fazendo. Estou no mesmo ritmo de campanha e esse é meu estilo. Se isso vai ou não se traduzir numa candidatura lá, eu estou muito entusiasmado, estou bem atualizado de tudo e com muita vontade de ajudar o Brasil a achar um caminho”, disse. “Eu vou enfrentar o bolsonarismo com muita dureza porque o bolsonarismo está destruindo o Brasil”, completou.

Impeachment de Bolsonaro Por fim, Ciro Gomes afirmou que não acredita que o presidente Jair Bolsonaro vai concluir seu mandato: “Daqui a pouco todo mundo vai ficar sabendo das ligações de Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro, com desvio de dinheiro de rachadinha em gabinete dele com os filhos. Não consigo ver o Bolsonaro terminando o mandato com esse tipo de coisa”.

Redação DIÁRIO DO SERTÃO

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