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Transferência de padre de Cajazeiras provoca crise na Igreja Católica do Sertão

A saída de padre Humberto, da Paróquia São João Bosco, e a sua consequente repercussão negativa tem abalado as estruturas da Diocese de Cajazeiras

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20/01/2008 às 11h14

src=http://diariodosertao.com.br/ew3press/sendtmp/2008/20080120111543/destaque/20080120111543.jpgA transferência de padre Humberto Mangueira (foto) , da cidade de Cajazeiras para Paulista, região de Pombal, e a consequente repercussão negativa desta decisão, tem abalado as estruturas da Diocese de Cajazeiras e provocado uma espécie de crise interna na Igreja Católica da região.

A saída do padre provocou grande comoção popular em todos os segmentos sociais de Cajazeiras. Com menos de cinco anos na paróquia de São João Bosco, Humberto Mangueira, natural de Conceição (PB), conquistou imensurável simpatia da comunidade local.

Dono de um estilo aglutinador e ao mesmo tempo polêmico pelas posições contundentes que manifesta sobre assuntos da cidade, padre Humberto demonstra um espírito de liderança perante os fiéis. 

Polêmico
No São João do ano passado, o líder religioso não poupou críticas à tradicional festa junina realizada pela Prefeitura de Cajazeiras, o Xamegão. Ele atacou as bandas escolhidas pela Prefeitura, que, na sua opinião, apresentavam músicas degradantes sobre a figura humana, e disparou: "o Xamegão é a festa do inferno".

Em outros momentos, Humberto Mangueira discordava do tamanho dos investimentos feitos pela Prefeitura Municipal para financiar o carnaval local, um dos mais badalados da Paraíba. "Como gastar tanto com carnaval numa cidade onde tem gente que passa fome", indagava.

Talvez esses predicados tenham lhe rendido a abrupta transferência da Paróquia, decisão confirmada semana passada pelo bispo de Cajazeiras, Dom José Gonzáles. 

Ouça uma das declarações de Padre Humberto:

[mp3:Padre_humberto.mp3]

Revolta popular
Após o anúncio da saída de padre Humberto, a população de Cajazeiras se revoltou. As emissoras de rádio da cidade receberam centenas de ligações contra a decisão tomada pelo bispo. O assuntou tem pautado os principais programas de radiojornalismo local. Ouvintes ligam para as rádios chorando  e lamentando o fato.

A revolta é tamanha que começou a circular no município um abaixo-assinado tentanto sensibilizar o bispo de Cajazeiras a rever a posição adotada. O documento já contabiliza cerca de 5 mil assinaturas.

Bispo se mantém irredutível
Há poucos dias, Dom José Gonzáles quebrou seu silêncio e falou aos paroquianos da São João Bosco sobre o caso. O religioso considerou natural a saída do padre e deixou claro que não se dobrará às pressões populares manifestadas na imprensa e nas ruas da cidade em favor do pároco.

Política X Religião
Especulações apontam para motivações políticas para justificar a saída do padre. Nos bastidores, há quem afirme que o estilo ácido e crítico de Humberto não agrada nem um pouco integrantes do Governo Municipal. E o pior: setores ligados ao prefeito Carlos Antônio suspeitam da simpatia do padre pela candidatura do médico Léo Abreu (PSB), principal adversário do atual Chefe do Executivo cajazeirense.

Padre contra padre
No meio do imbróglio, aparece Padre Milton Alexandre, da cidade de Sousa, que chegou a afirmar que a saída de Humberto foi espontâne e acertada com o bispo, insinuando que o titular da Paróquia São João Bosco não foi pego de surpresa e até teria concordado com a saída diante do seu superior.

Mangueira chegou a ir a público desmentir as declarações do colega de batina. Milton, que é padre da Igreja Matriz dos Remédios, é apontado como o provável substituto de Humberto em Cajazeiras.

Força da hierarquia
Depois de tanta discussão, outra figura religiosa também bastante conhecida em Cajazeiras resolveu entrar no debate. Trata-se do padre Raimundo Honório, vigário que durante 24 anos atuou na Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Padre Raimundo tem 49 anos de sacerdócio.

Em entrevista ao programa Além da Notícia, da Rádio Oeste da Paraíba, ele disse que essas transferências corriqueiras feitas pela Diocese acabam se tornando um problema. Mesmo assim, não critica as decisões do Bispo. 

Raimundo Honório, analisando o caso, disse que a Igreja Católica não é democrática, mas também não é ditatorial, porém está fincada na linha de respeito à hierarquia eclesiástica.

Missão de Humberto Mangueira
Segundo ele, Dom José escolheu enviar Padre Humberto para a paróquia de Paulista porque sabe da sua capacidade administrativa.
Ele aproveitou para lembrar que mesmo depois de realizar inúmeras obras na São João Bosco, Padre Humberto deixa a paróquia com uma quantia de mais de 83 mil reais em caixa, mostrando assim o motivo da requisição.

“A paróquia de Paulista vem sofrendo um problema econômico muito sério; e eu sei a capacidade que Padre Humberto tem de organizar uma paróquia, porque, além de tudo que ele fez na São João Bosco, ainda tem mais de 70 mil reais em caixa. Isso mostra que a capacidade de administração dele é muito grande”, afirmou. 

src=https://www.diariodosertao.com.br/artigos/sendtmp/20071129103804/destaque/pe_raimundo.jpg"Protestos são em vão"
Padre Raimundo (foto) disse também que essa não é a primeira vez que fiéis se manifestam em massa contra a transferência de vigários. Mas reforça o que o próprio Dom José Gonzáles já havia antecipado: “quando o bispo toma uma decisão, é sinal de que ele já precisa do padre para aquela situação, e toda e qualquer manifestação não vai ajudar a resolver o problema; é praticamente em vão”.

Por fim, padre Raimundo pede que a comunidade nesse momento compreenda que as decisões do bispo são as mais sensatas possíveis. Segundo ele, Dom José tem o conhecimento de tudo que acontece em todas as paróquias, por isso sabe onde e quando é necessário fazer mudanças.

DIÁRIO DO SERTÃO

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