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Francisco Cartaxo

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Deusdedit Leitão quase centenário

12/05/2019 às 13h17

O pesquisador Deusdedit Leitão

Por Francisco Frassales Cartaxo

A figura de Deusdedit Leitão aflora sempre que escuto alguém falar da origem da Academia Cajazeirense de Artes e Letras, a ser instalada, no dia 24 de maio, no Cajazeiras Tênis Clube. Não é sem razão. A ACAL tem entre os seus objetivos preservar a memória de Cajazeiras. Ninguém melhor do que Deusdedit cuidou de fazê-lo. Com amor, dedicação e humildade. Por isso, transcrevo a seguir crônica, escrita em março de 2017. Faço, hoje, em homenagem aos 98 anos que ele alcançaria este mês.

O pesquisador Deusdedit Leitão. Deusdedit Leitão foi o maior pesquisador da história de Cajazeiras. Impossível conhecer a fundo o nosso passado, sem recorrer a seus registros. Ninguém o superou no trabalho paciente de coleta de informações em arquivos de igrejas e cartórios. Nestes locais, ele passava horas a fio a compulsar velhos papeis e livros de batizado, casamento e óbito; ou inventários e outros documentos, relicários de nossa história. Isso numa época em que as anotações eram copiadas à mão, depois de extenuante leitura de manuscritos, muitas vezes, exigindo a decifração de quase hieróglifos. São famosos, também, seus cadernos de anotações de atos administrativos publicados em jornais da capital.

Menino de calça curta, escutei intermináveis conversas dele com meu pai, no terraço da casa onde eu nasci. Ele compartilhava cópias de documentos, anotações e datas de acontecimentos e de figuras do passado de Cajazeiras. Fazia isso por amor ao conhecimento, ao prazer de costurar datas, nomes e fatos, em ilações reveladoras. Aquelas longas divagações entre dois intelectuais de gerações diferentes produziam em mim alegria e espanto. Só muitos anos depois vim ter consciência exata da influência que exerceram em minha formação.

Hoje as relembro como notável estímulo às pesquisas que empreendo no conforto do uso de instrumentos eletrônicos. Que contraste com a trabalheira de Deusdedit! Veja o que ele falou ao tomar posse, em 1978, na Academia Paraibana de Letras.

As pesquisas, no manuseio de velhos e poentos manuscritos, proporcionaram-me maior e melhor conhecimento das figuras que movimentaram nosso passado. A ânsia do irrevelado, daquilo que permanecia relegado ao pó dos arquivos, foi, ao longo de minha vida uma constante preocupação. Jamais me deixei animar pela pretensão do historiador, o que me empolgou foi a pesquisa; foi o trabalho paciente e meticuloso de colher e reunir em meu arquivo os informes que considerava da maior valia para esclarecimentos das minhas dúvidas e para elucidação dos pontos obscuros de alguns aspectos de nossa história, pondo-os nas mãos de quem deles necessitasse porque sempre entendi que não devia ir além da contribuição subsidiária que poderia emprestar aos estudiosos do nosso passado e de nossa gente.

Essa peculiaridade do seu trabalho levou Deusdedit Leitão à Academia Paraibana de Letras, embora já tivesse a imortalidade como membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Quando presidia a APL, o desembargador Aurélio de Albuquerque o desafiou:

Você é um bom pesquisador e por isso gostaria de lhe fazer um desafio. Nós temos na Academia uma cadeira vaga. Parece-me que ninguém ainda se habilitou a preenchê-la porque o seu patrono é quase desconhecido. Trata-se da cadeira número 16, você sabe alguma coisa sobre Francisco Antônio Carneiro da Cunha?

Isso se deu em 1978, 37 anos após a criação da Academia em 1941! Ao aceitar o desafio Deusdedit tornou-se o primeiro ocupante da cadeira 16. Das 30 cadeiras iniciais só aquela permaneceu vazia durante tanto tempo! Deusdedit foi a pessoa certa para desvendar o mistério de destrinchar a vida daquele patrono, indicado por Coriolano de Medeiros, mas quase desconhecido na Paraíba.

A paixão pela pesquisa histórica proporcionou a Deusdedit Leitão a oportunidade de, na Academia, alargar sua visão, ampliando sua contribuição à história da Paraíba. Voltarei ao assunto.

Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Escritor, filiado União Brasileira de Escritores/PE, ex-secretário de Planejamento da Paraíba, ex-secretário-adjunto da Fazenda de Pernambuco, ex-secretário-adjunto de Planejamento do Recife, Articulista semanal do jornal Gazeta do Alto Piranhas, de Cajazeiras, Consultor associado à CEPLAN, Consultoria Econômica e Planejamento.

Contato: cartaxorolim@gmail.com

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Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Escritor, filiado União Brasileira de Escritores/PE, ex-secretário de Planejamento da Paraíba, ex-secretário-adjunto da Fazenda de Pernambuco, ex-secretário-adjunto de Planejamento do Recife, Articulista semanal do jornal Gazeta do Alto Piranhas, de Cajazeiras, Consultor associado à CEPLAN, Consultoria Econômica e Planejamento.

Contato: cartaxorolim@gmail.com