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José Antonio

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Marcelo Holanda: um amigo que foi para a eternidade

07/08/2020 às 15h37

Coluna de José Antônio

Dos velhos amigos e contemporâneos do Colégio Diocesano Padre Rolim, Marcelo Holanda, era um dos que eu tinha mais aproximação. Quando iniciei meus estudos no então Colégio Salesiano, em 1959, Marcelo já estava com três anos na minha frente, mas seu irmão Rafael era meu colega de turma e terminamos junto o Curso Ginasial, em 1963, sob a batuta do inesquecível Monsenhor Vicente Freitas.

Nos nossos encontros pelas ruas da cidade, nas visitas que me fazia na Rádio alto Piranhas e mais recentemente pelo telefone, as nossas conversas, invariavelmente, tinham que “entrar” pelas veredas da memória sobre o velho educandário e nossos colegas, que naqueles idos tempos, formávamos uma família e havia muita fraternidade, tipo de ir estudar um na casa do outro, emprestar o livro ou caderno para anotar os assuntos das aulas quando faltávamos ao colégio.

Marcelo era assinante do Gazeta desde a sua fundação, em 1999, e gostava muito do jornal e muitas vezes me telefonou para comentar algumas noticias que ele considerava interessante. Algumas vezes me ligava dizendo: “Prof” (era como me tratava, talvez para economizar o restante das letras da palavra professor), “meu jornal amanheceu todo molhado da chuva desta madrugada, me mande outro” e de imediato era atendido, mas nunca deixou de retornar: “prof” já recebi e muito obrigado, mas sempre acompanhado de um comentário sobre alguma matéria.

Outro assunto que ele gostava muito de falar era sobre a política cajazeirense, principalmente no período das eleições municipais, fazia uns comentários lúcidos e umas análises, que lá na frente ele mesmo dizia: “eu não lhe disse que isto ia terminar acontecendo?” E dava aquela gargalhada, que eu sabia ser crítica.

Nunca me esqueci de um longo papo que tivemos sobre as nossas experiências de “dono de terra” e ele desfiava todas as suas experiências, principalmente os dos gastos e os resultados obtidos: dava uma boa gargalhada diante dos números: “veja o tamanho do prejuízo!”, mas concluía: é um passatempo divertido.

Marcelo sempre me teve uma atenção muito grande e num determinado dia, logo quando iniciamos a reativação do Instituto Histórico de Cajazeiras, ele me fez uma visita para me dizer que ia deixar sobre os meus cuidados um “peso de pedra” que foi usado pelo seu bisavô, Coronel Justino Bezerra, que foi prefeito por 13 anos de Cajazeiras, além de ser um grande produtor e comprador de algodão. Esta relíquia se encontra hoje numa sala do Casarão de Epifânio Sobreira, junto com outras peças do Museu de Cajazeiras.

No ano passado recebi um telefone dele: – “Prof”, “ – eu refiz uma assinatura da Revista Piauí, mas estou sem saco pra ler, vou mandar deixar aí pra você” e ainda envelopada no plástico, a cada edição, um portador chegava: entregue aí ao professor e diga que foi Marcelo Holanda que mandou. Eu ficava lisonjeado pela atenção e o carinho que ele tinha comigo.

Quando o Gazeta publicou um artigo de página inteira da lavra do Desembargador Ciro Darlan, do TJ do Rio de Janeiro, revelando ser filho de Domício Holanda, portanto irmão por parte de pai de Marcelo, bem cedo recebi um telefonema dele e me narrou como tudo aconteceu e se sentiu feliz pela aceitação do mesmo com a descoberta da existência de uma nova família, fato que ele já sabia e já tinha me falado sobre isto desde a primeira visita do desembargador a Cajazeiras para realizar uma palestra.

Marcelo era casado com Maria, que foi minha colega na Universidade, no Centro de Formação de Professores de Cajazeiras, pertencíamos ao mesmo departamento, embora ela fosse da área de Geografia e eu da de História e votou comigo quando fui candidato a Diretor do Campus de Cajazeiras. Eu e Antonieta externamos a nossa querida amiga e colega, e aos seus filhos e irmãos, os nossos profundos sentimentos de pesar pela Páscoa do nosso inesquecível amigo Marcelo, com a certeza de nossas orações.

Marcelo, o seu “Prof” jamais vai te esquecer e vai continuar querendo bem a Cajazeiras, igual ao amor que você tinha pela sua querida cidade, que você amava de paixão.

Eternas saudades, velho e querido amigo.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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