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José Antonio

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O rosário de meu pai

31/07/2020 às 10h26

Coluna de José Antônio

Meu pai, Francisco Arcanjo de Albuquerque, era um homem muito religioso e de muita fé em Deus. Não perdia sua missa dominical, sempre acompanhado de minha mãe e dos filhos.

Quando ele se casou, em 1945, na Capela de Nossa Senhora Aparecida, no Distrito de Engenheiro Avidos, município de Cajazeiras, uma das condições que teria colocado para minha mãe era a de que minha avó Isabel Rodrigues de Albuquerque, conhecida por Dona Bilinha, fosse morar com ele, já que ficara viúva muito jovem, quando meu pai tinha apenas oito anos de idade, foi ele que teve que trabalhar para sustentar a ela e a única irmã Beatriz. E minha mãe aceitou de bom grado a proposta de meu pai.

E minha avó Bilinha teve um papel importante na formação dos netos que iam nascendo. E foi ela que me ensinou a rezar, como também as minhas cinco irmãs mais velhas: Linda, Neide, Francineide, Lúcia e Socorro. Ela era que nos salvava das surras que levávamos de nossos pais, para castigar e corrigir os erros e traquinagens dos filhos. Bradava ela: “nos meus netos ninguém bate”.

Meu pai usava desde muito jovem um rosário no pescoço, cujas contas eram enfiadas numa linha zero e toda a noite sentava na cama, antes de dormir, e debulhava cada continha azul, que representavam as ave-marias e as brancas para o pai-nosso. Era a hora de agradecer a Deus pelo dia. Esta imagem de religiosidade nunca saiu da minha memória, bem como quando minha avó me colocava em seu colo para me ensinar a rezar.

Meu pai tinha no dedo, junto com sua aliança, um anel de ouro, com a imagem de São Jorge, montado num cavalo, esculpido em alto relevo, que foi “herdado” por seu neto mais velho Francisco Sávio e é uma das relíquias da família.

A religiosidade de meu pai era algo que chamava a atenção: a melhor roupa, calça e camisa de linho, engomada na goma, chega brilhava, era para a missa dominical. Era um grande fã de Frei Damião e nas missões acordava as quatro horas da manhã para acompanhá-lo pelas ruas da cidade em procissão, rezando e cantando benditos e a noite assistia a missa e a pregação e num dia especial convidava Frei Damião para ir a sua casa para abençoar toda a família e receber uma “colaboração” para o convento do Recife, sempre recebido por Frei Fernando. Existem vários registros fotográficos dele ao lado de Frei Damião, que o considerava como um Santo, já que havia curado uma pessoa muito próxima dele.

Tinha grandes amigos entre o clero de Cajazeiras, dentre eles Monsenhor Vicente Freitas, que além de fazer parte da Ceia de Natal e do Ano Novo era um frequentador habitual dos almoços preparados por minha mãe e adorava tomar um guaraná Antártica. Esta sólida amizade foi construída desde o tempo em que foi diretor do Colégio Diocesano Padre Rolim e Vigário da Catedral.

Outro sacerdote que se tornou muito íntimo da família foi Monsenhor Luís Gualberto de Andrade, tendo feito quase todos os casamentos de seus filhos. Nas andanças de Padre Gualberto para resolver os problemas da Faculdade de Filosofia, em Recife, existia, no apartamento onde moravam os filhos de Arcanjo, que era conhecido como o “quarto de Padre Gualberto”, onde ali se hospedou por inúmeras vezes e por incrível, ainda hoje é conhecido por este nome, quando se refere aos cômodos do apartamento.

Havia admiração muito grande de meu pai pelo Bispo Zacarias Rolim de Moura, fato que facilitou 100% quando da “compra” da Rádio Alto Piranhas, em 1983. A amizade entre Dom Zacarias, Padre Gualberto e Arcanjo Albuquerque foi decisiva na transação e negociação, ao ponto de não se assinar, no primeiro momento, nenhum documento: todos acreditaram na palavra empenhada.

Meu pai, sempre colocava Deus na frente de todos os seus negócios e isto o fez um homem de muita fé, de muita crença e temente a Deus. Gostaria de ter ficado com seu rosário e de ter tido a fé que ele teve, de ser caridoso e humilde como ele. Quando estou “aperreado” vou ao cemitério rezar no seu túmulo e me “aconselhar” e volto fortalecido.

O rosário era o símbolo maior de sua crença e religiosidade.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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