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Mariana Moreira

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Saber da escolha

02/08/2019 às 07h57

Coluna de Mariana Moreira

Nestes tempos em que fritar hambúrguer é prerrogativa para a indicação a função de embaixador, ou que a resposta oficial para solucionar o crescimento da violência sexual, do feminicídio, da exploração turística do sexo é a produção e distribuição de calcinhas a sabedoria popular nos recomenda um ensinamento para entender essa situação, qual seja “comer o angu pelas beiradas enquanto o miolo esfria”.

Ensinamento que traz uma interpretação dupla para a ação humana.

De um lado, revela como a prudência pode ser uma salutar alternativa para dirimir e resolver situações que, a priori, se apresentam complexas. É preciso conhecer, avaliar, aquilatar todas as possibilidades para que, com sensatez e, sobretudo, com ética, construa soluções e respostas que produzam os efeitos necessários à resolução de problemas e situações que causam angústia dor, desassossego. Assim, não se meter no calor do miolo que queima, sapeca e fumega, mas ir, com modéstia, explorando as múltiplas alternativas que o sólido terreno oferece se revela mais correto.
Por outro lado, o ensinamento popular também apresenta outra versão que mostra o lado mais ignóbil, mais vil das ações humanas. Sobretudo, quando tais ações são motivadas e ancoradas em interesses escusos, abjetos e, principalmente, desumanos.

Essa, portanto, parece ser a estratégia que nos revela as ações do atual governo brasileiro. Enquanto as beiradas vão sendo devoradas com fatos e factoides com alto grau de sedução para a opinião pública, o miolo queima e arde com a adoção de políticas, programas e atitudes governamentais que vilipendiam nosso patrimônio, destroçam direitos e garantias individuais e sociais historicamente constituídas por lutas, resistências, sacrifícios humanos.

Enquanto a opinião pública polemiza se é correto e ético um fritador de hambúrguer assumir o mais importante posto da chancelaria brasileira ações de governo reduzem orçamentos em educação, liberam a comercialização e uso de produtos que contaminam solos e águas, exterminam natureza e agridem de morte o futuro. Transformam direitos em privilégios de poucos e lançam ao vento legislações, normas, organismos de proteção e salvaguarda de populações historicamente vulneráveis.

Enquanto o país ri, acha engraçado, se espanta com as estapafúrdias atitudes do governante mor, vamos privatizando e entregando ao grande capital internacional setores que são estratégicos para o desenvolvimento soberano da nação. Assim acontece com a venda de um setor importante da PETROBRAS, com programas de demissão voluntária que escancaram as portes da privatização de bancos e estatais. Assim acontece com a proposta de extinção das universidades públicas e institutos federais de educação que, gerenciados por organizações sociais, deve ter como substrato máximo de sua experiência a produtividade, o lucro, o empreendedorismo. Assim, ciência, conhecimento, saber se convertem em mercadorias avaliadas e auferidas por demandas de mercados.

Ah, mas não esqueçamos também que neste miolo que arde e se esconde sob os holofotes das beiradas recheadas de trapalhadas, reside, se configura e se consolida um país que desmorona e se curva aos interesses dominantes no compasso do crescimento da fome, da violência, do extermínio, da contaminação de morte passado e futuro.

Portanto, sejamos sábios para, da sabedoria popular extrair o que ela nos recomenda como inteligência e arte de sobreviver, mesmo quando a vida diz não.

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br