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Cristina Moura

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Vale dez

23/09/2021 às 23h34

Coluna de Cristina Moura. (Imagem ilustrativa - Crédito: Jarbas Oliveira).

Por Cristina Moura

Desde o momento em que eu assumi o lugar de professora, passei a agradecer muito mais a todos os meus mestres, de todas as disciplinas, de todos os momentos da minha trajetória intelectual. Sinto que o lugar é sagrado. Não é um poder qualquer. Aquele poder de demonstrar autoridade, de mandar calar, copiar ou sentar. De autorizar algo, de conceder licença, de aplicar testes. Não se trata disso. É um poder que parece sobrenatural: mudar a vida de qualquer pessoa que esteja presente no espetáculo.

Essa mudança é mais do que se mexer da direita para a esquerda; é uma verdadeira transformação. Tudo isso se o aluno quiser. O grau de importância dessa simples equação talvez somente o professor saiba decifrar, em detalhes. Melhor ainda eu sendo jornalista. Na sala, parece mesmo levantamento de pauta. E tenho que fazer, às vezes, papéis de mãe e psicóloga, amiga e tia, conselheira e vizinha. Todos juntos, mesclados ou combinados. Incontáveis episódios, em tão pouco tempo.

Se eu não tivesse o lombo de macaca quase velha de reportagens serenas ou perigosas, jamais veria em cada olhar algo a mais: um terço de coragem ou amargura, soberba ou otimismo, fantasia ou superação. Às sextas-feiras, eu e meus alunos,muitas vezes, achamos de conversar e jogar criptogramas, forcas, palavras-cruzadas, gincanas de palavras, e o prêmio é chocolate, paçoca, jujuba, qualquer coisa simbólica. Não sei se é meritocracia, se a brincadeira é antipedagógica, se a ferramenta é antididática. Sei que é Língua Portuguesa, e brasileira.

Passei uma atividade de Literatura que acaba se repetindo ano a ano e, claro, nunca é trabalhada de forma idêntica, para a nossa sorte. Talvez eu tenha falado noutra crônica. Primeira parte: sorteio dos temas. Os trabalhos são surpreendentes, diversos e muito ricos. Os grupos produzem uma revista em quadrinhos ou outra publicação alternativa, um blog, uma peça de teatro, uma apresentação musical ou uma exposição de artes visuais, cuja base pode ser colagem, desenho, pintura, escultura ou fotografia. Todos aprendem mais. Divertem-se. Fazemos um dia especial para o lançamento dos produtos. Uma festa no pátio ou na quadra: tem que juntar gente. O figurino é todo customizado, com elementos baratos e criativos. Um encanto. Agora venha me dizer se isso é ou não é Língua Portuguesa. É o baú da felicidade. Vale dez pontos.

Com carinho e sensibilidade, aprende-se mais. Agradece-se mais a quem passou, escreveu sua história e deixou um acervo gigante compartilhado. Quero me lembrar do nosso estimado Inácio de Sousa Rolim, que além de sacerdote era professor. Veio ao mundo com duas honrosas missões. A terra das frondosas cajazeiras foi a primeira da província a fundar um colégio, pelas mãos desse homem. Estamos falando de um tempo envolto num novelo de mais de cento e setenta anos atrás. Estou por imaginar quantos calendários, ladeiras, flores e tempestades. Desse período até os dias atuais, passamos a dizer, a rodo, em qualquer ponta de rua ou casarão, quermesse ou solenidade, graças ao filho de Vital e Ana, que nossa cidade ensinou a Paraíba a ler. Os dizeres ficaram imortalizados com a brilhante oratória do jurista Alcides Carneiro. Sou fruto dessa grande árvore-escola. Sua benção, Padre.

Cristina Moura

Cristina Moura

Jornalista e Professora cajazeirense, radicada no estado do Espírito Santo.

Contato: moura.cristina@gmail.com

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Cristina Moura

Cristina Moura

Jornalista e Professora cajazeirense, radicada no estado do Espírito Santo.

Contato: moura.cristina@gmail.com

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