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No especial do Mês da Mulher, deputada estadual sertaneja Pollyana Dutra fala sobre a força do Sertão

No Especial do Dia Internacional da Mulher da ALPB, Pollyana conta como combateu o machismo no Sertão do estado

Por Diário do Sertão com ALPB

08/03/2019 às 10h28

Deputada estadual da cidade de Pombal, Pollyana Dutra

A deputada estadual Pollyana Dutra talvez seja a potiguara que mais conhece a realidade dura do Sertão paraibano. Residindo no município de Pombal desde que ainda era criança, Pollyana conseguiu, em pouco mais de uma década, se estabelecer na história da política paraibana como uma das primeiras mulheres a ocupar postos de poder.
Na cidade que a adotou, Pollyana foi prefeita de 2008 a 2016, vencendo duas eleições consecutivas. Pelo reconhecimento do trabalho realizado na prefeitura, foi nomeada em fevereiro de 2017, secretária Executiva de Desenvolvimento e da Articulação Municipal, na gestão do ex-governador Ricardo Coutinho.

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Hoje, além de ser mãe de três filhos, a deputada assume o desafio do seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), onde também foi eleita presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e membro da Comissão da Mulher.

No Especial do Dia Internacional da Mulher da ALPB, Pollyana conta como combateu o machismo no Sertão do estado e explica quais são os objetivos traçados para a valorização feminina nos espaços de poder historicamente destinados aos homens.

A senhora já ocupou espaços sociais que antes não eram ocupados por mulheres, ou que nunca tiveram mulheres em situação de protagonismo?

Pollyana Dutra: Sim, já. Eu sou médica veterinária e terminei o curso no momento que a profissão era, predominantemente, machista. A minha turma era composta por 35 alunos, sendo 30 homens e cinco mulheres. Eu fui até o fim e terminei [o curso] com duas mulheres: eu e mais outra menina dentro da blocagem. Também fui pesquisadora da Embrapa, um órgão que só tinha homens e apenas eu de mulher, em um projeto de avicultura bem relevante lá no estado do Rio Grande do Norte. Mas, eu sempre fui muito ousada e sempre quis ocupar espaços que até então diziam que a mulher não podia. Fui contra isso e quebrei os paradigmas e disse: “Sim, pode. A mulher pode ocupar qualquer lugar desde que ela tenha muita determinação com isso”.

Como foi ingressar na carreira política? Foi um desafio para você fazer a campanha? Em algum momento se sentiu em desvantagem dentro de um cenário que dá mais credibilidade a candidatos homens?

Pollyana Dutra: Eu fui criada numa região muito carente, uma região desprovida dos direitos básicos. Eu fui criada numa região que faltava acesso à água, onde faltava acesso à educação superior, onde faltava acesso à saúde. Esses eram os direitos básicos. E eu cresci ouvindo dizer que isso era culpa da seca e eu sabia que não era. Então, eu me senti na responsabilidade de fazer com que as políticas públicas chegassem à minha região, na minha cidade e no meu entorno. Eu me candidatei exatamente porque acho que a política é quem tem que dar essas respostas. E me candidatei, ganhei e sempre fui uma mulher muito firme, de decisões firmes. Uma mulher que enfrentou vários obstáculos, mas que não desistiu da causa.

É claro que existem as dificuldades. A gente está numa sociedade muito patriarcal, principalmente no interior do estado, que ainda é muito forte a questão do machismo, do homem achar que manda nas mulheres, que manda nos partidos e na política. Mas, naquele momento, a sociedade carecia de uma mulher, que acima de tudo tem um olhar de mulher, tem o olhar feminino de uma mulher madura. A gente quando passa pela maternidade fica mais sensível às causas sociais e a temas relevantes: a mulher, a sociedade e a família. Eu acho que a sociedade precisa desse momento de encaixes de mulheres, tanto nesses espaços de poder na política, como no empreendedorismo, nas universidades. Enfim, a mulher tem que estar por igual nessa competição. Acho que é isso que está faltando.

Como a senhora se sente tendo conquistado seu espaço aqui, no Poder Legislativo, mesmo tendo que enfrentar uma grande dificuldade de gênero, que faz com que as mulheres sejam uma minoria de cinco entre 36 deputados?

Pollyana Dutra: É uma grande responsabilidade, não só chegar aqui e ocupar esse espaço, mas dar resposta às mulheres. Eu me sinto no dever e no compromisso de fazer com que temas ligados a mulher tenham um debate de alto nível. Quando você vota numa mulher, você não vota só em uma, se está votando em uma grande quantidade de mulheres que querem ser representadas pela mulher. A mulher é solidária e tem esse espírito de proteger, de cuidar, de ouvir umas às outras e isso é importante. Acho que a minha presença aqui vai ser uma presença forte, de uma mulher forte que quer empreender e que quer dar repostas à política e estimular outras mulheres a ocupar espaços de poder relevantes. Algumas matérias que, aqui nesta Casa, vão refletir na mulher, têm que ser debatidas pela mulher. E estar aqui é um momento muito importante, de alto nível, e que minha presença possa inspirar outras mulheres a participar também e a gostar da política como eu gosto.

Recentemente você foi eleita presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). O que motivou a se candidatar para o cargo? Quais são seus planos para esse novo desafio?

Pollyana Dutra: Eu entrei aqui, na Casa, com o objetivo de crescer, e [para isso] eu precisava estudar melhor o [Poder] Legislativo. Eu venho do Executivo, de prefeituras, e já tinha uma experiência nesse diálogo do Executivo com o Legislativo e o que me fez entrar na CCJ foi a ansiedade e a sede de, pedagogicamente, entender melhor a Casa, os projetos e poder compartilhar essa experiência que eu trouxe lá do meu município. Também farei uma mediação correta do Legislativo com o Executivo, ser uma mediadora, uma porta-voz da CCJ com a própria Casa e com o Governo do Estado da Paraíba.

Por consequência dos índices de feminicídio, o tema tem sido bem debatido na mídia, na política e está mobilizando ações de combate ao crime contra a mulher. Como a senhora avalia a conjuntura do nosso estado? O que pode ser feito para diminuir essa realidade?

Pollyana Dutra: Eu percebo que há um novo autoritarismo na sociedade. Recentemente, a violência era muito grande nos lares de mulheres com crianças e há pouco tempo que a gente tornou isso público e que a sociedade foi se envolver realmente com isso. A violência tem várias linguagens. Tem a linguagem no lar, que às vezes é muito feroz como os homens tratam as mulheres. Tem a linguagem no trânsito, no ambiente de trabalho, nos espaços que a mulher participa e isso tem que ser tratado com muito cuidado nesses espaços de poder e no Legislativo principalmente, que é onde a gente constrói as leis.

Mas, a sociedade precisa parar um pouco e ver que isso não é normal. Eu não encaro como normal. A cada vez que eu vejo os números de mulheres assassinadas, eu encaro isso com muita tristeza e fico muito indignada. Essa violência precisa ser banida e as leis precisam ser mais severas quando o crime é praticado contra a mulher. Quando a gente vê uma mulher que morre no lar, não é somente uma mulher que morre, é a desconstrução do lar e a sociedade que fica ferida. Esse é um assunto que a gente precisa, sim, parar e ver que isso não está normal.

Para finalizar, gostaria de deixar alguma mensagem para as mulheres paraibanas?

Pollyana Dutra: Quero dizer às mulheres que nós podemos estar em qualquer espaço de poder na sociedade. Podemos ser mãe, podemos ser esposa, podemos ser namoradas e podemos, acima de tudo, ser o que a gente quiser: ser mulher.

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