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Jornalista sousense publica artigo e faz relato sobre o racismo e a morte do americano George Floyd

Ítalo é natural da cidade de Sousa, no Sertão do estado e trabalha há anos como jornalista da rede Globo

Por Campelo Sousa

07/07/2020 às 09h39 • atualizado em 07/07/2020 às 09h41

Sousense Ítalo Rocha Leitão

O jornalista Ítalo Rocha Leitão publicou um artigo onde abordou o racismo e a morte do americano George Floyd.

Ítalo é natural da cidade de Sousa, no Sertão do estado, e trabalha há vários anos trabalha na Rede Globo em Recife, capital do Pernambuco.

Confira o artigo na íntegra!

“Os casos de violência policial nos Estados Unidos, com a morte do negro americano George Floyd, em maio, e do espancamento de uns rapazes em São Paulo, no mês passado, chocaram o mundo porque somos milhões de cinegrafistas, cada um com uma câmera na mão. Dessa forma, a punição dos acusados pelo poder público fica mais passível de acontecer. E como era tratada essa questão em épocas que só existia a palavra das vítimas para retratar os espancamentos que sofriam por policiais?

Os episódios levam à longínqua década de sessenta, quando o advogado João Agripino foi eleito para governar a Paraíba, em 1965. Época marcada por muita violência policial em todo o Estado. Do Litoral ao Sertão, os relatos de atrocidades se multiplicavam. Registros importantes estão no livro “Agripino – O Mago de Catolé”, do jornalista paraibano Severino Ramos.

Nos palanques, o candidato se comprometia em acabar com essa violência policial, voltada principalmente para pobres e pretos. Vitorioso, João Agripino jurou abraçar a causa que passara a campanha defendendo.

Com pouco mais de um mês sentado na cadeira de governador, resolveu dar uma volta pela área central de João Pessoa, onde fica o Palácio da Redenção. Tinha como costume andar a pé mesmo. Naquela manhã, o calor se fazia sentir mais forte e ele resolveu afrouxar a gravata.

Depois de dar os primeiros passos, ainda na calçada do Palácio, foi abordado por uma senhora de aparência humilde. 

Governador, o senhor prometeu acabar com a violência policial. Eu ouvi o senhor dizer isso num comício, ouvi também na rádio e meus vizinhos sempre comentavam nas conversas de calçada. O senhor vai mesmo fazer isso?

Fumante inveterado, o governador cuidou logo de acender um cigarro. Sereno, calmo, como sempre se portou, olhou para os olhos daquela pobre senhora e perguntou por que ela estava duvidando?

A mulher ficou um pouco trêmula, respirou fundo e disparou à queima roupa o que havia passado há poucos dias:
“Governador, fui espancada pela polícia e ainda estou cheia de marcas. Se quiser, governador, posso lhe mostrar, com todo o respeito que o senhor merece”.

O governador ficou chocado com o ar de sinceridade daquela pobre mulher. E, quando a olhou mais atentamente, percebeu que ela estava grávida. Em seu relato, ela contou que o cabrito que criava pulou a cerca do vizinho e comeu umas verduras da horta. O vizinho pegou o animal e jogou na sala da casa dela, quebrando alguns pequenos jarros. Em resposta, ela disse uns desaforos ao agressor, que chamou a polícia. Quando os soldados chegaram, ela não quis que os policiais entrassem na casa porque estava grávida e merecia um tratamento melhor. Levou socos, ponta-pés e puxão de cabelo. A confusão toda se deu em Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa.

João Agripino puxou sua caneta Parker, um pequeno bloco de papel e anotou com todo o cuidado o endereço dela e os pontos de referência. A senhora vai ter uma resposta, prometeu o governador. Naquele mesmo dia, pediu ao secretário de Segurança Pública que indicasse um delegado para investigar o caso. Exigiu pressa na apuração. 48 horas depois, recebeu o resultado: a denúncia era falsa. Não tinha acontecido nada daquilo. O governador estava calado e calado ficou. No dia seguinte, ligou de novo para o secretário e pediu que ele fosse até sua casa no sábado, às sete da manhã.

No horário combinado, lá estava o secretário na casa do governador. Entraram no carro oficial e rumaram para Bayeux. No percurso, contou ao seu assessor que ia até à casa da denunciante passar aquela história a limpo. Quando aquele enorme carro preto parou no endereço da dona do cabrito, foi um corre-corre. Todo mundo reconheceu o recém empossado governador. A dona da casa quase desmaiava. A pedido, repetiu a história. E acrescentou que alguns vizinhos tinham visto tudo. O governador mandou chamá-los. Os relatos eram idênticos. O secretário argumentou que tinha sido enganado pelo delegado. Ao chegar em João Pessoa, o governador demitiu o delegado e expulsou os soldados envolvidos no espancamento daquela mulher, pobre e preta. Outros casos emblemáticos de combate à violência policial aconteceram na gestão de João Agripino.  Ele terminou seu mandato com uma baixa de 700 policiais num efetivo de 3 mil e 200 homens. A maioria das expulsões tinha relação com a violência policial.”

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