VÍDEO: Com açudes e poços secando, agricultores do Alto Sertão da Paraíba sofrem com falta de chuvas
Os reservatórios continuam secos, o pasto para os animais ainda é promessa e o roçado ainda não recebeu os primeiros grãos do plantio. Reportagem especial da TV Diário do Sertão ouviu agricultores que lamentaram a situação
As primeiras nuvens de 2026 começam a desenhar um novo horizonte no Sertão da Paraíba. Mas, entre o verde que ensaia brotar e o solo que ainda racha, o agricultor vive o dilema entre a espera e a sobrevivência.
O cenário nas estradas do Sertão paraibano ganhou um novo tom. É um contraste vivo: o verde timidamente se mistura ao cinza do solo castigado. Mas, para quem vive da terra, a beleza do horizonte ainda não resolve a dureza do dia a dia.
Os reservatórios continuam secos, o pasto para os animais ainda é promessa e o roçado ainda não recebeu os primeiros grãos do plantio.
LEIA TAMBÉM:
O agricultor Francisco Mangueira, conhecido como Edifram, acredita que a perspectiva para chuva é pouca e explica como tem feito para irrigar a plantação de graviola – sustento da família – durante o período de estiagem.
“Na minha opinião, a perspectiva para inverno é muito pouca, porque choveu em dezembro, não foram chuvas bem significantes, foram chuvas pequenas, concetradas em algum lugar. E agora, mês de janeiro, praticamente não choveu, passou uma neblina que nem sequer marcou milímetro, foi menos de um milímetro. A gente vai se virando com um ovo de galinha que cria. Estou esperando chover para plantar dentro da graviola, fazer um complemento da roça ali do outro lado e esperar que os açudes encham para que a gente tenha uma irrigação”, disse.
O medo do homem do campo é um só: que o céu se feche antes da água cair. A preocupação não é isolada; é um eco que percorre as comunidades rurais. Arnold Aquino, produtor rural, que lida com a manutenção de poços artesianos, faz um alerta que pesa no coração da região: os lençóis freáticos estão baixando. A fonte que vem do fundo da terra está ficando escassa.
“Ha 25 anos que a gente trabalha com manutenção de poços artesianos e a cada ano tem novidades nessa área de poços. A gente sente que o lençol freático está escaço. Poços que dão uma vazão boa, vazão satisfatória, porque na nossa região quando um poço dá mil litros/hora, a gente já considera um poço bom, por conta da nossa região. E esses poços, raramente estão sustentando aquela vazão que foi conferida há dois anos atrás. Poços secando, diminui 50%. Há deles que sustenta as vazões, mas a maioria está em estado de calamidade”, lamentou Arnold.
Na propriedade de Dona Irani Mangueira, o cenário é de resistência. O açude, que deveria garantir o ano, é hoje apenas um espelho de lama. Sem pasto natural, ela — como tantos outros pequenos produtores — precisa se desdobrar, buscando alternativas para não deixar o gado morrer de fome.
“Se não chover, não tem como nem sobreviver os bichos. Essa pouca água que tem ai, foi da chuva de dezembro. Duas chuvinhas, pequenas. Se não tivesse, nem isso tinha. Se não chover, não tem como não, não tem ração, não tem água, não tem mais nada, fazer o quê? Nem onde comprar vai ter. Ah, quando chove é muito bom! Fica tudo verde. Tinha um poço, era mil litros d’água, mas secou, não tem mais não”, disse dona Irani.
A chuva generosa, capaz de encher os grandes açudes, ainda não se confirmou em 2026. Mas, no Sertão, a esperança é uma semente que não depende de previsão do tempo. Ela permanece viva, guardada no peito de cada sertanejo.
“O sertanejo forte ele tem que ser otimista, porque se você baixar a cabeça, nada faz, nada vence”, comentou Arnold Aquino.
“A chuva é abençoada, a água da chuva. A irrigação, por boa que seja, ela não produz igual a chuva, o inverno é outra coisa, bem diferente”, acrescentou seu Francisco Mangueira.
“Muita esperança, até o dia 19 de março, dia de São José, vai chover, se Deus quiser”, finalizou dona Irani.
- Dona Irani acredita que até dia 19 de março, dia de São José, a chuva surgirá nos céus do Sertão – Foto: Priscila Tavares/Diário do Sertão
- Dona Irani pede ajuda aos céus – Foto: Priscila Tavares/Diário do Sertão
A esperança sertaneja é forte como a planta que brota na terra seca; uma fé que se renova a cada nuvem que aponta no nascente, tingindo o futuro de esperança.
Mais fotos:
DIÁRIO DO SERTÃO
Leia mais notícias no www.diariodosertao.com.br, siga nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e veja nossos vídeos no Play Diário. Envie informações à Redação pelo WhatsApp (83) 99157-2802.









Deixe seu comentário