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Proprietário da farmácia mais antiga de Cajazeiras celebra aniversário de 89 anos e recebe homenagens

Seu Natércio da Farmácia nasceu em 23 de dezembro de 1931 na cidade de Catolé do Rocha, sertão paraibano e iniciou a trajetória de trabalho desde muito cedo em sua terra natal

Por José Dias Neto

23/12/2020 às 11h45 • atualizado em 23/12/2020 às 15h28

Seu Natércio da Farmácia celebra 89 anos de vida e recebe homenagens da família. Foto: Arquivo da família

O patriarca da família Gonçalves Barreto, Natércio Gonçalves Barreto, ou simplesmente, Seu Natércio da Farmácia, celebra nesta quarta-feira (23), 89 anos de uma vida dedicada à família e ao sertão da Paraíba.

Filho de Lindolfo Gonçalves e Maura Isidro de Melo, ambos, agricultores, Natércio nasceu em 23 de dezembro de 1931 na cidade de Catolé do Rocha, sertão paraibano.Seu Natércio da Farmárcia iniciou a trajetória de trabalho desde muito cedo em sua terra natal.

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A união conjugal com Maria Mendes Barreto lhe proporcionou a dádiva de ser pai de nove filhos, ambos com atuação destacada em toda a Paraíba.

Seu Natércio com colaboradores e familiares. Foto: Arquivo da família

HOMENAGEM DOS FILHOS

Ao Diário do Sertão, os filhos de Seu Natércio enalteceram importância do pai no seio familiar e destacaram sua grandeza como ser humano, exemplo para todos.

“Pai, como é gratificante para nós festejarmos esta data tão especial de 89 anos. Sabemos da satisfação para nós filhos de um homem de tão grande presteza, honradez, caráter e tantos outros… Somos agradecidos pelos seus ensinamentos de grande pai. Neste dia queremos desejar nossos sinceros parabéns por seu aniversário e especialmente pelo que fez e faz em nossas vidas ao longo desses anos com os seus bons exemplos de conduta e respeito. Temos a esperança levada conosco em suas palavras. Que Deus ilumine e permita vida longa’’ essa foi a mensagem dos filhos para Seu Natércio.

Seu Natércio em sua propriedade na zona rural de Cajazeiras. Foto: Arquivo da família

PRIMEIROS PASSOS

Seu primeiro trabalho foi aos sete anos de idade numa padaria. Aos 14 anos foi convidado a trabalhar em uma empresa exportadora de couros, uma das maiores da América Latina, instalada em Campina Grande a convite do senhor José Alencar, agente da empresa. Trabalhou por um período de 10 anos tornando-se especialista em couro silvestre.

Em 1958, mudou de profissão passando a ser construtor contratado pela empresa LAVOR CONSTRUTORA, na época, a maior na Paraíba. Foi administrador, nas terras da região de Pombal e construiu, durante sua gestão o açude MUFUMBO.

Natércio trabalhou na VIAÇÃO ANDORINHA E GAIVOTA do empresário João Rodrigues. Em meados de 1960 decidiu trabalhar por conta própria montando seu próprio negócio, um barraco, nas proximidades do terminal ferroviário que lhe favorecia atender a viajantes servindo, café, lanches, almoço, jantar, caldos e sopas.

Seu Natércio é proprietária da Farmácia Cruz Vermelha, a mais antiga da cidade e que ainda está aberta. Foto: Arquivo da família

Dessa forma, inicia-se a trajetória bem sucedida de um homem determinado a desenvolver seus negócios através de dedicação e muito trabalho. Com ascensão do seu comércio e a pedido de seus amigos e clientes das mais variadas classes sociais, Natércio decide montar uma pousada, que depois passou a ser o HOTEL CACIQUE.

Em 1975, aos 44 anos, Natércio compra a FARMACIA CRUZ VERMELHA do Sr. Valdomiro, fundada em 1924. Consolidando assim seu comércio como a mais antiga e tradicional farmácia da cidade de Cajazeiras.

TRAJETÓRIO DE TRABALHO E SUCESSO

Em uma rara entrevista, prestada ao radialista Nilvan Ferreira, à época, da rádio Arapuan FM, Seu Natércio conta detalhes da sua trajetória e momentos marcantes que vivenciou. A sabatina foi transcrita na íntegra pelo jornalista Gualbio Mendes, que é filho de Seu Natércio, e o leitor pode conferir a seguir.

NILVAN FERREIRA: Seu Natércio o senhor é de Cajazeiras?

Seu Natércio: Sou não, sou de Catolé do Rocha, mas tá com 61 anos que cheguei em Cajazeiras.

NILVAN FERREIRA: O senhor chegou aqui novo?

Seu Natércio: Com 14 anos de idade.

NILVAN FERREIRA: Veio com os pais?

Seu Natércio: Não, não…perdi meu pai com oito anos de idade e minha mãe com nove.

NILVAN FERREIRA: Então foi criado por quem?

Seu Natércio: Fui criado pelos tios na casa de um e de outro, mas, todos trabalhavam.

NILVAN FERREIRA: E o que foi que trouxe seu Natércio Gonçalves Barreto novinho ainda aqui pra Cajazeiras?

Seu Natércio: Foi a maior exportadora de pele de couro da América do Sul que veio pra Campina Grande, e entrou lá um cidadão muito meu amigo que me admirava muito, dizia ele que me admiriva muito né, ai foi em Catolé do Rocha me buscar em 1945 ai eu vim com ele pra Cajazeiras pra comprar couro..e especialmente couro silvestre…então comecei com ele comprando couro ali na praça coração de Jesus ali em frente a farmácia cruz vermelha…não tinha pés de castanholas era pé de trapiá então uma novilha de cera e eu ficava debaixo de um pé de trapiá daquele comprando couro pra levar pra Campina Grande e de Campina Grande pra Inglaterra.

Seu Natércio e seu filho Doutorzinho da Farmácia. Foto: Arquivo da família

NILVAN FERREIRA: Aí nisso o senhor se apegou a essa cidade?

Seu Natércio: Fiquei por aqui…trabalhei 10 anos com esse cidadão…nessa empresa…e Zé Alencar era o agente aqui pai de Joaquim Alencar… a mãe dele era minha prima legitima…quando Zé Alencar foi me pegar em Catolé do Rocha eu já tinha feito beneficio pra ele né..entende como é…ele..tinha havido um negócio com ele, ele tinha sido preso no Rio Grande do Norte…e eu saí de Catolé do Rocha com idade de 12,13 anos montado numa jumentinha ia pra Pau dos Ferros no quartel de Pau dos Ferros buscar um negócio pra esposa dele lá em Catolé.

NILVAN FERREIRA: Aí decidiu morar aqui de uma vez?

Seu Natércio: Ai fiquei por aqui..deixei ele uma, duas, três vezes, onde eu tivesse ele vinha me buscar…aí quando foi em 1957 pra 58 eu deixei ele de uma vez…não fiquei mais porque houve um desentendimento.

NILVAN FERREIRA: Depois de vender e comprar couro pra mandar pra Campina Grande aqui na pça coração de Jesus, seu Natércio optou por fazer o que pra ganhar a vida?

Seu Natércio: Eu trabalhei na construtora LAVOR ainda…era a construtora maior que tinha aqui na Paraíba.

NILVAN FERREIRA: Trabalhou de que?

Seu Natércio: Trabalhei de administrador na construtora…nas terras da região de Pombal…aquele açude que tem pra cá de Pombal…chamam mufumbo foi construído na minha administração…aí trabalhei com João Rodrigues dono da viação Andorinha nesse tempo era Gaivota…me chamou pra trabalhar com ele…aí fiquei trabalhando com ele, trabalhei um ano com ele…ai pedi pra botar outro no meu lugar…ele disse: “não, não to botando você pra fora”..e tal..digo! mais eu vou sair.. “vai trabalhar com quem?” eu digo, com nimguém! Não vou mais trabalhar de empregado com nimguém! Aí..fui botei um barraco.

NILVAN FERREIRA: Pra vender o que seu Natércio?

Seu Natércio: Nesse tempo não tinha rodoviária não, só tinha um posto de gasolina texaco, mas, tinha a usina de algodão ali Galdino Pires, aí eu botei o barraco pra vender café, vender bebida, vender a troçada…quando foi com 15 ou 20 dias que eu tinha botado o barraco chegou uns amigos aí..Antonio Rolim que era do Banco Agrícola, Chico Rolim que era nesse tempo vereador ainda não era prefeito era vereador tinha loja…e Raimundo Ferreira que era dono da Viação Brasília, nesse tempo Raimundo Ferreira não tinha rodoviária não era só um escritoriozinho de vender passagens…aí foram lá no barraco, eu sempre tive muitas amizades graças a Deus…aí chegaram lá no barraco Antonio Rolim do banco agrícola…e eu fui botei café pra todos e tal..Joao Rodrigues também né…aí Antonio Rolim disse “Natércio de quem é esse barraco?” eu disse é nosso seu Antonio, ele disse “seu?” eu disse: sim. Ele perguntou “quem é que vai tomar conta desse barraco?” eu disse: sou eu mesmo. Ele disse “não você não pode não você hoje é casado pai de família não pode aqui não dá pra você não” ai João Rodrigues disse “ a vaga dele está aberta na hora que ele quiser voltar” eu disse: quero não seu João muito obrigado eu já disse que não iria mais trabalhar de empregado pra nimguém e não vou mais não Deus vai me ajudar que eu não trabalhe mais…aí Antonio Rolim disse “não mais isso não dá pra você não…voce pense num negócio que dê, que eu lhe empresto o dinheiro, você é comerciante sabe o que é negocio, pense num negocio pra você negociar que eu empresto o dinheiro…ai João Rodrigues disse “e eu avalizo por ele” ai ele disse “não o aval dele sou eu mesmo” aí Raimundo Ferreira disse “vixe Maria rapaz! Vocês..” ai Antonio Rolim disse “eu conheço esse menino desde quando ele chegou aqui eu quem venho acompanhando a vida dele”…o movimento todo da empresa era comigo, movimento de banco tudo, tudo era comigo…então eu disse quero não Senhor muito obrigado! Deus vai me ajudar e isso aqui vai dar certo. E deu mesmo graças a Deus. Iniciei contruí o Hotel Cacique…

NILVAN FERREIRA: Tudo começou com um barraquim vendendo café?

Seu Natércio: Quando veio a construção da rodoviária quando inaugurarão a rodoviária eu tirei meu barraquim botei por traz assim fiz um barraco grande era bar e restaurante era…entende como é… Fiz mais movimento na inauguração do que da rodoviária, o que foi de médico e advogado essas coisas…a maioria de Cajazeiras vinha olhar a rodoviária e especialmente vinha lá pro meu barraco, minha amizade era grande com eles…e nesse tempo era o SANDU e vieram falar pra eu ficar fazendo refeições para o SANDU, e eu fiquei…quem se hospedava na rodoviária vinha fazer refeição no meu barraco, ai com esse movimento me incentivaram pra mim ajeitar um hotel um negócio, eu fui comprei duas casas ali onde é o Cacique ai começei a ajeitar o hotel, nesse tempo viajava muito gente pra São Paulo, vinha do Rio Grande do Norte, vinha do Recife e ia pra São Paulo, então tudo se hospedava lá, dormia na rede, depois em 97 eu contrui dois bloco de primeiro andar lá dentro, você conhece o Cacique?… graças a Deus, vou mantendo.

NILVAN FERREIRA: Ô seu Natércio, depois de botar uma banquinha pra vender couro pra Campina Grande, depois um barraquinho de vender café e bebida, depois um barraco pra vender refeição pra quem vinha pra rodoviária, os transeuntes, depois botar um hotel pra acomodar as pessoas que vinham de fora, o que foi que levou o senhor a ir pro ramo de farmácia?

Farmácia Cruz Vermelha com 90 anos de tradição funciona no centro de Cajazeiras. Foto: TV Diário do Sertão

Seu Natércio: Toda vida admirei o ramo de farmácia, eu comecei a aplicar injeção aos 16 anos de idade, agente morava lá de frente a Donato Pereira, era dono da Drogaria dos Pobres, aqui em Cajazeiras trabalhou na Farmácia Cruz Vermelha, ai botou uma farmacinha lá de frente a casa de Zé Alencar, e eu nesse tempo vivia na casa de Zé Alencar, e eu conversava muito com ele, quando foi um dia ele me chamou pra aplicar injeção nele, e era na veia, a primeira injeção foi na veia, eu disse eu nunca apliquei isso não, ele disse: “mais você vai aprender” ele era magro tinha as veias muito boa, preparou a injeção, disse: “bote o garrote aqui” eu botei ai foi mesmo em cima da veia “aspire um pouquinho” aspirei o sangue saiu pra dentro da seringa, ai comecei a injetar, apliquei muito bem, e ele ficou me chamando pra aplicar injeção nele né..depois com esse tempo todo eu tava com o hotel e o barraco um pouquinho de dinheiro um capitalzinho, me lembrei de comprar um carro, e comprar remédios pra ficar vendendo no carro mesmo né, e eu tinha um cunhado lá em João Pessoa, quando eu me casei ele era menino ainda, ele já tava trabalhando no ramo de medicamento no ramo de farmácia numa distribuidora de medicamento ai quando cheguei lá pra falar com ele pra me informar aonde era que eu podia comprar medicamento e tudo…ele disse “não, não dá certo pra você não, você vai botar uma distribuidora” mais eu não tenho capital pra isso, “você tem um carro novo” porque eu tinha ido a João Rodrigues comprar um carro usado, mas ele disse “não você vai levar um novo, eu financio pra você pronto!” era a TL uma das primeira TL que entrou em Cajazeiras, aí, mais rapaz eu não tenho capital pra isso não “vamo ajeitar bote o carro como capital e o dinheiro que você tem” sei que deu uns setenta mil e tanto, ai registramos a distribuidora de medicamentos, eu num tinha como botar uma farmácia pra botar uma distribuidora, ai comecei a comprar e vender, sair vendendo..na Paraíba, ai depois saiu a cruz vermelha pra vender porque a família tinha desprezado a cruz vermelha…

NILVAN FERREIRA: Então o senhor disse vou pegar e dá um jeito? Dá pro senhor contar como o senhor chegou a Cruz Vermelha?

Seu Natércio: A farmácia tava passando por problemas, tava desprezada, devendo muito, então, ofereceram, e eu soube que tava a venda, eu vou procurar saber como ta o negocio e tal, ai cheguei lá, fui a Fortaleza falar com DR. Valter, ele era supervisor do Banco do Nordeste, e era um dos herdeiros da farmácia…

NILVAN FERREIRA: Seu Natércio o senhor lembra do preço que foi a farmácia mesmo estando falida?

Seu Natércio: Lembro! Ele só vendia com prédio e tudo. Ai eu pensei no negocio direitinho, procurei a família dele aqui pra conversar com eles, disseram não só com DR. Valter, e fui a Fortaleza falar com ele, cheguei lá perguntei a ele se ele queria vender e tal, porque tava devendo muito, perguntei o preço, ele disse “é 120 milhoes” naquele tempo era milhões né, ai eu digo, não, já tinham oferecido aqui em Cajazeiras 100, ai aumentou mais 20, também não achou quem botasse nada…eu disse pra ele olhe…

NILVAN FERREIRA: O senhor botou quanto?

Seu Natércio: Eu comprei pelos 120.

NILVAN FERREIRA: Comprou pelos 120?

Seu Natércio: Comprei pelos 120, mas, nas condições de assumir todos os débitos até o valor, eu já era credenciado aos laboratórios…nesse tempo as farmácias comprava direto do laboratório…

NILVAN FERREIRA: Seu Natércio, aí 120 o preço da farmácia e pronto?

Seu Natércio: O prédio né, a mercadoria tinha que balancear.

NILVAN FERREIRA: Tinha remédio dentro?

Seu Natércio: Tinha um restim…entao foi quando ele pensou, eu digo, pois muito bem sr pode pensar, eu conheci ele no tempo que ele estudava num colégio aqui Diocezano, foi quando ele me conheceu, mas nunca mais ele tinha me visto e nem eu tinha visto ele também, eu sei que quando foi com tres dias ele telefonou pra mim, procurando pra gente resolver fazer o negocio, eu fui lá de novo a Fortaleza, firmei o negocio com ele assumindo todos os débitos e dando baixa na firma também…porque hoje pra dar baixa numa firma gasta mais do que pra registrar…fui ajeitei tudinho…quando foi com 6 meses mais ou menos eu tinha me comunicado com os laboratórios com os credores né, e dizendo que assumia, e que ia ficar comprando também pagando a minha e o deles, entende como é? Eu sei que, pedi pra eles tirarem da mãos dos advogados que tava em cartório, e fiquei pagando, terminei de pagar, ai fui pra receber a escritura né, sei que lá, me deram a escritura, fiz 2 viagens atrás dessa escritura ainda mas nada, até que me deram a escritura de prédio e me entregaram tudo, ainda dei mais 6 mil a eles porque as contas tinha dado mais que o valor da compra.

NILVAN FERREIRA: O senhor teve medo de não dá certo seu Natércio?

Seu Natércio: Não tive não!

NILVAN FERREIRA: Eu digo entrar num negocio que tava falido? Entrar numa fogueira grande, achar que não ia dar certo e acabar falindo também?

Seu Natércio: Não, porque graças a Deus eu nunca tive medo. Jesus me ajudou muito, me deu muita disposição pra trabalhar, entende como é?… e planos pra fazer os negócios. Graças a Deus! So tenho a agradecer a Deus mesmo. Então fiquei com a farmácia, quando eu comprei a farmácia Dr. Audo tinha uma farmácia na esquina, eu digo mais rapaz! Eu era cliente dele, tudo que a família precisasse eu comprava a ele, e ele disse lá na lanchonete São Braz, “mais rapaz, to com pena desse rapaz, Natercio começando a vida, e entrar nesse ramo de farmácia, isso não vai dar certo” e graças a Deus deu certo né?… e vai dando certo.

NILVAN FERREIRA: O senhor ta com quantos anos de idade seu Natércio?

Seu Natércio: 75 eu vou fazer.

NILVAN FERREIRA: O senhor se considera um homem realizado?

Seu Natércio: Graças a Deus eu me considero isso.

NILVAN FERREIRA: Os filhos formados, cinco filhos formados né?

Seu Natércio: Tenho um bocado formado.

NILVAN FERREIRA: E os filhos seguiram a mesma tradição do senhor né, Doutorzinho tem Farmácia…?

Seu Natércio: Foram criados estudando e trabalhando. Embora que hoje os pais não pode ensinar mais os filhos a trabalhar “não porque a justiça não deixa dizem” porque dar todo apoio ao menor, vivem mais assistindo tv, não é pra trabalhar, não é pra fazer nada.

NILVAN FERREIRA: Antes era diferente não era seu Natércio?

Seu Natércio: A obrigação que o pai tem é de ensinar os filhos a sobreviver, não é isso mesmo?..eu graças a Deus desde a idade de 9 anos que vivo por conta própria nunca precisei de ninguém graças a Deus.

NILVAN FERREIRA: Então é um coroão enxuto não é seu Natérico?

Seu Natércio: [entre risos] Mais foi de vida vivida viu! E se eu contar a vida toda…eu em 1958 no Brasil só não tinha revirado o Amazonas mais o Brasil já tinha revirado tudo, hoje eu não conheço mais nada, em 1954 eu tava em Curumbá do Mato Grosso do Sul que eu ia pra Argentina mandado por Getulio Vargas, o presidente Argentino sabia que o maior exportador de couros e pele da América do Sul era daqui do Brasil, então pediu a Getulio Vargas um especialista em silvestre pra chegar lá fazer uma pesquisa pra ele explorar o ramo também, aí Getulio Vargas sabia que Raimundo Alves da Silva em Campina Grande era o maior exportador de peles e couro da América do Sul aqui no Brasil, pediu a Raimundo que indica-se uma pessoa, e tinha eu e Heleno um outro que vivia lá com ele, ai falou comigo, eu digo vou, fui pro Rio de Janeiro, lá esperei ainda três dias, houve uma reunião, fizeram um teste pra ver quem sabia mais e quem não, sei que eram oito candidato, eu fiquei em segundo lugar, foi eu e um do Pará, iam os dois pra Argentina, deram passaporte, deram tudo, quando chegamos lá no porto, Getulio Vargas tinha morrido, aquilo ali foi matado não foi suicidado não, foi que mandaram matar Getulio, fiquei mais uns três dias num bairro la do Mato Grosso, fiz uma visita ao Garapés olhando jacarés, um bocado de bicho que tinha por lá, depois voltei pro Rio e do Rio pra Cajazeiras, quando foi em 1969 eu perdi meu curriculum todinho, eu gostava de notar tudo direitinho, por onde eu andava tudo, eu perdi uma pasta, perdi ou me roubaram, eu sei que nunca apareceu, com todos os meus documentos, inclusive meu Curriculum, INSS, nesse tempo não era INSS era outra coisa, mas eu recolhia desde 1952 como autônomo, quando foi…eu procurei o NPS pra saber do resultado, pra ver o que eu podia fazer, porque tinha perdido meus documentos, ai o funcionário disse “se perdeu,perdeu” eu disse você não tem arquivado não porque eu vem pagando tudo isso em dia, ele disse “com três anos agente joga tudo fora” nesse tempo não tinha computador né?…eu sei que quando eu completei 65 anos, eu digo já to na idade de me aposentar, ai procurei me aposentar, procurei antes “não só com um tempo, com a idade” não é possível desde 52 que eu pago “mais você perdeu os documentos não tem o que fazer, só é contado de 70 pra cá” ai eu me aposentei aos 66 anos, foi o maior sacrifício do mundo…e é porque eu tava pagando sobre 10 salarios, depois baixei pra 7, ai eu me aposentei com 5 sálarios.

NILVAN FERREIRA: Seu Natércio o senhor ta com setenta e poucos anos, mas, é um homem que não para em casa, de manhã, de tarde e de noite, o senhor continua…

Seu Natércio: Não graças a Deus toda vida trabalhei muito, agora tive um pouco doente, essa epidemia que deu aí no povo, ave Maria, essa me derrubou mesmo, nunca tinha caído com certas coisas não…mas, trabalho todo dia, eu me levanto 4 e meia da manha, vou pro sitio, olhar lá os negócios como é que ta, fazer a administração por lá, e trazer o leite pra casa, pra família, todo santo dia faço isso…e tem a farmácia também, desde quando eu comprei eu fico sustentando ela ate as 10 horas da noite, semanal, feriado 8 hora da noite.

NILVAN FERREIRA: Seu Natercio é muito feliz não é seu Natércio?

Seu Natércio: Graças a Deus me sinto muito feliz! E Cajazeiras eu não troco pelo resto do Brasil todim. Meu ponto de apoio foi aqui e foi aqui que eu construí minha família.

NILVAN FERREIRA: Seu Natercio, eu queria parabenizar o senhor pelo exemplo de vida que o senhor é! De homem empreendedor, de homem trabalhador, tem muitos que com 18 anos de idade acorda 10 da manhã, depende da mãe do pai que é aposentado, e seu Natercio com mais de 70 anos, acorda 4 da manha, vai pro sitio pegar leite olhar como é que ta as coisas, trabalha todo dia ainda, então é esse exemplo de vida que a gente gosta de trazer aqui no programa. Seu Natercio pra que essa juventude possa ver exemplos como o seu que começou do zero num barraquim vendendo pinga, vendendo café e hoje tem filhos formados, é um homem hoje realizado, eu queria lhe parabenizar por essa historia de vida e dizer que fica nos nossos arquivos registrados sobre essa nova entrevista, e muito obrigado pela presença.

Seu Natércio: Eu só tenho a agradecer a vocês.

DIÁRIO DO SERTÃO com informações do jornalista Gualbio Mendes

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