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VÍDEO: Ricardo diz que sabia de ‘inimigos’ no governo, diz que PSB estava acomodado e alerta Azevêdo

Em entrevista exclusiva, o ex-governador respondeu às declarações do presidente da Assembleia e criticou 'mesquinharia' de quem não quer que ele comande o PSB

Por Jocivan Pinheiro

12/09/2019 às 22h41 • atualizado em 12/09/2019 às 22h46

Durante participação ao vivo, por telefone, no programa Olho Vivo, da TV Diário do Sertão, nesta quinta-feira (12), o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, falou sobre a crise que se instalou no PSB estadual depois que ele foi indicado pela executiva nacional para comandar o partido na Paraíba.

Segundo Ricardo, a crise foi provocada por parte da imprensa e por um pequeno grupo de políticos que têm interesses pessoais e intenção de afastá-lo porque divergem da sua forma de pensar a respeito da relação entre Governo do Estado e deputados. Ricardo classifica esse grupo de ‘velha política’.

“Eu luto para que o Governo do Estado não se torne refém desse tipo de prática. Luto e tenho coragem de dizer aquilo que penso. Eu disse aí mesmo em Cajazeiras, em maio. Fiz uma crítica à situação que eu estava vendo acontecer e eu tinha razão. Tinha dito antes ao governador João Azevêdo e está aí se confirmando tudo aquilo que eu havia dito”, falou o ex-governador.

Ricardo disse que, com base no estatuto do partido e de forma democrática, a executiva nacional do PSB o escolheu para conduzir o processo de renovação da legenda na Paraíba visando as eleições de 2020 e a retomada do protagonismo no estado, pois, segundo ele, o PSB estava ‘acomodado’ e tinha deixado de se ‘auto-renovar’.

“[O PSB] precisa retomar sua vivência, reativar seus espaços porque nós temos uma eleição adiante e é preciso preparar o partido para essa eleição. Então, é um ato de dentro do partido que foi feito, um ato extremamente lúcido e democrático. Portanto, essa coisa está superada, não tem mais discussão sobre isso, e alguns poucos que querem tocar fogo nisso, querem tocar porque tem alguns interesses pessoais deles em jogo, apenas isso”.

Cercado de ‘inimigos’

Indagado se está se sentindo traído, Ricardo responde que sempre soube que, durante seus dois mandatos como governador, estava cercado de pessoas que não comungavam com sua forma de fazer gestão e política, e que apenas se aproveitaram do governo para crescerem.

“Me acusam porque eu não compactuo com a velha política. Eu posso até conviver, eu posso até fazer isso ou aquilo, porém o caminho daquilo que eu represento sempre foi o mesmo. Observe que minhas ideias de vereador, de prefeito, são as mesmas de quando eu exerci o poder do estado. E tem gente que se aproximou, por alguma circunstância, nessa caminhada, que eu sabia que não concordava com essa linha e que em algum momento iria expressar isso”.

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‘Mesquinharia’

Ricardo Coutinho questiona por que algumas pessoas não querem que ele conduza o processo de renovação do PSB-PB, visto que ele contribuiu para o crescimento do partido. O ex-governador afirma, ainda, que essa postura que ele chama de ‘mesquinharia’ será cobrada pela população.

“Acho que é uma mesquinharia muito grande alguém ter uma postura dessas de não reconhecer o meu esforço para com essas pessoas, nas eleições, na condução do estado, na defesa do estado. Eu acho que é preciso ter muito cuidado com as posturas porque a população vai cobrar”.

‘Fantasma’ de Adriano Galdino?

Com relação ao presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino, ter orientado o governador João Azevêdo a deixar o PSB, Ricardo Coutinho foi irônico ao responder que nunca viu o deputado em nenhuma reunião do partido.

“Tem gente falando com tanta propriedade sobre o partido que eu fico arrepiado porque, ou eu estou com uma crise de memória e não lembro ou então essas pessoas eram meio que fantasmas ali por dentro das reuniões e ninguém via. Ou seja, tem gente falando do partido como se fossem construtores do partido. Eu vejo muita gente falando, que só aparecia em festa de convenção”.

Em seguida o ex-governador sobe o tom do recado: “Eu acho que é hora de baixar a bola. Ninguém está lidando aqui com nenhum Zé Mané. Está lidando com um companheiro que sabe das coisas da caminhada da política, porque eu tenho orgulho do trabalho que eu comandei dentro desse estado. Esse estado é o que é hoje em função da determinação e da coragem que nós definimos ao longo desses oito anos”.

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João distante e Nonato culpado

Ricardo afirma que tem tido dificuldade de se reunir com o governador João Azevêdo, pois a iniciativa do encontro deve partir do chefe do Poder Executivo dentro das possibilidades da agenda institucional. A última vez que eles conversaram pessoalmente foi na plenária do Orçamento Democrático Estadual em João Pessoa, em junho deste ano.

Ricardo Coutinho revela que na época alertou João Azevêdo sobre a ameaça da ‘velha política’, e que o então chefe de governo Nonato Bandeira seria o responsável por enfraquecer a representatividade do Governo do Estado na Assembleia.

“Naquela oportunidade eu já dizia a ele: tem gente que está ressuscitando a velha política, que está feudalizando o estado, dividindo o estado como se no estado só existisse deputados, e não é assim. Existe outras lideranças, outros companheiros, vereadores, militantes. É preciso criar um espaço para que todos participem. Não se pode dividir o estado como se fosse capitania hereditária. E o então chefe de governo – eu me refiro a Nonato Bandeira – estava fazendo isso, e é por isso que hoje você tem na Assembleia uma situação muito dramática para o governo”.

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Estado pressionando saída de prefeitos do PSB

Diante da possibilidade de alguns prefeitos deixarem o PSB para seguirem João Azevêdo, Ricardo manda um recado afirmando que, às vésperas das eleições municipais, pode ser arriscado perder seu apoio, sua capacidade de articulação política. Porém, ele não vai lamentar as dissidências.

“Quem não estiver conosco, paciência. Outros estarão. E se o PSB perde alguém, vai ganhar outros. A dialética da vida é essa. Quem quiser sair vai sair, e quem quiser continuar terá de mim o maior respeito, o maior companheirismo, porque se tem uma coisa que o povo sabe é que eu sei ser companheiro, não abandono ninguém, não abandono companheiros no meio da caminhada”.

Operação Calvário

A respeito do risco de ser preso por causa de delações na Operação Calvário, que investiga suposto esquema de fraude na prestação de serviços da Organização Social Cruz Vermelha dentro do Hospital de Trauma, o ex-governador reiterou que não tem nenhum envolvimento ilícito com o contrato e que vai processar as pessoas que o acusarem sem provas. Ele ressalta que os recursos que eram repassados para a OS administrar o hospital sempre estiveram dentro do orçamento.

“É preciso ter muito cuidado. Eu não comento trechos [de delações]. Não é simples assim. Não é alguém falar e, por si só, é verdade. Porque se fosse assim, 70% das delações da Odebrecht não tinham sido jogadas na lata do lixo, porque não serviam para nada, eram mentiras, eram coisas que não tinham compatibilidade”, disse.

“Não tenho qualquer problema com investigação, nem com mentiras que levantem contra mim. Mas quando essa mentira não for provada, será minha vez de processar quem, por ventura, tenha levantado mentiras contra mim”, completa.

Ricardo desafia qualquer pessoa a mostrar em qual governo o dinheiro público foi mais bem aplicado em obras e ações sociais do que no seu.

“É impossível você saber o que acontece no estado como um todo. Mas aquilo que era possível defender, você percebe claramente pelas obras, pela melhoria na saúde, pela melhoria na educação, pelas estradas, pelas adutoras, ou seja, é indiscutível que o dinheiro do povo foi bem administrado. Agoira, se algum prestador de serviço deu dinheiro para alguém, a parte que me toca é se ele tirou esse dinheiro do estado”.

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