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Mariana Moreira

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A conta do golpe

15/12/2017 às 09h51 • atualizado em 15/12/2017 às 11h39

BRASIL - A conta do golpe é no lombo dos pobres

Participando do encontro de extensão da Universidade Federal de Campina Grande, que acontece esta semana, no Campus de Sousa, me inquieto com recente documento produzido pelos burocratas do Banco Mundial, apontando que as universidades públicas brasileiras é uma das principais áreas de ineficiência de aplicação do dinheiro público.

Intitulado “Um ajuste justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil” o estudo foi desenvolvido a pedido do Governo Federal (golpista), que solicita uma análise sobre o gasto público do Brasil e a indicação das alternativas para a redução do déficit fiscal.

Uma das alternativas indicadas é a mudança na forma como o Estado investe em educação. Respaldado em legislações e em modelos de funcionamento das universidades públicas, estes investimentos públicos, hoje, são responsáveis pela produção da quase totalidade das pesquisas e de tecnologias e saberes em todas as áreas de conhecimento.

Mudar essa matriz representa não “eficiência e equidade”, mas, apenas e tão somente, intensificar e refinar os laços da dependência, do atrelamento do país ao grande capital financeiro internacional. Para que produzir pesquisas, criar tecnologias, apoiar a inclusão na universidade? Tudo isso pode ser encontrado em abundantes “pacotes” oferecidos pelas grandes corporações que determinam quem pode ter acesso ao ensino, a pesquisa, ao saber.

Em síntese, apenas os que têm condições de adquirir essas mercadorias ou se sujeitam a programas de financiamento de bolsas que criam dependências físicas e intelectuais, terão acesso a universidade.

Especialistas de várias áreas do conhecimento, ao analisarem o documento, apontam que as sugestões e alternativas propostas expressam ignorância absoluta do cenário do ensino superior público brasileiro. Afirmam que as medidas propostas revelam desconhecimento sobre a realidade do país, na medida em que se baseiam em premissas e dados equivocados. Como adverte Carlos Roberto Jamil Cury, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), “o documento faz uma leitura essencialmente econométrica, desconsiderando a legislação e o modo de funcionamento do ensino superior e da educação básica no Brasil”.

Ou seja, o relatório despreza o papel das universidades federais no desenvolvimento econômico e social, na produção científica e tecnológica e no enfrentamento do mais grave problema do país, a desigualdade social. Ao fazer a comparação custo-aluno das universidades públicas e das instituições de ensino privadas, as análises não levam em conta que as universidades públicas, além do ensino, dedicam-se à pesquisa e à extensão, ao passo que o setor privado é composto predominantemente por instituições que atuam no ensino de graduação.

Outro aspecto que o documento aponta é o baixo nível de eficiência das universidades públicas. De acordo com o relatório, as medidas propostas para esse cenário são a diminuição dos recursos aplicados pelo governo e a cobrança de mensalidades. Este último aspecto, inclusive, é enfaticamente condenado por todos que defendem a educação com direito de todos e dever do Estado, como o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, que considera problemáticos os argumentos em defesa da cobrança de mensalidade por dois motivos: “além de não levarem em consideração muitas dimensões fundamentais, propõem a expansão do Fies (Financiamento Estudantil) e do ProUni (Programa Universidade para Todos), que vão na contramão de um fortalecimento de uma educação pública de qualidade, com preocupações sociais relevantes, e principalmente, gratuita”.

A participação no encontro de extensão da UFCG também clareou o entendimento de uma linguagem comum que é enfaticamente repetida. O de que a “Universidade se fecha em seus próprios muros”. Fica claro, portanto, o peso ideológico desse discurso e a quem ele atende e interessa.

Assim, o documento do Banco Mundial, encomendando pelo governo brasileiro, entra na conta do golpe.

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br