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Mariana Moreira

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A crueldade da caçada

02/07/2022 às 12h31

Coluna de Mariana Moreira - foto: reprodução/internet.

Por Mariana Moreira

Desde pequena a música Assum Preto, de Luis Gonzaga, me causa incômodo e constrangimento, sobretudo a parte em que ele canta: furaram os olhos do assum preto, pra ele assim cantar melhor! Impressiona-me a crueldade humana que se refina e se qualifica em busca da sonoridade de um canto mais harmonioso. Depois, o mesmo Luis Gonzaga canta Fogo Pagou em que lamenta sua piedade com a rolinha que o menino matou. Crueldades que sempre fizeram parte do cotidiano do sertão.

Cresci vendo o Abelardo, vizinho de meus pais em Impueiras, armando arapucas para caçar preás. Em muitos momentos, uma empreitada justificada pela fome. Em outros, um estranho deleite que se satisfaz com o sofrimento e a submissão do mais fraco e indefeso.

Agora, vejo a continuidade de ações e práticas que revelam a crueldade que vem sendo cometida impunemente ao que ainda resta de nossa fauna nativa de rolinhas, avoantes, sofréus, galos de campina. São pessoas, erroneamente autodenominadas de caçadores, que movidos pelo mais insensato sentimento de malvadeza, estão exterminando a população dessas aves. Aves que, depois de mortas, são convertidas em tira-gosto para as rodadas de cachaça que animam os encontros, sobretudo, nos finais de semana. Não existe o atenuante da fome que justifica a mortandade das aves. Mesmo porque essa atividade vem sendo praticada com regras de verdadeiro esporte de guerra cujo troféu é destinado ao que revelar os bornais mais fartos de sangue e carcaças de aves indefesas.

Os traços de requinte desse macabro esporte podem ser verificados nas caçadas noturnas que são empreendidas quando, com a utilização de lanternas, as aves são surpreendidas em seus ninhos. Ofuscadas pela luz não esboçam nenhuma reação e são sacrificadas graciosamente deixando para trás ovos fertilizados ou filhotes indefesos que perecerão em poucas horas.

A situação nefasta revela dois aspectos que se somam na produção das consequencias acima referenciadas. De um lado, a inoperância dos órgãos de fiscalização que, desaparelhados técnica e humanamente, não tem capacidade para empreender uma ampla ação de fiscalização e punição dos ditos caçadores. Outro elemento é a ausência de programas educativos que informem e formem as pessoas acerca da importância de se preservar nossa fauna sob pena de, num futuro não muito longínquo, sermos caçadores de nossa própria espécie. Decretando-se, assim, a extinção da vida no planeta.

E os versos do Xangai, em sua Matança, denunciam e instigam nosso pensar e nosso agir:

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde dá sombra ao ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar.

Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar
É caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d’arco, solva
Juazeiro e jatobá.

Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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Mariana Moreira

Mariana Moreira

Professora Universitária e Jornalista

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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