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Edivan Rodrigues

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A grande corrupção

13/04/2009 às 12h15

Por Francisco Cartaxo

A corrupção tem dois pólos: o ativo e o passivo. O que paga e o que recebe. Ambos criminosos por igual. A gente ouve falar dos dois, mas quase nada se sabe das ligações entre eles, das artimanhas usadas na prática do crime. Os ratos sabem. Falo de ratos poderosos, dos que detêm mais poder de fato na sociedade política do que partidos, deputados, senadores, prefeitos, governadores, ministros, juizes, desembargadores. Os corruptores não agem à luz do dia, mas dominam os subterrâneos das instituições republicanas.

A eles pouco importa que o regime político seja aberto ou fechado, democrático ou ditatorial. Lanterna à mão, eles percorrem os dutos com a mesma desenvoltura nos dois sistemas. Aliás, sua força permeia de tal sorte as instituições que só, excepcionalmente, são molestados. Quem já viu prosperar, por exemplo, CPI de empreiteiras? Morre ao nascer ou congela por excesso de medo. Medo do contágio, da labareda ao vento, da água rio abaixo.

As poucas iniciativas para destrinchar grandes esquemas de corrupção têm origem longe do centro do poder, em círculos quase alternativos. Surgem da ação de algum desavisado, entre gatos pingados do parlamento ou em operações conjuntas da Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal, Poder Judiciário. Neste caso, quando investigações sigilosas conseguem caminhar, aproximando-se do cerne da grande corrupção, e vêm à superfície, a tática muda. Na impossibilidade de paralisá-las, procura-se confundir. Não existe forma mais eficaz para isso do que trocar a essência pelo secundário. Veja-se o que ocorre com a Operação Castelo de Areia. O foco da investigação são os crimes contra o sistema financeiro, as relações promíscuas praticadas, às vezes, à sombra de mecanismos criados em paraísos fiscais. Este é o núcleo da ação investigativa daquela Operação, tanto que o juiz encarregado é Fausto De Sanctis, especialista em delitos dessa natureza. A mídia explicou isso? Não. Elegeu como prioritária a face da nebulosa rede ligada ao financiamento de campanhas eleitorais. A partir daí, o foco da mídia iluminou políticos e partidos beneficiários de doações. Legais ou ilegais? Pronto, ninguém mais fala da essência da Operação: lavagem de dinheiro apalavrada lá atrás em licitações montadas. A tática deu certo e a sociedade perde a grande chance de conhecer as entranhas da grande corrupção, os mecanismos da delinqüência financeira associada ao mundo empresarial, ao poder formal no executivo, no legislativo e judiciário.

Pior ainda, o olhar da mídia volta-se para os investigadores. Na Operação Castelo de Areia, adjetivos e verbos usados pelo juiz De Sanctis foram mais transcritos do que os ilícitos cometidos, muito embora estivessem apontados no seu longo despacho. Deu-se o mesmo com a Operação Santigraha. O foco sai das proezas de Daniel Dantas para o delegado Protógenes Queiroz. Olha ele abraçado a Heloisa Helena, gente! Que horror, um delegado federal! Enquanto isso, o sumo da investigação submerge mais ainda. É temeroso. Pode-se até concluir que, eliminando-se as eleições, acaba-se a corrupção. E assim, os corruptores permanecem à sombra, mesmo que apareçam na tevê presos por algumas horas.

Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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