A luta pela Universidade corre grave risco

Por Josival Pereira – A semana registra um fato consumado e uma notícia com força para acender todas as luzes de alerta em Cajazeiras, especialmente na cabeça de suas lideranças politicas e sociais.
O fato consumado é criação do Instituto Federal do Sertão em tempo recorde entre sua proposição, envio de projeto e aprovação na Câmara dos Deputados, na última terça-feira (03/02). Não fosse o recesso, o processo de criação da nova instituição não teria demorado uma semana.
O deputado federal Hugo Motta fez tudo. Pediu ao presidente Lula na hora mais oportuna, que foi a de vulnerabilidade de apoio na Câmara e a tentativa de reaproximação do governo com o Congresso, e ainda se encarregou de relatar o projeto, articular apoios e conduzir a votação.
A criação do Instituto Federal do Sertão, com reitoria em Patos, englobando os campi de Cajazeiras, Sousa, Catole do Rocha, Itaporanga e Princesa Isabel, não é ruim. Aliás, é muito boa para o Sertão. E o deputado Hugo Motta não fez nada de errado. Cumpriu seu papel e merece reconhecimento da região.
O único problema é que, com a decisão, Cajazeiras tem parte de seu protagonismo na educação reduzido e perde impulso em seu processo de desenvolvimento.
Pior é que isso não é tudo. Há, ainda, uma notícia preocupante. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já anunciou, numa entrevista ao programa Hora H, do jornalista Heron Cid, na última terça-feira, que vai articular a criação da Universidade Federal do Sertão como fez em relação à criação do novo Instituto Federal.
A intenção e a disposição do parlamentar vão, a seguir, transcritas, entre aspas: “Esse será um debate que nós obrigatoriamente estaremos fazendo a partir de então porque há também o interesse desse desmembramento como forma de poder expandir a educação ainda mais no Sertão do estado. Nós sabemos que só através da educação vamos conseguir ter os frutos que nós merecemos”.
“Com certeza, isso se dará com debate político, com força política aqui em Brasília, com voz ativa, assim como fizemos nessa criação do Instituto Federal do Sertão”.
O contexto político indica claramente que o deputado Hugo Motta está planejando levar para Patos a reitoria da futura Universidade Federa do Sertão, o que deixaria Cajazeiras novamente para trás, apesar de contar com um estruturado movimento de reivindicação da nova universidade há bastante tempo, além do maior e mais importante centro de ensino universitário público do interior do Estado.
Só existe uma forma de Cajazeiras não perder mais essa batalha: reação política organizada. Precisa fazer com que o deputado Aguinaldo Ribeiro assuma a defesa da causa da criação da Universidade do Sertão com sede em Cajazeiras. Precisa conquistar uma maioria de aliados na bancada federal. Precisa interpelar Nabor Wanderley como pre-candidato ao Senado com apoio das principais lideranças da cidade. Precisa chamar o senador Veneziano Vital Rego ao debate como opção de candidato da cidade. Precisa atrair deputado Hugo Motta. Precisa convencer o Ministério da Educação.
Antes de tudo, porém, precisa que as lideranças políticas e sociais de Cajazeiras abracem a luta com vigor e disposição, o que não parece esteja acontecendo agora.
Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.
Leia mais notícias no www.diariodosertao.com.br/colunistas, siga nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram e veja nossos vídeos no Play Diário. Envie informações à Redação pelo WhatsApp (83) 99157-2802.

Deixe seu comentário