Árvores para Cajazeiras, já

Por Francisco Frassales Cartaxo – De Cajazeiras me chegam notícias do insuportável calor, apenas superável pelas intrigas políticas. Há dois meses um amigo me aconselhou: “não venha agora, você vai morrer de calor”. Conheço bem a quentura dos B-R-O – BRO. No mundo a temperatura agrava-se mais ainda por fatores conhecidos, embora desdenhados por quem nega a ciência. Em nossa terra, piora com a recente densidade imobiliária, o asfalto derramado nas ruas, o aumento exponencial do número de veículos, o desprezo às árvores.
De Brasília vem um grito.
“Cajazeiras, minha cidade natal, está sendo destruída diante de meus olhos. A falta de arborização e a destruição de árvores para dar lugar ao tráfego de automóveis são apenas alguns exemplos do descaso criminoso das autoridades”
O desabafo é de Eriston Cartaxo, filho do saudoso Eudes Cartaxo. Arranjam tanta verba federal que avenidas e ruas de Cajazeiras fervem de asfalto, inaugurado com discursos, fogos, puxa-saquismo. Ninguém fala das consequências negativas, ninguém lembra sequer de plantar árvores, de um programa de arborização capaz de reduzir a incidência do calor no dia a dia da população. Um plano que indique a muda adequada, no lugar certo, na época apropriada.
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Essas coisas não cabem nas emendas.
Emenda parlamentar (via pix?) é moeda de troca. Compra tudo. Por isso, deputados, gestores municipais se preocupam tanto com as “sobras” que financiam campanhas eleitorais. Onde elas vão parar? Só Deus sabe. Preocupam-se também com a Polícia Federal, com investigações seguidas de operações que apreendem documentos, computadores, carros de luxo, aviões, celulares. E predem suspeitos, depois processados no âmbito da Justiça. Cajazeiras já provou desse veneno, há pouco anos, quando os andaimes eram baixos, fáceis de armar.
Arborizar uma cidade é ação permanente.
E envolve a sociedade. Isso dificulta aos “pais das emendas” a obtenção de “sobras” para pagar dívidas de campanha eleitoral, por exemplo. Um plano de arborização para Cajazeiras é uma necessidade sentida por todos. A propósito, o advogado Moreira Lustosa, presidente do Rotary Club, há anos vem batalhando feito andorinha perdida no verão. Começou em sua fazenda, onde a derrubada de árvores estava matando os veios d’águas! Ele cuidou de protegê-los. Deu certo. Hoje mantém viveiros de mudas e até oferece de graça a quem deseje. Nunca foi chamado pela mídia para dar entrevista!
Prefeita Socorro Delfino, converse com o Rotary Club.
Acione a secretária Brankinha Abreu, que é do ramo, preparem um plano de arborização, discutam com a população, desvincule essa ação dos candidatos que costumam carregar urnas na cabeça! Faça isso sem pensar em emenda parlamentar, que chega carimbada de Brasília, com suspeitos percentuais para distribuição. Suspeitos? Isso mesmo. Definidos em conversas sussurradas em gabinetes, restaurantes ou mensagens cifradas.
Quem escreve assim é um velho que sequer a conhece pessoalmente. Mesmo não sendo seu amigo, faço este alerta: cuidado com o canto das sereias que emergem dos lagos nos jardins de Brasília.
Sócio da Academia Cajazeirense de Artes e Letras
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